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Povos indígenas de Goiás no século XIX


Encerramento da I Jornada de lives do grupo de pesquisa "Goyaz no século XIX" da Universidade Federal de Jataí - UFJ, Goiás, em dezembro de 2021.




A apresentação se inicia a partir do momento 00:34:40 do vídeo abaixo:



Caso o vídeo não esteja a disposição acima, clique na frase "assistir no Youtube" que aparece no centro quadro negro, ou acesse <https://www.youtube.com/watch?v=pW8AuCtPViE> diretamente no canal do grupo de pesquisa da UFJ.


A conversa foi mediada pela pesquisadora Larissa Barth.


Lançamento do livro Uma Viagem pelo Sertão: 200 anos de Saint-Hilaire em Goiás


Evento de lançamento do livro Uma Viagem pelo Sertão: 200 anos de Saint-Hilaire em Goiás, organizado por Lenora Barbo e que conta com um capítulo de Rodrigo Martins dos Santos intitulado Indígenas de Goiás na Visão de Saint-Hilaire.

O evento foi organizado pela Universidade Evangélica de Goiás em 30 de junho 2021.


A apresentação inicia-se a partir do momento 1:22:41 no vídeo abaixo:



Indígenas de Goiás na visão de Saint-Hilaire


No presente texto, busco analisar os registros do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire a respeito dos povos originários que viviam na então capitania de Goyaz no ano de 1819.

As bases epistemológicas do presente capítulo são inspiradas nas ideias das epistemologias do sul em Sousa Santos e Meneses (2010), que questionam a superioridade cultural do norte global e buscam dar visibilidade às culturas ausentes ou desdenhadas nas narrativas históricas estabelecidas por aqueles que invadiram territórios ou escravizaram povos para fi ns de se estabelecerem no topo do domínio econômico, social e cultural do mundo.

Assim, inicio o presente capítulo retratando o quadro dos povos indígenas visitados pelo referido explorador francês com uma análise sobre a resistência desses povos em relação aos invasores luso-brasileiros. Logo após, são retratados os aldeamentos (reduções ou presídios) indígenas visitados pelo viajante oitocentista, seguidos por análises sobre suas opiniões quanto ao regime sob o qual os nativos foram submetidos. Por fi m, as impressões de Saint-Hilaire em seus encontros com os povos originários em Goiás são analisadas.

O texto participa, portanto, da ideia de descolonização do pensamento latino-americano (Quijano, 2000), que busca dar visibilidade e voz, por meio de um viés decolonizante, às identidades latino-americanas marginalizadas pela cultura dominante, eurocentrista. Isso, sobretudo, em relação aos povos originários de Abya Yala, como é chamado o continente americano pelos povos nativos (Declaración de Kito, 2004).

(...)



Considerações Finais

Como vimos, a realidade dos povos originários em Goiás no momento da passagem do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire era dramática. Depois de 150 anos das primeiras invasões luso-brasileiras naqueles territórios no século XVII, suas condições de vida foram se deteriorando ano após ano, chegando ao ponto de o referido explorador prognosticar a eliminação total desses povos em pouco tempo.

Entrementes, o que vemos atualmente é um singelo fortalecimento da identidade e territorialidade indígena no país. Os poucos que sobreviveram ao genocídio e ao etnocídio, às duras custas, lutam pela garantia de sua sobrevivência enquanto povo etnicamente estabelecido, cujas raízes estão fincadasno solo de Abya Yala desde tempos pré-cabralinos.

A luta destes povos não acabou, e atualmente o avanço para o oeste da frente invasora retoma seu vigor mais forte do que nunca, na figura do mais cruel e arcaico agronegócio: desmatador, latifundiário, monoculturista e agrointoxicado. Entorpecidos por um suposto progresso que nunca vem, eles tentam a todo o custo esbulhar e desmatar os territórios indígenas, e transformar essas pessoas em mais lenha para sua fogueira, alimentada pela obsessiva privatização e destruição da natureza. Nada muito diferente dos tempos de Saint-Hilaire (1848, p. 293-294), que tomou partido em um dos lados da história:

Não nos devemos pois, admirar de que os portugueses (...) invejassem a terra dos índios; mas fi ca-se com o coração apertado quando se pensa em que não se quer deixar, sequer, algumas léguas, a esses que foram, ainda a tão pouco tempo, os senhores de toda a América.

Esse último excerto do naturalista que exponho aqui demonstra que esta luta não é só dos povos originários, mas de todos aqueles que prezam pela existência da maior riqueza que temos no planeta: a vida, diversa, bioculturalmente.



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(Disponível apenas na versão impressa)

Capítulo de Rodrigo Martins dos Santos publicado entre as páginas 247e 265 da obra BARBO, Lenora (org). Uma viagem pelo sertão: 200 anos de Saint-Hilaire em Goiás. Jundiái-SP: Paco, 2021.


Os índios na cartografia histórica de Goyaz

O presente artigo procura analisar a etnogeografia presente na cartografia histórica de Goiás elaborada nos séculos XVIII, XIX e princípio do XX.

Inicio apresentando, de forma resumida, o papel da cartografia histórica para os estudos antropogeográficos. Em seguida, sigo para a análise de cartas catalogadas no presente GUIA e que apresentam alguma informação que concluí como relevante para o entendimento da localização dos povos ameríndios no momento da invasão, colonização e exploração do território pelos Luso-Brasileiros. As últimas das cartas que analiso não são históricas, mas elaboradas por mim, com base em documentos cartográficos e etnográficos.

Por fim, nas conclusões, teço uma comparação entre as informações contidas em cartas históricas e nos mapas etnográficos e o que considero de relevante na cartografia histórica para o entendimento da localização de povos indígenas em Goiás, deixando sugestões para novas pesquisas.


CONCLUSÃO

Com base nos mapas históricos analisados no presente artigo observa-se a recorrente referência a notáveis tribos na Capitania de Goiás no decorrer do século XVIII, são elas a Xavante (a noroeste), a Akroá (a noroeste), a Cayapó (a sudoeste) e Curumaré (na Ilha do Bananal). Além delas, que aparecem em praticamente todas as cartas que trazem registro de localização étnica na região nesse período histórico, há outros povos que são mencionados em pelo menos uma carta setecentista, como os Canoeiros (ou Avá Canoeiro), os Javaé, os Karajá e os Chicriabá (Xakriabá). E por fim, observando o "Mapa Etnolinguístico do Planalto Central e adjacências", outras fontes ainda fazem menção aos Krixá, Xerente, Anicun, Goyá, Ushicrin, Naudez e Assú.

No século XIX, outras etnias começam a constar nos mapas. Ao norte de Goiás, constam os Apinajé,
Neraquagé, Puxiti, Piecobigê, Ponecategé, Prurecamecran, Canacategê, Crurecamecran, Piocamecran, Aigé, Crangé, Botica, Carahós e Temembos ou Pepuxis. Esse “surgimento” em Goiás pode ter ocorrido devido às “correrias” que os povos Timbira realizaram para oeste ao ver seu território nativo no sul do Piauí invadido por currais baianos, no século XVIII.

Ao longo do Araguaia, ou a oeste dele, também passam a ser registrados os Xambibuá, Itapirapé, Cururu, Mongari, Gradaú, Grapindayé, Guapingayé, Carajaú e Carajavis. Isso deve ter ocorrido devido ao maior conhecimento que os Luso-Brasileiros foram adquirindonessas regiões a partir do último quartel do século XVIII, após se concretizar as comunicações fluviais com Belém do Grão-Pará devido às expedições de Tomás de Souza. Pois no período áureo da mineração (segundo quartel do séc. XVIII) não se tinha muito interesse em atingir a região do baixo Araguaia, devido a inexistência de garimpos e abundância de "tribos hostis". Os aldeamentos (reduções ou presídios) registrados em mapas históricos são mais recorrentes nos mapas setecentistas. Dentre eles destacam-se aqueles construídos por bandeiras na primeira metade do século XVIII para Boróros e Parecís na estrada que ligava com a Vila de São Paulo, próximo aos rios Das Pedras e Pissarrão, e o formado por padres jesuítas denominado Sant'Anna, na mesma região do atual Triângulo Mineiro. Também há referência aos aldeamentos de Duro e Formiga próximo à Serra Geral, erigido para Akroás e Xakriabás; o Maria I, São José de Mossâmedes e Carretão de Pedro III para Cayapós, Xavantes e outros na região da capital Vila Boa de Goyáz; e o Nova Beira e Santa Maria, dentre outros ao longo do Araguaia, construídos para aprisionar Karajás e Javaés, mas que recebeu outros povos, e foram destruídos por uma confederação que envolveu Karajás e Jês.

Os mapas do século XIX em diante irão, cada vez mais, ilustrar estes aldeamentos como simples localidades, apagando a história indígena presente nesses presídios que serviram para povoar áreas com uma população ruralizada a partir da conversão de índios em agricultores, bem como combater índios “indolentes” que “impediam” o avanço da frente de expansão colonial. Mas que, na verdade, buscavam proteger seu território ancestral que ano a ano era invadido e usurpado pelos Luso-Brasileiros. 

Nos mapas do período inicial da República, o preconceito dos servidores do Estado em face dos poucos índios que resistiram vivendo em território emancipado do domínio brasileiro se manifestava 
nas cartas oficiais. O uso de termos como "região infestada pelos índios” se torna regra geral em todos os mapas analisados para o início desse período.

Por fim, o "Mapa Etnolinguístico do Planalto Central e adjacências”, elaborado recentemente em minha pesquisa de mestrado, encerra este artigo localizando etnias que não constam nos mapas históricos, mas que aparecem em outras fontes como relatos de viajantes, etnografias e, principalmente, nos históricos do IBGE (2012), ineditamente mapeados.

Assim, ficou revelado em cartografia que os povos Krixá e Xakriabá viveram no Distrito Federal, e os Xerente nas adjacências. Além disso, as etnias Anicun, Goyá e Ushicrin, à oeste da atual capital federal; Naudez e Assú, próximo a Serra Geral; e Kenpokatajê, Macamecran e Krikati, no norte da antiga Província de Goiás, adicionam informações etnonímicas e de etnolocalização além das encontradas nos mapas históricos apresentados neste GUIA.

Apesar de não ter sido explorado neste artigo, uma pesquisa toponímica poderá indicar a morada de outras etnias. Por exemplo, a Serra do Caiapó recebeu este nome devido à presença de índios homônimos. O rio Crixás, Chavante, Caiapó e Tapirapé também indicam que nesses locais existem ou existiram as respectivas tribos. Até mesmo o nome de localidades como Anicuns, Crixás e Caiapônia, rememora a presença indígena na região.

Com este artigo, podemos ver que a diversidade étnica de nosso país era muito maior do que vemos hoje, e que os mapas históricos podem nos ajudar a desvendar quem eram e onde estavam os povos originários de nosso país, desde que o pesquisador tenha um olhar crítico sobre a obra, pois por se tratar de mapas, produtos do intelecto humano, estão arraigados de ideologia. E, portanto, ao invés de esclarecer, podem suscitar outras dúvidas.


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A importância dos mapas históricos

Os Mapas são instrumentos de comunicação geográfica, ou seja, elaborados para representar determinado espaço terrestre, suas paisagens e territórios. Os mais antigos mapas que se tem informação foram elaborados pelos sumérios, há 5.500 anos atrás em placas de porcelana. Mas antes deles, diversas pinturas rupestres já buscavam transmitir elementos de localização de locais sagrados, caminhos de caça, áreas de cultivo, etc.


Mapa histórico é todo aquele utilizado para estudos sobre o passado de determinado território. Os mais antigos mapas históricos que retratam o espaço do atual território brasileiro foram manuscritos, e, portanto, não há muitas cópias. Devido à essa singularidade e, algumas vezes, sua beleza artística, são considerados verdadeiros tesouros, e alguns deles guardados em locais espacialmente vigiados.

Os mapas são instrumentos estratégicos, portanto, de poder. É uma forma sintética de transmitir uma informação espacial. A sua produção e leitura requer um desenvolvimento técnico e tecnológico, por isso, restrito à certas instituições e pessoas. O Estado é a instituição que mais se preocupou na história em produzir e guardar estas informações cartográficas, em especial, suas organizações militares.

Em relação ao espaço do atual território brasileiro, grande parte dos mapas históricos estão guardados em arquivos no Rio de Janeiro e em Portugal. Entretanto, franceses, flamengos, batavos e outros povos também confeccionaram e guardam mapas históricos sobre nosso território.

Apesar de não ser o único meio de se obter informações geográfico-históricas, os mapas históricos estão em local privilegiado. Essa excelência se dá ao fato de que há uma certa magia e mistério, que enaltece os sentidos da descoberta.

A importância que o Arquivo Público do Distrito Federal está dedicando aos mapas históricos merece ser louvada. É uma tarefa árdua e lenta, como o próprio processo de confecção de um mapa. Portanto, parabenizo o Governo do DF por ter se despertado para esse papel essencial na busca e guarda de nosso maior patrimônio, que é a nossa história, a nossa identidade.


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Discurso proferido durante o lançamento da obra GOYÁZ - Guia de Cartografia Histórica, no Teatro Nacional, Brasília, 07 jul. 2018.

The history of the English language - a documentary


One of the most creative and informative documentaries about the English language is "The Adventure of English: 500 AD to 2000", produced by the BBC (British Broadcasting Company) in 2003, and presented by Melvyn Bragg.


It begins by showing the ancient relatives to English, whose Frisian - spoken in northern Holland - is the closest tongue. From those lowlands, the Anglo-Saxon invaded the Britain island, where they defeated the native Celt (or Welsh), who were enslaved by the former. And then, began the journey of the language.

Although the documentary is filled with linguistic details, a multidisciplinary approach is its spine. The background is based on information given through interviews, illustrations, acting, literature quotations, archaeological evidence and so on.. Nevertheless, its wealth is made of an uncountable number of exemplifications in the modern use of the language, which cleverly grasps the audience's attention.

After the above mentioned first contact with Gaelic (the Celt's language) and a glance at Viking languages (Danish for example) afterwards, French and Latin added a wide vocabulary and flexible structure, due to Norman invasion and Church domain upon the Britain. Yet English has started to invade other continents (America, India, China, Africa, and Australia), Greek, Dutch, Spanish, Portuguese, Arabic, Persian and Turkish made their contribution to enriching, even more, the range of possibilities in English before it finally became a worldwide tongue.


Despite its drips of ideology trying to point out its romantic aspects, this documentary is magical and attractive. Hence, The Adventure of English is worth watching if you want to enlarge not only your English skills but also fill your well  of knowledge with a little pool of cultural wisdom, which was precisely selected by one wise and cult TV channel, well-known for its quality and high standards.

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Review written for the Cambridge Proficiency English course, The English Academy, Dublin, 2016.

Uma visão socioambiental sobre a fronteira no Cerrado


Resenha do livro:
Fronteira Cerrado: sociedade e natureza no Oeste do Brasil.
Goiânia: Editora da PUC Goiás; Gráfica e Editora América, 2013. 368p. ISBN 9788582640159

Organizado por:
Sandro Dutra e Silva
José Paulo Pietrafesa
José Luiz Andrade Franco
José Augusto Drummond
Giovana Galvão Tavares

Capa do livro Fronteira Cerrado: sociedade e natureza no Oeste do Brasil. Goiânia: Editora da PUC-Goiás; Gráfica e Editora América, 2013. (Org) Silva, S. D.; Pietrafesa, J. P.; Franco, J. L. A.; Drummond, J. A.; Tavares, G. G.
Capa do livro Fronteira Cerrado: sociedade e natureza no Oeste do Brasil.

O livro utiliza o conceito de “fronteira” para aglutinar artigos relacionados à sociedade e à natureza do Cerrado brasileiro. A publicação é uma continuação da parceria entre o Centro Universitário de Anápolis (Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente) e a Universidade de Brasília (Centro de Desenvolvimento Sustentável e Programa de Pós-Graduação em História), que deu origem, em 2012, ao livro História Ambiental: fronteiras, recursos naturais e conservação da natureza.

A obra é dividida em três partes: fronteiras do oeste; fronteira e natureza; e novas fronteiras. O grupo de autores que redigem os 20 textos da obra é formado em sua maioria por historiadores, mas também por cientistas sociais e biólogos, além de alguns geógrafos, administradores, contadores, engenheiros e matemáticos. A maior parte dos artigos têm como pano-de-fundo o espaço territórial do estado de Goiás. Entretanto, outros estados onde há presença do bioma Cerrado foram contemplados de alguma forma em alguns artigos. 


No conjunto, trata-se de uma coletânea bastante diversificada, em termos de abordagens, cujo eixo articulador refere-se às dinâmicas de ocupação, enfrentamentos e disputas em torno do Cerrado. O livro é recomendado a pesquisadores interessados sobre a história e o ambiente do bioma Cerrado, ou seja, a sua história ambiental.

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Leia na íntegra... 
Clique aqui para baixar a resenha completa a partir de nosso banco de dados. 

Clique aqui para acessar o original da resenha publicada na revista Sustentabilidade em Debate - ISSN: 2177-7675, ESSN: 2179-9067, v. 5, n. 3, p. 120-125, set/dez 2014, editada pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável, da Universidade de Brasília.
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SUMÁRIO
Prefácio
Lucia Lippi Oliveira

Apresentação
Os organizadores
Parte I
Fronteiras do Oeste

A certidão de nascimento de Goiás: uma cartografia histórica da Fronteira
Antônio Teixeira Neto

Coronéis e camponeses: a fronteira da fronteira e a tese da “ficção geográfica” em Goiás. 
Francisco Itami Campos 
Sandro Dutra e Silva

A Fronteira Ouro e outras fronteiras nas gerais do Oeste: história ambiental e mineração em Pilar Goiás nos séculos XVIII e XIX
Maria de Fátima, Sandro Dutra e Silva
Giovana Galvão Tavares

Fundação Brasil Central e as relações entre Estado e territórios no Brasil. 
João Marcelo Ehlert Maia

O medo dos colonizadores em relação ao indígena na expansão da fronteira colonizadora em Goiás nos séculos XVIII e XIX
Eliézer Cardoso de Oliveira

Uma cidade nos caminhos do “sertão” de Goiás
Gercinair Silverio Gandara

Sertão Cerrado
Euripedes Funes
Parte II
Fronteira e Natureza

As reservas particulares do Patrimônio Natural e a conservação da natureza na Chapada dos Veadeiros
Priscylla Cristina Alves de Lima
José Luiz de Andrade Franco

A expansão pioneira no Noroeste Paulista: os Albuns Illustrados como documentação para uma História Ambiental da fronteira (1900-1930)
Marcelo Lapuente Mahl

Fronteiras no Cerrado e terras quilombolas em Goiás: os Almeida de São Sebastião da Garganta
Julia Bueno de Morais Silva

Política de Unidades de Conservação do Estado de Goiás: avaliação da eficácia de gestão
Edna de Araújo Andrade
Genilda D’arc Bernardes

Flora do Cerrado: perspectivas para estudo de conservação biológica e bioprospecção
Mara Rúbia Magalhães
Josana de Castro Peixoto 
Mirley Luciene dos Santos

Mudanças climáticas globais e distribuição geográfica de espécies: modelo de nicho aplicado a uma espécie de cupim e de árvore do Cerrado
João Carlos Nabout
Pedro Paulino Borges
Karine Borges Machado
Érica Diniz Ferreira
Solange Xavier dos Santos
Hélida F. da Cunha
Parte III
Novas Fronteiras

Formação e expansão da fronteira agrícola em Goiás: a construção de indicadores de modernização
Fernando Pereira dos Santos
Fausto Miziara

Capital internacional e novas fronteiras na produção de bioenergias: estudo de caso de questões sócio ambientais
José Paulo Pietrafesa
Pedro Pietrafesa

Rede empresarial para expansão da soja transgênica no Cerrado goiano
Luís Cláudio Martins de Moura
Joel Orlando Beviláqua Marin

Clero católico, pequenos agricultores e grande capital no vale mato-grossense do rio Araguaia (1971-1972): a visão do Sistema Nacional de Segurança e Informações - SISNI
Dulce Portilho Maciel

Goiânia: um marco na transformação do sertão e apropriação das áreas de cerrado
Janes Socorro da Luz

Mudanças de uso do solo na Alta Bacia do Rio Araguaia e as relações com as políticas públicas de 1975 a 2010
Karla Maria Silva de Faria
Selma Simões de Castro

Conservação da biodiversidade no bioma Cerrado: ameaças e oportunidades
Roseli Senna Ganem
José Augusto Drummond
José Luiz de Andrade Franco

Sobre os Autores


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Parque Linear do Ribeirão Cocaia - objetivos e historia

Mapas e depoimento sobre o Parque Linear do Ribeirão Cocaia. Criado em 20 de junho de 2008 pelo Decreto Municipal 49.659, com área total de 1.261.516,44 m2, no Distrito do Grajaú, zona sul da Cidade de São Paulo.


Clique nas imagens para ampliá-las


      I.                                  II.                                     III.                                        IV.                

I. Localização do Parque, destacado por um quadrado vermelho no centro da zona sul da cidade de São Paulo;

II. Primeiro limite para o parque, proposto no Plano Diretor da Cidade de 2002;

III. Cartaz de chamamento da comunidade para as oficinas de criação do parque em 2007;

IV. Limite de criação do parque de acordo com o Decreto Municipal 49.659/08.

Link da página oficial do parque no site da prefeitura:



DEPOIMENTO

   
Parte 1. Objetivos de criação do Parque*                            Parte 2. Historia da ocupação da região do Parque* 


Parte 3. Envolvimento de Rodrigo Martins dos Santos com o bairro onde foi implantado o Parque*




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* Depoimentos de Rodrigo Martins dos Santos, que trabalhou no projeto de criação do parque entre 2002-2009. Gravação janeiro de 2015, a pedido do conselheiro do parque Marcos Antonio Machado (Foguinho), devido ao seu interesse em conhecer e divulgar a história e importância do parque para seus frequentadores.

Etno-história na oralidade Xakriabá: retomando o Rio São Francisco em Minas Gerais, Brasil

Rodrigo Martins dos Santos
Ludivine Eloy


RESUMO

Apresenta elementos da história do povo Xakriabá a partir de relatos orais de moradores de aldeias do município de São João das Missões, Minas Gerais. As perguntas centrais desta pesquisa são: Como foi o contato do Xakriabá com o colonizador? Quais foram os fatos marcantes que estão na memória do povo? Quais foram as conquistas? Para esta investigação foi adotado o uso da história de vida como técnica de abordagem aos entrevistados, aplicada em novembro de 2011. Como material de apoio utilizou-se cartografia, documentos históricos, teses, dissertações e livros. O diferencial desta abordagem está nos produtos gerados: ilustrações na forma de mapas, transectos da paisagem (perfis de caminhamento) e cronologia dos fatos. Os relatos apresentam informações de que os Akwén-Xakriabá, também conhecidos como Caboclos do Senhor São João, viviam às margens do rio São Francisco, de onde foram expulsos primeiramente devido à guerras com os bandeirantes no final do século XVII. Em seguida, no século XVIII, após apoiarem os colonos na expulsão dos índios Cayapó, e os jesuítas implantarem uma missão em seu território, recebem terras na forma de “doação”. Nos anos que se sucederam foram miscigenando com negros e camponeses brancos, até que no final do século XIX são pressionados por pecuaristas, e passam a viver nas serras. Com a chegada dos projetos de “reforma agrária” do governo militar em meados da década de 1960, suas terras são alvo de esbulho pelo estado de Minas Gerais. A partir de então, os Xakriabá buscam apoio da FUNAI, que por sua vez inicia o processo de (re)conhecimento da indianidade dos Caboclos. Foi uma violenta trajetória até conseguirem a demarcação de parte de seu território como terra indígena, muitas lideranças foram ameaçadas por fazendeiros locais, culminando na chacina de um cacique e sua família, em 1987. Este trágico episódio mobilizou a mídia nacional e internacional, trazendo enfim a demarcação do primeiro trecho de suas terras. Em 2000 é demarcado o segundo trecho. Mas, continuam reivindicando o acesso ao Rio São Francisco, local de ligação ancestral de seu povo, onde muitos resistem. Após esta breve análise da história dos Xakriabá, poderíamos questionar: Será que muitos indígenas do sertão brasileiro passaram por situações semelhantes, especialmente os povos emergentes do Nordeste? Teriam estes também migrado de terrenos férteis para locais onde os recursos são menos favoráveis, sob pressão dos colonizadores? Questões para outras pesquisas.

Palavras - chave: Território; Xakriabá; Rio São Francisco.


Org. Rodrigo Martins dos Santos
Fluxos Migratórios Xakriabá. Org. Rodrigo M. Santos, 2012.


RESUMEN

Introduce elementos de la historia de los indios Xakriabá por medio de relatos orales de los pobladores en el municipio de São João das Missões, Minas Gerais. Las preguntas centrales de esta investigación son: ¿Cómo fue el contacto entre el Xakriabá y colonizador? ¿Cuáles fueron los hitos que están en la memoria de la gente? ¿Cuáles fueron los logros? Para esta investigación hemos adoptado el uso de la historia de la vida como un enfoque técnico a los encuestados, aplicado en noviembre de 2011. Como material de apoyo se utilizó mapas, documentos históricos, tesis, disertaciones y libros. La diferencia de este enfoque es en los productos generados: ilustraciones en forma de mapas, perfiles del paisaje transecto (perfiles) y la cronología de los acontecimientos. Los informes proporcionan información que Akwen-Xakriabá, también conocido como Caboclos do Senhor São João, vivían en cerca del río San Francisco, donde fueron expulsados ​​debido principalmente a las guerras con los pioneros de finales del siglo XVII. Luego, en el siglo XVIII, después que apoyaron los colonos en la expulsión de los indios Cayapó, y los jesuitas desplegar una misión en su territorio, recibirán la tierra en forma de "regalo". En los años que siguieron fueron miscigenando con agricultores blancos y negros. En finales del siglo XIX son presionados por los proprietários de fincas, y empezan a vivir en las montañas. Con la llegada de los proyectos de "reforma agrario" del gobierno militar de mediados de 1960, sus tierras están sujetas a expropiación por el estado de Minas Gerais. Desde entonces, el Xakriabá buscar el apoyo de la FUNAI, que a su vez inicia el proceso de (re) conocimiento de su indianidad. Fue un camino violento para lograr la demarcación de su territorio, muchos fueron amenazados por los agricultores locales, que culminó en la masacre de un jefe indigena y su familia en 1987. Este trágico episodio movilizó a los medios de comunicación nacionales e internacionales, finalmente, llevar a la demarcación de la primera etapa de sus tierras. En el año 2000 marcó la segunda etapa. Sin embargo, sigue reclamando el acceso al río, lugar ancestral de unión de su pueblo, donde muchos se resisten. Después de este breve análisis de la historia de los Xakriabá, podríamos preguntar: ¿Lo és que muchos indios de las tierras del interior de Brasil ha passado situaciones similares, especialmente las naciones emergentes del Noreste? ¿Ha tenido también emigracion de tierras fértiles para otras donde los recursos son menos favorables, bajo la presión de los colonos? Las preguntas para futuras investigaciones.

Palabras clave: Território; Xakriabá; Rio São Francisco.


ABSTRACT

Introduces elements of the history of the indians Xakriabá trought oral accounts from villagers in the municipality of São João das Missões, Texas. The central questions of this research are: How was the contact betwen Xakriabá and the settlers? What were the milestones that are in memory of the people? What were the achievements? For this investigation we adopted the use of life history as a technical approach to the respondents, applied in November 2011. As support material was used maps, historical documents, theses, dissertations and books. The difference of this approach is in the products generated: illustrations in the form of maps, landscape transect profiles (pathway) and chronology of events. The reports provide information that Akwen-Xakriabá, also known as Caboclos do Senhor São João, lived at the river San Francisco, where they were expelled primarily due to wars with the pioneers in the late seventeenth century. Then in the eighteenth century, after the settlers support the expulsion of indians Cayapó, and deploy a Jesuit mission in their territory receive land in the form of "gift". In the years that followed were amalgamating with black and white farmers until the late nineteenth century by farmers are pressed, and start living in the mountains. With the arrival of the projects of "agrarian reform" of the military government in the mid-1960s, their lands are subject to dispossession by the state of Minas Gerais. Since then, the Xakriabá seek support from FUNAI, which in turn starts the process of (re)cognition of the indianness of the Caboclos. It was a violent path to achieve the demarcation of their territory as indigenous, many leaders were threatened by local farmers, culminating in the massacre of a chief and his family in 1987. This tragic event mobilized national and international media, finally bringing the demarcation of the first leg of their lands. In 2000 it marked the second sentence. But, still claiming access to the River, ancestral binding site of his people, where many people resist. After this brief analysis of the history of Xakriabá, we might ask: Would many Indians of the Brazilian backlands through similar situations, especially the emerging nations of the Northeast? Did they also migrated to the fertile land where resources are less favorable, under pressure from settlers? Questions for further research.


Keywords: Territory, Xakriabá, São Francisco river


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Artigo originalmente apresentado no II CIAEE - Congresso Iberoamericano de Arqueologia, Etnologia e Etno-história, organizado pela UFGD, e que ocorreu no campus de Dourados, Faculdade de Ciências Humanas, em 2012.

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Clique aqui para baixar o material apresentado no evento.

Reparação Étnico-Racial: Importância dos mapas etno-históricos no conteúdo escolar

Clique aqui para acessar, a partir de nossa base de dados, o artigo original - em español - publicado nos anais do 14º Encuentro de Geógrafos de América Latina - 2013, Lima, Peru. Ou acesso-o aqui diretamente no sítio do XIV EGAL.



RESUMO

Apresento instrumentos da educação escolar nacional brasileira que buscam reparar injustiças cometidas junto aos diversos povos nativos, tanto pelo Estado como pelos seus cidadãos, no decorrer da história. Faço uma breve avaliação da legislação sobre a temática e o papel do material didático. Depois, enfoco o uso de mapas etno-históricos como instrumentos de transmissão de informações necessárias para essa reparação étnico-racial. Como exemplo, explano sobre o processo de colonização do Brasil Central e a importância de se esclarecer junto aos educandos não-indígenas – por meio de mapas e atlas histórico-geográficos – os fatos que levaram a hegemonia luso-brasileira na região, em detrimento da redução dos povos nativos. Estes fatos contribuirão na formação crítica dos estudantes, compreendendo a origem dos conflitos fundiários entre índios e fazendeiros, e possibilitando o respeito às etnias formadoras do país.
Palavras-chave: Educação, indígena, material didático, cartografia, Brasil Central.


RESUMEN
Presento instrumentos de enseñaza brasileña que buscan reparar las injusticias cometidas com los diversos pueblos indígenas, tanto por parte del Estado y de sus ciudadanos, a lo largo de la historia. Brevemente reviso la legislación sobre el tema y el papel del material didáctico. Luego me centro en el uso de mapas etno-históricos como herramientas para la transmisión de información necesaria para dicha reparación étnico-racial. Como ejemplo, explano sobre el proceso de colonización del Brasil central y la importancia de aclarar com los estudiantes no indígenas – a través de mapas y atlas histórico-geográficos – los hechos que llevaron a la hegemonía portuguesa-brasileña en la región, com la reducción de los pueblos indígenas. Estos hechos contribuyen em la formación crítica de los estudiantes, incluyendo el origen de los conflictos de tierras entre los indígenas y los agricultores, y permitir el respeto de los grupos étnicos del país.
Palavras clave: Educación, indígena, materiales de enseñanza, cartografía, Brasil Central.



INTRODUÇÃO

            Durante quase cinco séculos, no Brasil, apenas se valorizou o conhecimento e filosofia advindos do continente europeu, devido a colonização lusitana. Muitos povos foram forçados a contribuírem na formação deste novo país por meio de trabalho escravo, usurpação de suas terras e aproveitamento de seus conhecimentos e tecnologias alimentares, medicinais, geográficos, dentre outros. Estes grupos sociais eram constituídos, principalmente, de etnias indígenas e africanas.
            Os povos indígenas, nestes cinco séculos de história, resistiram a política de genocídio, etnocídio ou integração forçada a uma nova etnia nacional. O ideário de construção de um Estado-nação atropelou qualquer diferença étnico-racial existente na sociedade, e prezava para a formação de um povo miscigenado, mestiço, onde o ancestral indígena figurava apenas no passado histórico como antigo povoador da terra, em vias de desaparecer do continente.
            O conteúdo escolar no Brasil durante muito tempo colocou o indígena como uma figura primitiva, atrasada, longe da realidade moderna, e que tendia a extinção. As imagens positivas traziam o nativo como um ente mitológico, épico e puro, que apenas ilustrava a fantasia da raiz de uma nação.
            A política educacional negava as diferenças étnicas do país, seja na educação formal, seja na educação promovida junto aos povos, efetuada principalmente por missionários religiosos que faziam com que os índios se transformassem em algo diferente do que eram. Neste processo, a instituição da escola entre grupos indígenas serviu de instrumento de imposição de valores alheios e negação de identidades e culturas diferenciadas (BRASIL, 2001).
O pluralismo étnico, presente no país, apenas recentemente foi reconhecido pelo Estado através de sua última Constituição Federal (CF), promulgada em 1988 e vigente desde então. Onde, por meio do titulo VIII (da ordem social), capítulo VIII (dos índios), mais especificamente no artigo 231, reconhece “aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”. O artigo 232, por sua vez, elimina a figura da tutelagem indígena exercida pelo Estado até então (BRASIL, 1988).
Além desse capítulo exclusivo aos índios, o § 1º do artigo 215 da CF, integrante do capítulo III (da educação, da cultura e do desporto), prevê que “o Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”. O § 3º do referido artigo também cria a figura do Plano Nacional de Cultura, que deverá conduzir a “valorização da diversidade étnica e regional”. O artigo 216 que trata do patrimônio cultural brasileiro também remete a diversidade étnico-racial do país (BRASIL, op cit.).
Antes da atual CF, não havia base legal que sustentasse uma afirmação étnica ou racial, levando os brasileiros afro-descentes ou indígenas à marginalização enquanto grupo distinto da prevalência branca e euro-descendente.
No entanto, para uma regulamentação completa do direito indígena do ponto de vista legal, se faz necessário a sanção do novo Estatuto dos Povos Indígenas, em discussão no Congresso desde 1991, e que deverá substituir o já ultrapassado Estatuto dos Índios (Lei 6.001/73). Este que é recheado de termos e conceitos pejorativos e preconceituosos, como, por exemplo, o de que o indígena está em um estado primitivo cujo destino será a integração à sociedade nacional. Idéia presente desde os tempos da colonização, e que só agora, no indigenismo moderno, é tida como ultrapassada. Em seu lugar pensa-se no protagonismo ou autonomismo dos povos indígenas, onde cada vez mais as próprias etnias decidirão sobre seus destinos sem a necessidade de interlocutores alienígenas (R. SANTOS, 2012).
            A partir do reconhecimento constitucional, muitas pessoas que antes tinham receio de se afirmarem índios – e também negros – passaram a fazê-lo, transformando a cara dos resultados censitários do país. Muitos povos indígenas passaram a “ressurgir” – bem como pessoas de cor preta passaram a se assumir enquanto tal.
            Em relação a questão indígena, a Tabela 1 apresenta o resultado dos últimos censos demográficos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão oficial de contagem da população brasileira.

Tabela 1. Evolução da população indígena de 1991 a 2010.

1991
2000
2010
Variação de 1991 a 2010
não-indígena¹
145.986.780
167.932.053
189.931.228
30,1 %
indígena
294.131
734.127
817.963
178,1 %
não declarou
534.879
1.206.676
6.608
-98,8 %
TOTAL
146.815.790
169.872.856
190.755.799
29,9 %
         Adaptado de IBGE (2012).                                     ¹ inclui brancos, pretos, pardos e amarelos

Os dados do IBGE revelam que a população brasileira em 1991 era de 146,8 milhões de pessoas, atingindo 190,7 milhões em 2010, um crescimento de 29,9%. No mesmo período, a população auto-declarada indígena foi de 294,1 mil para 817,9 mil, um crescimento de 178,1%. A este resultado podemos inferir um aumento na taxa de fecundidade das mulheres indígenas e melhoria da saúde da população, mas também, acrescenta a isso o fenômeno do “ressurgimento” étnico de povos indígenas, principalmente no nordeste brasileiro, onde pessoas que antes não se declaravam índios devido a diversos fatores (principalmente a discriminação pela sociedade envoltória), passaram a fazê-la, pois

as modificações por que passa a região [nordeste], a presença de agências indigenistas ou missionárias que apoiam as populações indígenas, a reivindicação da garantia das poucas terras de que ainda dispõem ou da recuperação das terras perdidas, têm propiciado a grupos que escondiam, devido às perseguições do passado, sua identidade indígena, que voltem a assumi-la. Desse modo, o Nordeste é palco de um drama em que etnias se desdobram, se fundem, ressurgem. (MELATI, 2011, p. 05)


Corroborando com essa hipótese há outro dado curioso presente no censo do IBGE: em 1991, 534,8 mil pessoas não declararam sua cor/raça; essa mesma questão foi negada ser respondida por mais de 1,2 milhões de pessoas em 2000; caindo para menos de sete mil em 2010.
Isso pode estar relacionado, ainda, às políticas de reparação étnico-racial que passaram a ser oficializadas no país nos últimos anos, como o sistema de cotas e a implantação de uma história crítica no currículo escolar do ensino básico, contribuindo para que mais pessoas afirmem a sua identidade de indígena ou afro-brasileiro.
A partir disso, surge o seguinte problema: o fortalecimento de um conteúdo histórico que apresenta a violência sofrida pelos índios no processo de colonização do país seria uma política eficiente? Qual o papel do material didático nessa política de educação reparadora? Como os mapas poderiam contribuir para a reparação das injustiças sofridas pelos povos indígenas?
Acredito que a eficiência de uma política educacional direcionada a todos os brasileiros, valorizando a história dos povos/raças que contribuíram no processo de formação do país se faz urgente e necessária, seus resultados mais efetivos serão à longo prazo – como grande parte das políticas de educação – mas alguns benefícios já são sensivelmente perceptíveis, principalmente através de mudanças nos instrumentos legais.
O material didático é fundamental nesse processo, mas não é exclusivo, deve acompanhar uma formação crítica do quadro docente do ensino básico que incorpore a importância da reparação das injustiças sofridas pelas diversas etnias que formaram o país.
Os mapas, por sua vez, podem ser usados como ferramentas que demonstrem onde estavam e para onde foram os povos nativos sobreviventes, e como se deu o avanço colonial. Esclarecendo, assim, as raízes de muitos conflitos fundiários atuais, como os existentes na fronteira entre o avanço agropecuário e os territórios indígenas, bem como trazendo uma reflexão aos educandos sobre a questão do domínio, posse, localização e extensão das terras dos povos originários.
O presente texto traz elementos que buscam contribuir no entendimento dessa problemática, especialmente no que tange a educação formal à população não-indígena. Não será focado o trabalho de educação junto aos povos indígenas, que também é de vital importância para o sucesso dessa reparação.

A reparação histórica na legislação educacional brasileira

Como já posto, a Constituição Federal foi o grande marco para a reparação das injustiças cometidas aos povos nativos. O § 1º do artigo 242 prevê que “o ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro”. Ou seja, a carta-magna do Brasil estabelece que o conteúdo da educação escolar dos brasileiros deverá estar a favor dessa reparação étnico-racial (BRASIL, 1988).
De uma forma mais específica, a Lei 9.394/96 – Diretrizes de Bases da Educação (LDB) – conta com dispositivos que obrigam incluir o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena, graças a redação dada pela Lei 11.645/08, que acrescentou o Art. 26-A à LDB:

Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras (BRASIL, 1996, Art. 26-A, incluído pela Lei 11.645/08).


Além dessa premissa, a Política Nacional de Educação – Lei 10.172/01 – também estabelece que a educação escolar brasileira tenha como um de seus objetivos e metas:

Promover a correta e ampla informação da população brasileira em geral, sobre as sociedades e culturas indígenas, como meio de combater o desconhecimento, a intolerância e o preconceito em relação a essas populações (Brasil, 2001, item 9.3, subitem 10).


Para que essa prerrogativa tenha êxito, será necessário capacitar professores aptos a ministrar aulas de história, literatura e arte indígena e afro-brasileira na educação básica; além de dispor de material didático que trate dessa temática.
A formação do corpo docente da educação escolar tem como diretriz prevista na PNE a inclusão das etnias nos programas de formação, além de ter como um de seus objetivos e metas:

Incluir, nos currículos e programas dos cursos de formação de profissionais da educação, temas específicos da história, da cultura, dos conhecimentos, das manifestações artísticas e religiosas do segmento afro-brasileiro, das sociedades indígenas e dos trabalhadores rurais e sua contribuição na sociedade brasileira (BRASIL, 2001, item 10.3, subitem 21).


Assim, para que esses pontos sejam efetivados, será necessário que as universidades formadoras de professores do ensino básico, especialmente os cursos de licenciatura em pedagogia, história, letras e artes, abordem a questão afro-brasileira e indígena, promovendo pesquisas que aprofundem o conhecimento a respeito desses grupos étnico-raciais. A antropologia será um grande contribuinte para esse propósito.
Evidente que estas questões não deverão ficar exclusivamente a cargo dessas disciplinas citadas, pelo contrário, a transdisciplinaridade, abarcando a filosofia, ciência e tecnologia dos povos indígenas e afro-brasileiras, serão fundamentais para que, no futuro, haja mais equidade social entre as três matrizes étnico-raciais que constituíram o Brasil.
A PNE apresenta, ainda, como um dos objetivos e metas no ensino fundamental:

Manter e consolidar o programa de avaliação do livro didático criado pelo Ministério de Educação, estabelecendo entre seus critérios a adequada abordagem das questões de gênero e etnia e a eliminação de textos discriminatórios ou que reproduzam estereótipos acerca do papel da mulher, do negro e do índio (BRASIL, 2001, Item 2.3., subitem 11).


A citada Lei sinaliza como deve ser o conteúdo de uma das essenciais ferramentas da educação básica brasileira: os livros didáticos. Sendo necessário um conteúdo crítico. Além disso, os meios de comunicação educativos, em especial a televisão, também devem se adequar à diversidade étnica do país, eliminando estereótipos e preconceitos:

Promover imagens não estereotipadas de homens e mulheres na Televisão Educativa, incorporando em sua programação temas que afirmem pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, assim como a adequada abordagem de temas referentes à etnia e portadores de necessidades especiais (BRASIL, 2001, item 6.3, subitem 7).


            Dessa forma, a atual legislação brasileira contempla a reparação das injustiças étnico-raciais, sendo a educação escolar dos não-índios uma importante estratégia dessa reparação. No entanto, a implantação dessa política educacional é que será o desafio. Para isso, além da formação de educadores com uma visão crítica sobre a história do Brasil, algumas ferramentas didáticas serão necessárias.

O mapa como instrumento didático de reparação etno-histórica

Laproni & Prieto (2011) apontam para a “necessidade de se implementar um conjunto de ações centradas, por um lado, no reconhecimento dos povos indígenas como parte da cultura nacional e, por outro, como grupo com as suas particularidades”, conforme consta no documento final da Conferência Nacional de Educação 2010. Além disso, o referido documento destaca a necessidade de promover o estudo dos povos indígenas nas escolas e a elaboração de propostas pedagógicas e materiais didáticos que reflitam as suas realidades (CONAE, 2010).
            As autoras citadas afirmam, ainda, que será necessário “garantir a presença da concepção de educação inclusiva, na formação inicial e continuada de professores, o que pressupõe a incorporação do respeito às diferenças e o reconhecimento e a valorização da diversidade”.
CONAE (op cit.) também indica que é necessário garantir o estudo/aprofundamento da história da África e culturas afro-brasileiras, cultura indígena e diversidade étnico-racial, conforme prevê a LDB. Mas como fazer isso?
Cada vez mais surgem ferramentas didáticas que tratam de uma forma crítica as questões indígena e negra no Brasil, principalmente em relação a história, como os livros didáticos de Schmidt (2005) ou Prezia e Hoonaert (2000). Também há autores indígenas como Daniel Muduruku e Olívio Jekupé, que possuem obras adotadas pela rede de ensino brasileira. Além de livros, outras mídias podem ser utilizadas como material didático, por exemplo os vídeos-educativos do projeto Vídeo nas Aldeias do Ministério da Educação, que possuem diversas produções cinematográficas dirigidas e produzidas por cineastas indígenas.
Matérias de jornais como o Porantim (editado pelo Conselho Indigenista Missionário) ou revistas como a Caros Amigos (da Editora Casa Amarela) e a Brasileiros de Raiz (Editora RRCK), também podem ser utilizadas em sala-de-aula para que o educando entenda o que se passa na fronteira entre o avanço agrícola e os povos indígenas. Além de entender o contexto do índio urbano, e outras situações onde há discriminação ao nativo.
            Os mapas e atlas também são importantes ferramentas didáticas, pois podem apresentar elementos geográficos da paisagem atual ou histórica. Uma ilustração vai além do idioma e pode se comunicar com pessoas de diversas culturas e línguas. Pode transmitir informações diretas e claras e apresenta grande facilidade de entendimento pelo interlocutor.
            Uma coleção de mapas, ou melhor, um atlas que apresente a evolução de deslocamento de grupos indígenas, juntamente com o surgimento de currais, povoados, freguesias e vilas, poderá ser elucidativo para se entender como se deu a expansão da colonização e retração da ocupação nativa, podendo inferir direções ou destinos.
O atlas elaborado por Anjos (2005) é uma inédita iniciativa no campo da educação para reparação étnico-racial no Brasil. Há ainda o atlas histórico de Jofilly (1998), que traz além de mapas, frisas-cronológicas, gráficos e resumo de importantes fatos que marcaram a história do país envolvendo, inclusive, povos nativos ou africanos. No entanto, ambos tratam o Brasil como um todo, não se debruçando em regiões ou casos específicos, deixando uma importante lacuna que, quando preenchida, poderá amenizar os conflitos localizados entre índios e a sociedade nacional.
A importância de uma educação às novas gerações é estratégica para o país. Caso os filhos dos neo-colonizadores continuarem o avanço sobre os povos originários, muitas outras tragédias ocorrerão. É necessário educá-los, mostrando como se deu o avanço agropecuário em sua região, onde estavam os indígenas. Quem são os invasores?
Mostrar que os índios, assim como todos os brasileiros, devem ser respeitados e podem conviver com os benefícios da humanidade, como o uso da tecnologia e bens de consumo. Mostrar que não pararam no tempo, assim como os não-índios, a humanidade sempre esteve em movimento, em modificação. Não vemos mais nas ruas pessoas trajando como os navegadores portugueses da era de Cabral, então porque os índios haveriam de estar nus como a séculos atrás?

A importância de um mapa etno-histórico do planalto central

            Todo o território brasileiro era ocupado por populações indígenas antes da chegada dos colonos europeus, a população nativa girava em torno de cinco milhões de indivíduos, pertencentes a milhares de etnias, falantes de outro milhar de línguas (RIBEIRO, 1995, p. 151).
Algumas regiões eram mais povoadas que outras. O cerrado, por exemplo, era habitado por horticultores de regiões secas, que viviam basicamente do cultivo de milhos e favas e, principalmente, de caça e pesca. Estes nativos pertenciam em sua maioria à família lingüística Jê, como os Akwén (Xavante, Xerente e Xakriabá) e os Kayapó (Panará e Kreen-Akarore), mas também haviam outras nações indígenas, como os Ãwá (Canoeiros), da família Tupi-Guarani, habitante das matas encravadas no interior do bioma (PREZIA; HOONAERT, 2000).
            O Mapa Etno-histórico de Curt Nimuendadjú (IBGE, 1987) indica a localização dos nativos grupos indígenas na época da colonização, menciona inclusive o último ano em que foi registrada alguma informação sobre determinada etnia na referida localidade. Mas, devido a sua escala nacional, é muito genérico, apresenta grandes áreas vazias, dando a impressão de que não haviam populações nativas em grande parte do Planalto Central. Mas será mesmo que estas áreas eram despovoadas? Esta hipótese é pouco provável em se tratando de uma região rica em rios piscosos e caça de porte, como o tamanduá, o veado, a anta, a ema, dentre outros.
            O bandeirante, instrumento de colonização da coroa portuguesa, enfrentou o nativo sertanejo, escravizou, garimpou e repovoou a terra, eliminou culturas, criou outra. Alguns povos deslocaram-se sertão à dentro e guerrearam entre si. Ao mesmo tempo um contingente constituído de brancos, pretos e mestiços (mulatos e mamelucos) frutos da miscigenação que vinha ocorrendo desde a ocupação do litoral, parte para o sertão “despovoado”, em busca de riqueza (ABREU, 1963).
Abreu (op cit.) sinaliza que essa nova atividade econômica estabelecida nos sertões trás como consequência a mudança do eixo econômico da colônia: sai do nordeste e vai para o centro-sul, em virtude do declínio da produção açucareira na primeira e ascensão das descobertas auríferas dos bandeirantes paulistas. O cerrado passa a ser colonizado efetivamente, milhares de portugueses, mamelucos e escravos são deslocados para a região das minas da Capitania de São Paulo. Esse boom populacional faz com que o território da capitania fosse dividido, surgem então Minas Geraes, Mato Grosso e Goyáz.
            Em menos de cem anos (durante o século XVIII) a região central do Brasil transforma-se de paisagem natural povoada por nativos, para a principal fonte de renda da coroa portuguesa, alterando para sempre o destino do país. A movimentação ocorrida no final do período colonial trouxe muitas transformações na paisagem do Planalto Central, diversas trilhas e caminhos foram estabelecidos, ligando os grandes centros urbanos da época à região dos garimpos, como a Estrada Colonial que ligava a cidade de Salvador (então capital do Brasil) à cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade (antiga capital do Mato Grosso) ponto mais ocidental dos domínios portugueses na América do Sul da época (BERTRAND, 1999).
            Além disso, minas, engenhos, fazendas, povoados, aldeias, pastagens, roças, matas, capoeiras... iam surgindo e desaparecendo, numa movimentação constante, impulsionada pelo apogeu e decadência da atividade minerárias da região. Algumas perduram até os dias de hoje, são importantes cidades do estado de Goiás, como Pirinópolis, Formosa e Cavalcante, outras restam apenas ruínas.
            Poucos foram os autores que se importaram em representar essa trajetória colonial sobre os indígenas na região, mais raros ainda são os mapas que tratam dessa movimentação. Por isso a importância de um material cartográfico que traduza essa transformação da paisagem nativa nas atuais fazendas e cidades do Brasil Central.
            Faz-se necessário informar ao brasileiro, em idade escolar, que está em fase de formação enquanto cidadão, de que seu território não nasceu como é hoje, foi gradativamente sendo modificado, deixando marcas que podem explicar os motivos que levaram a atual configuração, seja ela físiográfica, seja cultural ou econômica.
            Ao cidadão brasileiro é fadada à grande mídia a sua formação de opinião, e se não tiverem uma educação crítica na idade escolar, dificilmente observarão nas entrelinhas de notícias como: “índios invadem fazendas”. Qual a verdadeira vítima do avanço agropecuário no país, que vem numa curva ascendente desde o século XVI?
            Dessa maneira, um atlas etno-histórico do Planalto Central repassará ao estudante informações de história e geografia, conjuntamente, que poderão servir tanto para o ensino básico, como para estudos mais aprofundados de antropologia, arqueologia, sociologia, ou para o desenvolvimento de projetos de resgate cultural, turístico, dentre outros. Em minha dissertação de mestrado o leitor poderá encontrar informações e mapas que poderão contribuir na elaboração desse material didático (cf. R. SANTOS, 2013).
            Poderá ser utilizado como instrumento capaz de subsidiar a verificação in locu do estado atual dos elementos que outrora povoaram e foram importantes para a configuração do país.

CONCLUSÃO

A educação é um instrumento fundamental para a transformação da realidade social. O conteúdo do que é passado às novas gerações será o pensamento dos futuros brasileiros, eleitores, funcionários públicos, operários, agricultores, empresários, professores, sejam eles índios ou não. Isso demonstra a sua responsabilidade para a formação das novas gerações.
Um conteúdo escolar de reparação étnico-racial, em especial nas artes e história, é previsto em nossa legislação. Conta com o respaldo legal para ser efetivado.
Alguns autores de material didático já estão se debruçando nesse novo desafio de tornar claro aos educandos os erros e injustiças cometidos por nossos antepassados europeus. Somado a isso está a formação dos educadores.
A resistência dos povos indígenas, com seu progressivo massacre e recuo, abriu espaço para a entrada violenta de novos habitantes, dando condições para a formação do país como conhecemos hoje. Estes fatos devem ser do conhecimento de todos nós brasileiros, devemos compartilhar esta história, para que possamos entender os nossos conflitos e superá-los, evitando mais etnocídio.
Mapas demonstrando essa movimentação, apontando as áreas originárias tanto dos povos que desapareceram como dos que resistiram, serão essenciais para a conscientização da opinião pública dos cidadãos do futuro, inclusive dos tomadores de decisão.
Todo cidadão tem o direito de conhecer a realidade dos fatos que levaram a sua existência, para que os erros cometidos por seus ancestrais não se repitam, e possam ser reparados na construção de uma sociedade mais justa e humana.

BIBLIOGRAFIA

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