Mostrando postagens com marcador geossistemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador geossistemas. Mostrar todas as postagens

Análise geográfica da relação socioambiental em unidades de paisagem da APA Capivari-Monos no ano de sua criação

Rodrigo Martins dos Santos
Leda Velloso Buonfiglio
Julio Takahiro Hato
Avelino Los Reis
Tatiana Cyro Costa



RESUMO:  Identifica e analisa  unidades de  paisagem na  Área de Proteção Ambiental Municipal Capivari-Monos, extremo sul do município de São Paulo no ano de 2001, época de criação dessa área protegida.  Procura contextualizar a atmosfera socioambiental em que a referida unidade de conservação foi criada, cujo objetivo, dentre outros, foi o de proteger uma extensa área rural do município onde há presença da maior densidade de nascentes e cursos d‟água que alimentam mananciais de abastecimento da região metropolitana. Analisando as paisagens homogêneas  foi possível traçar um diagnóstico perceptivo da realidade socioambiental de cinco localidades, com base na aplicação de questionários e observações diretas. As conclusões são de que há uma discrepância da qualidade ambiental e nível de desenvolvimento social nessas localidades, o que atinge diretamente o bem-estar de quem vive ou depende direta ou indiretamente delas. 

Palavras-Chave: Análise Geográfica da Paisagem; Área Protegida; APA Capivari-Monos.



Modelo de análise da paisagem sob o prisma da escola da percepção ambiental. Org. os autores.


RESUMEN: Identifica y analiza las unidades de paisaje en el Área Municipal de Protección Ambiental Capivari-Monos, extremo sur de la ciudad de São Paulo, en el año 2001, el momento de la creación de esta área protegida. Contextualiza la atmósfera socioambiental en el que la dicha áreas protegidas fue creada, cuyo objetivo, entre otros, era proteger a una amplia zona rural del condado en donde hay presencia de una mayor densidad de manantiales y cursos de agua que alimentan las corrientes de la región metropolitana. Con el análisis de las paisajes homogéneas fue posible establecer un diagnóstico perceptivo de la realidad socioambiental de cinco localidades por medio de cuestionarios y observaciones directas. Las conclusiones son que hay una discrepancia en el nivel de la calidad del medio ambiente y el desarrollo social en estas localidades, lo que afecta directamente el bienestar de aquellos que viven o dependen directa o indirectamente de ellos. 

Palavras-Clave: Análisis Geográfica del Paisagem; Área Protegida, APA Capivari-Monos.

 
ABSTRACT:  Identifies and analyzes the landscape units in Capivari-Monos  Municipal Ladscap Protection Area, extreme south of City of São Paulo, in the year 2001, the time of creation of this protected area. To contextualize the environmental atmosphere wherein  its protected area was created, whose goal, among others, was to protect a large rural area of the county where there is presence of higher density of wellsprings and waterways that feed streams of supply metropolitan region. Analyzing the homogeneous landscapes was possible to draw a perceptive diagnosis of the socio-environmental reality of  five localities based on questionnaires and direct observations. The conclusions are that there is a discrepancy in the level of environmental quality and social development in these localities, which directly affects the well-being of those who live or depend directly or indirectly from them. 

Keywords: Geographic Landscape Analysis; Protected Area; APA Capivari-Monos.



[continue lendo... 
Clique aqui para baixar o artigo na íntegra a partir de nossa base de dados].

__________
Clique aqui para acessar o artigo original, publicado na revista Terceiro Incluído - ISSN: 2237-079X, v. 3, n.2, jul./dez, 2013, p. 11-39, editada pelo Instituto de Estudos Sócio-Ambientais, da Universidade Federal de Goiás.

ANÁLISE AMBIENTAL INTEGRADA - A teoria dos Geossistemas

Artigo originalmente apresentado no PLURIS 2005 - 1.º Congresso Luso-Brasileiro para o planejamento urbano regional integrado sustentável, organizado pela Uminho (de Braga - Portugal), Unesp e USP, e que ocorreu no campus da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, em 2005.

Clique aqui para baixar o artigo de nosso banco de dados. Ou clique aqui para acessar os anais do Congresso PLURIS 2005 no repositório da Uminho, Braga, Portugal.

Clique aqui para baixar o painel que resume o artigo.


RESUMO

Apresentação da Teoria dos Geossistemas como metodologia de Análise Ambiental Integrada e sua aplicabilidade no âmbito do planejamento ambiental e gestão do território. Uma ferramenta de compreensão da dinâmica sócio-ambiental da paisagem, tendo como fundamento a identificação da inter-relação entre seus elementos (físicos, bióticos e antrópicos). Também é sinalizado o caráter transdisciplinar da pesquisa ambiental, ou seja, a importância que o pesquisador deve conceder a busca de um conhecimento holístico, diferentemente das metodologias usuais que setorizam a pesquisa ambiental em meios: físico-biótico e sócio-econômico, e que produzem simples corografias, onde cada pesquisador constrói um retalho do produto final, comumente encontradas em pesquisas ambientais multidisciplinares.


A TEORIA DOS GEOSSISTEMAS

Essa teoria “faz parte de um conjunto de tentativas ou de formulações teórico-metodológicas, surgidas em função da necessidade de lidar com os princípios de interdisciplinaridade, e síntese, com a abordagem multiescalar e com a dinâmica, fundamentalmente, incluindo-se prognoses a respeito desta última” (Rodrigues, 2001).




Baseia-se na ideia de que no Espaço Geográfico existe uma interação dinâmica entre os fatores físico-ecológicos, bióticos e antrópicos, cuja interação produz Unidades de Paisagem (+/- homogêneas), ou seja, fragmentos espaciais que apresentam certa homogeneidade, fruto da interação dos diversos fatores.


MODELOS ANALÍTICOS AMBIENTAIS INTEGRADOS

Um modelo Analítico Ambiental Integrado, obtido com através da abordagem geossistêmica, pode ser apresentado na forma de um mapa de síntese, como o mapa de Unidades de Paisagem, ou através de um modelo em perfil, o Transecto da Paisagem. O artigo e o painel apresentam alguns exemplos desse tipo de modelo. Mas como construir um modelo desses? A seguir uma proposta metodológica:



CONSIDERAÇÕES

Nenhuma teoria metodológica é capaz de exprimir a realidade do Meio Ambiente, tampouco a Teoria dos Geossistemas. Sua contribuição mais do que tentar criar um quadro ambiental da realidade, é possibilitar ao pesquisador um contato com diversos elementos do meio, onde ele deve ir buscar em outras áreas e em outros ares.

Ou seja, ao invés de se debruçar sobre um determinado fator/aspecto ambiental, o pesquisador com o uso da Teoria dos Geossistemas, procura identificar as relações entre os diversos fatores/aspectos ambientais, trazendo a possibilidade de um maior entendimento do Meio Ambiente e sua dinâmica física, biótica e antrópica.


__________
Continue lendo... acesse o artigo ou o painel:

clique aqui para baixar o artigo e ter acesso ao seu conteúdo na íntegra.

clique aqui para baixar o painel que resume o artigo.


Geografia Humana de Colônia Paulista e Ilha do Bororé (bairros de Parelheiros e Grajaú, cidade de São Paulo)

Trecho do texto publicado em 2005

OCUPAÇÃO DAS TERRAS E POPULAÇÃO


1. Os Caminhos



Sede de sítio na antiga Estrada Velha da Colônia, provável Caminho de Conceição de Itanhaém.
Foto: Rodrigo Santos, 2003.

Poucos são os registros de ocupação efetiva do território antes da implantação da Colônia Alemã na região. Segundo Zenha (1977) não há nenhum registro de aldeamentos indígenas pré-Cabralinos na região localizada entre os afluentes Bororé e Taquataquissetiba (hoje Taquacetuba), do Rio Grande, região também conhecida por Bororé ou Ilha do Bororé como foi chamada após a construção da Represa Billings em 1926, projetada pelo Engenheiro estadunidense Asa White Kenney Billings, para a companhia The São Paulo Trainway, Light and Power Company Ltd.
(...)
No entanto, a hipótese mais provável é que a construção dessa casa se deu no final do século XIX, por uma família descendente de colonos alemães (os Reimberg). Cujo apelido do chefe da família – seu Periquito – também denominou a casa e a estrada que passava em sua frente, a antiga Estrada do Curucutu (atual Av. Kayo Okamoto). Atualmente [2005] esta casa encontra-se em processo de tombamento pelo Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria da Cultura do município.



Casa de taipa de pilão abandonada, construída por volta de 1870 na antiga estrada do Curucutu entre os bairros de Bororé e Colônia. Seu provável construtor foi um descendente dos alemães da Colônia, da família Reimberg.
Foto: Rodrigo Santos , 2003.



2. A Colônia Alemã 



Cemitério de Colônia Paulista, Parelheiros, São Paulo. Primeiro cemitério protestante do Brasil, construído em 1840.
Foto: Rodrigo Santos, 2003.


Apesar de servir de passagem entre o litoral e o planalto, a vasta região situada entre o ribeirão Cocaia e a Escarpa da Serra do Mar, poderia possuir alguns poucos caboclos e indígenas espalhados pelo território, mas somente será ocupada efetivamente com a implantação da Colônia Alemã entre os ribeirões Taquacetuba e Vermelho, numa feição geomorfológica denominada de Cratera da Colônia, um astroblema formado pelo choque de um meteoro a cerca de 35 milhões de anos (BELLENZANI, 2000) que distava seis dias de burro/mula a partir de Santo Amaro (GARANHUNS, 1977).
(...)
Mesmo após diversas tentativas dos alemães em fazer cumprir o que estava previsto, pois o diretor e a província não permitiam que procuradores dos colonos chegassem ao Imperador, alguns decidem se assentar no local. Porém com pouco sucesso, dos 229 indivíduos (62 famílias) contraentes das terras do Sertão de Itaquaquecetuba, em dez anos (1839) somente 157 estavam espalhados por Santo Amaro, em terras fora da Colônia, e em 1847, apenas nove famílias, chegando ao número de quatro famílias três anos depois. Levando Zenha (1950) a dizer que “assim foi a decadência de empreendimento que custou tanto dinheiro e tanto sacrifício. O lugar que deveria transformar-se numa cidade, definhou em tapera com três ou quatro ranchos pobres ao redor de um cemitério”, este conseguido a duras custas, pois grande parte dos imigrantes eram protestantes e não podiam ser enterrados em cemitério católico, tampouco na igreja.


3. Os imigrantes 



Senhora Vitalina Reimberg (80 anos [2003] - in memorian), descendente de alemães da Colônia. Antiga estrada do Curucutu.
Foto: Rodrigo Santos, 2003.

A partir dos alemães, Santo Amaro passa a ser considerado o “celeiro da capital”, sendo o único município da província a produzir batatas, além de fornecer arroz, feijão, milho e mandioca à São Paulo. Também comercializavam no Mercado de São Paulo gado, aves, mucuta (canela e lenha), madeira e carvão. Eles fundaram vilas (Cipó e Parelheiros) abriram estradas, como a antiga estrada de Parelheiros (atual Av. Sen. Teotônio Vilela e Av. Sadamu Inoue), que liga o Rio Bonito ao município de Embú-Guaçú, e que possibilitou a ocupação do vasto sertão que a cercava, regado por inúmeros cursos d’água e povoado pela imensa Mata Atlântica.
(...)
Na Revolução Constitucionalista, foi escalado um destacamento santamarense, e segundo um antigo casal de moradores da região do Bororé, José Antônio Domingues, nascido em 1916 e Amália Guilger Domingues, de 1921, diversas pessoas “fugiam” do alistamento e se escondiam nas matas existentes no local. Ele (seu José) tem avó alemã e avô índio, o que demonstra a miscigenação dos alemães com os nativos; ela é descendente de alemães.Com a Segunda Grande Guerra a Colônia Alemã foi obrigada a mudar seu nome para Colônia Paulista.




Templo budista dedicado a deusa Quan Inn. Colonização extremo-oriental. Cabeceira do ribeirão Cocaia, Grajaú, São Paulo.
Foto: Rodrigo Santos, 2003.


4. O ‘progresso’ e a represa Billings

A região do Bororé localiza-se em território do antigo município de Santo Amaro, anexado à capital paulistana pelo interventor federal no Estado Armando de Salles Oliveira em 25 de fevereiro de 1935 pelo decreto estadual 6.983 (BERARDI, 1981), rebaixando-a a subprefeitura do município de São Paulo, com o administrador nomeado pelo prefeito da Capital.
(...)
Assim, diversas são as modificações no espaço que possibilitaram o avanço urbano-industrial à região de Santo Amaro. A construção da Auto-Estrada (atual Avenida) Washington Luíz em 1928, interligando à capital às áreas das represas, faz surgir residências de alto padrão ao longo da ‘Estrada de Rodagem’, pois era própria para o tráfego de automóveis, símbolo do progresso e da modernidade. Aparecem balneários nas margens das represas. E é construído o Aeroporto de Congonhas: “Época de Ouro à Santo Amaro” como Berardi (1981) a adjetiva, dizendo que “Santo Amaro estava vendo chegar o progresso” (BERARDI, 1981, p. 101). Outras obras como o Autódromo de Interlagos e o bairro jardim de mesmo nome, vieram logo em seguida, em 1930 (PONCIANO, 2001).


5. A industrialização e o crescimento urbano

O decreto estadual que anexou o município de Santo Amaro à Capital do Estado considerava que o motivo pelo qual se deu tal decisão fora em virtude do plano urbanístico da Capital que planejava construir um de seus mais atraentes lugares de recreio, com criação de hotéis, estabelecimentos balneários, cassinos, melhoria dos meios de comunicação. Além do projeto de industrialização da região, aproveitando tanto as facilidades de comunicação (marginais e ferrovias previstas na construção do canal do rio Pinheiros), como a geração de energia elétrica e abundância d’água; tanto que levou o industrial Francisco Matarazzo a montar um loteamento industrial no bairro de Jurubatuba.
(...)
“Em busca de alojamento barato, uma população bastante numerosa escolheu Santo Amaro para residir. A possibilidade de encontrar aluguéis mais baixos ou até mesmo casa própria, com algum sacrifício, surgia com os numerosíssimos loteamentos” (BERARDI, 1981). Assim, o aspecto tipicamente rural e caipira tanto da vila de Santo Amaro como de seu sertão vai dando lugar para o crescimento da grande mancha urbana metropolitana paulista.



Loteamento irregular se expandindo entre a mata. Jardim Noronha, Grajaú, São Paulo.
Foto: Rodrigo Santos, 2003.


6. Os migrantes




Loteamento irregular Jardim Noronha, Grajaú, São Paulo.
Foto: Rodrigo Santos, 2003.

“Como centro dinâmico do país e capital de Estado que concentrava 35,6% da Renda Interna do Brasil em 1969, São Paulo encontrava à frente de um processo de industrialização acelerada, transformando-se num vasto conglomerado populacional de aproximadamente 11 milhões de habitantes, dos quais 96% vivendo em área urbana (projeção feita para 1975)” (MIRANDA, 2002, p. 23).
(...)
Apesar de grande parte das ocupações serem desordenadas temos alguns exemplos de bairros ordenados e que pouco agridem a paisagem e o meio ambiente, um deles é o Shangri-lá, situado no final da Av. Dona Belmira Marin, junto à primeira balsa, que possui áreas verdes e praças protegendo cabeceiras de drenagem e várzeas, suas ruas não são asfaltadas, porem cascalhadas, e os lotes não são totalmente impermeabilizados. Outro exemplo, porém que não se encontra na região estudada, é o Jardim Pinheiros, no Município de São Bernardo do Campo, situado próximo à represa Billings, este bairro iniciou-se indevidamente após a publicação das Leis de Mananciais porém, após a conscientização dos moradores, passou a promover um paisagismo mais ecológico, inclusive no calçamento de ruas e passeios, tal qual no tratamento de seus efluentes líquidos e direcionamento adequado dos resíduos sólidos (coleta seletiva, etc.). Estes São alguns exemplos de ‘Bairros Ecológicos’ que podem ser utilizados como base para o paisagismo de outros com uso das terras e ocupações desordenadas.

_________
Para ver o texto na íntegra, baixe-o aqui.

Clique aqui para acessá-lo diretamente no site da Subprefeitura de Parelheiros - Prefeitura da Cidade de São Paulo

Ou, Clique aqui para baixá-lo de nosso banco de dados. 

Esse material foi adaptado do capítulo 5 da monografia APA Bororé - subsídios a implantação, de 2003.











APA BORORÉ - SUBSÍDIOS A IMPLANTAÇÃO: praticando Geografia com a teoria dos Geossistemas

Trabalho de Graduação Individual (TGI) apresentado ao Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo como parte dos requisitos para a obtenção do título de Bacharel em Geografia.

Autor: Rodrigo Martins dos Santos.

Título: APA BORORÉ - SUBSÍDIOS À IMPLANTAÇÃO: praticando Geografia com a teoria dos Geossistemas.


Palavras-Chave: Análise da Paisagem; Unidade de Conservação - Área de Proteção Ambiental; São Paulo (cidade) - Mananciais; Mata Atlântica; Geossistemas.




Imagem do satélite LandSat7, de abril de 2000, bandas RGB 235, ilustrando a cidade de São Paulo.
Em destaque a localização da então proposta Área de Proteção Ambiental do Bororé (atual APA Bororé-Colônia).



ARQUIVOS COM O TGI

Clique aqui para baixar o TGI completo (formato .pdf).

A versão disponível acima foi revisada pelo autor em outubro de 2013. Para ter acesso a versão original visite o acervo da Biblioteca Florestan Fernandes (FFLCH-USP), chamada T MARTINS, RODRIGO, 2003; ou o acervo da biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), chamada 363.7 M366a.

Há também como baixar a versão original por meio do antigo site¹ do autor:

http://www.geocities.ws/geografeiro/TGI_BORORE.pdf
http://www.geocities.ws/geografeiro/apaborore.html



BANCA EXAMINADORA


Data da Defesa Pública: 12 Dez. 2003



Orientador (in memorian): Felisberto Cavalheiro (Agrônomo, doutor em Manejo do Território). Professor do DG-FFLCH-USP (infelizmente falecido em 18 Jun. 2003).

Orientador (Presidente da banca-examinadora): Jurandyr Luciano Sanches Ross (Geógrafo, mestre e doutor em Geografia Física e livre-docente em Geomorfologia). Professor-titular do DG-FFLCH-USP.

Examinador-interno: José Bueno Conti (Geógrafo, doutor em Geografia Física e livre-docente em Climatologia). Professor-titular do DG-FFLCH-USP.

Examinador-externo: Lúcia de Jesus Cardoso Oliveira Juliani (Geóloga, mestre em Arqueologia e doutoranda em Arqueologia). Geóloga da Prefeitura da Cidade de São Paulo.





APRESENTAÇÃO

A questão ambiental se tornou um dos assuntos mais discutidos pela sociedade, que é refletida tanto no meio acadêmico como no poder público.
A busca pela qualidade de vida, deixou de ser aspirada somente pelo desenvolvimento econômico, principal meta do planejamento estatal brasileiro até a década de 1970. O foco direcionado para a proteção, conservação e manutenção da natureza passou a preocupar o modelo capitalista, principalmente pelo fato de ocorrer uma carência de recursos naturais no futuro ou uma catástrofe de abastecimento ou inundação de cidades por todo o mundo. Água, Florestas, Calotas Polares, passaram a preocupar populações de diversas partes do planeta, levando países a organizarem em 1972 a Conferência de Estocolmo, onde foi-se colocado pela primeira vez o problema ambiental na pauta internacional de problemas globais.
Porém, ao invés de resolver um problema global, isto somente transferio-o de um país para outro, pois diversos países desenvolvidos economicamente passaram a legislar e executar políticas ambientais internas muito duras, levando as maiores poluidoras de seus territórios a se transferirem para países pouco rigorosos quanto à políticas ambientais, pois os países receptores dessas indústrias – como o Brasil - necessitavam de um desenvolvimento econômico, e seus planejadores de grandes projetos de desenvolvimento pouco se importavam pela questão ambiental, visavam o desenvolvimento puramente econômico.
Após a transferência do problema, a questão ambiental foi-se internacionalizando cada vez mais, levando em 1992 diversos países a se encontrarem no Rio de Janeiro para discutir políticas, agora sim, globais de desenvolvimento econômico juntamente com a preservação, conservação ou manutenção da natureza, foi-se então criado um modelo de planejamento que inserisse variáveis tanto econômicas como ambientais, assim desenvolveram o conceito de ‘desenvolvimento sustentável’, pois “a contínua adoção de modelos econômicos inadequados, onde os ciclos vitais e a capacidade de suporte da natureza quase nunca participam como variáveis fundamentais, faz com que as conseqüências sejam cada vez mais danosas, principalmente para o equilíbrio energético e ecológico do planeta” (UNESCO BRASIL, 2000).
Há ainda diversos debates a cerca do que é realmente o conceito de  ‘desenvolvimento sustentável’, porém segundo UNESCO BRASIL (op. cit.), é a adequação do sistema social e o sistema econômico ao sistema ecológico, ou seja, uma conciliação de bem estar social e econômico com a conservação da natureza.
Assim, foi-se então assinado em 1992 um documento denominado de Agenda 21 Global, onde definiram metas para que todos os países aplicassem o desenvolvimento sustentável em suas políticas públicas, trazendo para o planejamento público, finalmente, à questão ambiental entrelaçada à social e à econômica.
Diversos foram os fatores modificados/inseridos às políticas públicas, uma delas foi a idéia da criação de Unidades de Conservação que pudessem conceder usos ao ambiente pelo homem (tradicional ou não) promovendo a preservação/conservação/manutenção da natueraza, assim criou-se o termo Áreas de Proteção Ambiental, no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), colocada neste trabalho como uma alternativa à gestão de usos das terras e dos recursos naturais à áreas com características relevantes para a manutenção energética dos sistemas naturais.
Assim, o presente trabalho pretende analisar a caracterização da Área de Proteção aos Mananciais da Zona Sul do Município de São Paulo definida pela Lei Estadual 1.172/76 (São Paulo, 1976), mais especificamente nos distritos de Parelheiros e Grajaú, com base em seus elementos paisagísticos e diagnosticar quais são as principais funções desses elementos. Foi selecionada essa área devido à posição de intersecção entre a grande mancha urbana da metrópole paulista com a zona rural sul do município.
O principal objetivo é analisar os elementos físicos (clima, solo, morfologia, estrutura), bióticos (fauna e flora) e como se dá a ação antrópica (rural e urbana). A metodologia escolhida para aplicar nesta pesquisa tem como alicerce a Teoria dos Geossistemas em Bertrand (1972), Sotchava (1978), e Monteiro (2000), para se identificar as Unidades de Paisagem (UP’s) existentes na região. Por meio de comparação com outras áreas prognosticamos as tendências evolutivas das Unidades de Paisagem identificadas.
Trabalhamos com o problema de como planejar o desenvolvimento sócio-ambiental da área. A hipótese central que se propõe para resolver este problema é a de discutir propostas que conciliem conservação e desenvolvimento sócio-econômico das populações envolvidas direta e indiretamente; como a proposição da expansão da APA Municipal Capivari-Monos, ou a criação de uma nova APA, desde que observado o modelo de gestão paritário entre sociedade e poder público aplicado na primeira (BELLENZANI, 2000).
Foram observadas as relações e funções discutindo propostas de planejamento que integrem preservação das particularidades das comunidades e do meio ambiente locais com o desenvolvimento da metrópole. Além de contribuir para a divulgação do conhecimento e da consciência sócio-ambiental e se fazer presente como um apoio técnico, científico e humanístico sobre a região, já que não se tem conhecimento de muitos trabalhos acadêmicos dirigidos para as particularidades daquela área.
Por se tratar de um Trabalho de Graduação não aprofundamos o discurso analítico, principalmente quanto ao prognóstico, que poderá ser realizado em trabalhos futuros. O foco se deu principalmente em relação a caracterização dos elementos físico, biótico e antrópico para a identificação das Unidades de Paisagem.
No primeiro capítulo expomos a metodologia aplicada na pesquisa com a forma de análise dos resultados, os materiais e as técnicas de confecção dos produtos gerados neste Trabalho. No segundo capítulo localizamos a área de estudo, e expomos os limites propostos para a Área de Proteção Ambiental.
O Terceiro Capítulo é onde iniciamos as caracterizações, partindo da física ou geo-ecológica, onde são colocados a geologia (estrutura), o clima (processos), a geomorfologia e a pedologia, necessária para a identificação das Unidades Geo-Ecológicas. O elemento biótico é caracterizado no Quarto Capítulo, através da exposição da fauna e flora locais, necessários para a identificação das Unidades Biológicas.
No Quinto Capítulo iniciamos registrando toda a história de ocupação e formação do território e das populações locais, para depois caracterizarmos os Usos das Terras atualmente. Também discutimos um pouco sobre os principais eixos dos fluxos urbanos/rurais, para finalmente caracterizarmos as Unidades Antropogênicas.
O Sexto Capítulo é o principal produto do presente trabalho: as Unidades de Paisagem da área de estudo, fazendo-se uma pequena análise de seu prognóstico.
E finalmente concluímos este Trabalho no sétimo capitulo, colocando as nossas Conclusões Finais.



__________
¹ O controle de alterações do antigo site do autor <http://www.geocities.ws/geografeiro> foi perdido com o encerramento do portal geocities, portanto, não há como alterar as informações postadas lá.