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Vem aí o Próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas

Breve histórico dos congressos anteriores, temas para o próximo e importância das metas globais de biodiversidade

Cláudio C. Maretti; Mauro Oliveira Pires; Zornitza Aguilar; Guilherme Hissa Villas Boas; Luciano Régis Cardoso; Marcos Rugnitz Tito; Paula Bueno; Erika Guimarães; Helder H. de Faria; Kátia Torres Ribeiro; Camila Rodrigues; Geraldo Majela Moraes Salvio; Sandra A. Leite; Maria Cristina Weyland Vieira; Kátia Pisciotta; Karen Mustin; Mauro G. M. Cappellaro; Carlos Hiroo Saito; Carlos Eduardo Young; Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza; Bernardo Issa de Souza; Sueli Angelo Furlan; Guillermo Estupiñán; Bruna Locardi; Bruna Lima Ferreira; Rodrigo Martins dos Santos; Maurício de Alcântara Marinho; Raul Fontoura


Em outubro de 2025, no Congresso Mundial de Conservação, organizado pela UICN, realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, foi anunciado o Panamá como a sede do próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas, a ser realizado em setembro de 2027.

Os eventos globais desse tema são realizados pela Comissão Mundial de Áreas Protegidas (CMAP) e pelo Secretariado da UICN em intervalos aproximados de dez anos, desde a década de 1960. O último ocorreu em 2014, em Sidney, na Austrália. 

Assim, 35 anos depois de Caracas, em 1992, a América Latina volta a receber especialistas e interessados nesse assunto de todo o mundo.

As primeiras reflexões e propostas sobre o conteúdo temático para o próximo congresso já foram preparadas e apresentadas, em oficina internacional ocorrida no final de julho deste ano, na ilha de Vilm, norte da Alemanha. (Na qual autor principal participou.) Reflexões significativas levaram às questões sobre como promover a melhor conservação da natureza possível em um mundo repleto de incertezas quanto ao futuro, como ampliar a conservação eficaz de forma sustentável e como garantir direitos e fomentar maior envolvimento da sociedade nessa conservação. A partir dessas questões centrais, os resultados dessa oficina indicaram três eixos temáticos para o próximo congresso mundial, disponibilizados no artigo recentemente publicado: “Protected and conserved areas in a changing world: Key themes for a global response”. Indicamos, a seguir os eixos de forma resumida:

  1. Mudanças globais e biodiversidade: oportunidades e ameaças para áreas protegidas e conservadas (APCs);
  2. Ampliação da conservação eficaz: garantir os avanços e catalisar as ações para ampliação da escala de forma sustentável; e
  3. Conservação e pessoas: direitos, responsabilidades e relacionamentos (das sociedades com a natureza) em um mundo em mudança.   

(...)


(...)

Assim, para uma atualização dos conceitos e práticas nacionais, regionais e internacionais, há que se considerar várias frentes de atuação ou de interesse, tais como áreas conservadas urbanas, promoção da saúde e bem-estar, omecs, governança por comunidades tradicionais e povos indígenas, mecanismos financeiros que valorizam e reconhecem a sociobiodiversidade, áreas protegidas e conservadas marinhas, zonas transfronteiriças, eficácia de gestão, parcerias entre as esferas pública e privada, governança equitativa, recuperação ecológica, territórios indígenas e tradicionais, sistemas de áreas protegidas e conservadas, e a gestão integrada de regiões, entre muitos outros. 

Na atualidade, os desafios são cada vez mais numerosos, amplos e complexos: mudanças climáticas; crises econômicas; instabilidades políticas; mudanças em políticas públicas; disputa econômica por recursos naturais; e assim por diante. Dessa forma, considera-se cada vez mais importante a diversidade das áreas protegidas e conservadas para a resiliência ecológica, social e política de suas redes e sistemas. 

Historicamente as áreas protegidas e conservadas vêm sendo progressivamente ressignificadas, à luz das diversidades contextuais, evoluções históricas e especificidades regionais. Assim, considerando também os TITs e as atividades tradicionais, as APCs vêm se demonstrando claramente como os mecanismos dos mais eficazes para a conservação da natureza e a viabilização do acesso aos seus benefícios.

É a partir desse contexto que buscamos nos preparar para o próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas! Para isso planejamos desenvolver uma série de artigos de difusão, para os quais convidamos a colaborar especialistas, gestores, lideranças indígenas e comunitárias, representantes do setor privado, da sociedade civil, do Brasil e de outros países latino-americanos. Nosso objetivo é estimular trocas de conhecimentos e experiências, bem como contribuir para a construção de posições críticas e propositivas do Brasil sobre os rumos da conservação global a partir das áreas protegidas e conservadas. Colabore, proponha, participe!

O Brasil tem muito a mostrar, muito a cooperar e muito a aprender, para alcançar no país e promover na região e no mundo, resultados mais eficazes, equitativos e duradouros.

E no caminho do Panamá, temos o XII Seminário Brasileiro e o VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (XII Sapis e VII Elapis), que ocorrerá de 18 a 22 de maio de 2026, na Universidade de Brasília (UnB)! Esse será um momento mais do que oportuno para debatermos temas recorrentes na agenda da conservação e da inclusão, com possibilidade de incluirmos temáticas mais contemporâneas que ainda estão em desenvolvimento, como, por exemplo, as omecs, a justiça ambiental, dentre outras.

Vamos, juntos, nos preparar e avançar para o próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas, no Panamá, em setembro de 2027!


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Collaborative Conservation for Inclusive, Equitable, and Effective Systems of Protected and Conserved Areas

Insights from Brazil 


Baixe aqui o artigo de nosso banco de dados, ou clique aqui para acessar o artigo publicado no volume 15 da revista científica Sustainability, p. 16609, 2023. DOI https://doi.org/10.3390/su152416609. ISSN 2071-1050. 

Abstract

Protected and conserved areas (PCAs) are increasingly recognized as essential tools for their effectiveness in conservation and the benefits they provide. However, their challenges are still significant. The concepts, legislation, and governance surrounding PCAs are the results of social contexts. Due to the evolution of scientific knowledge, human rights, and diversified demands, new approaches are necessary to fulfill their functions. To better understand the context and possibilities, a study group was established to evaluate the current research, exchange experiences, guide dialogues, and identify lessons from experiences. The core of the experiences and cases considered and the reflections developed focused on the Brazilian context. This article analyzes the collected information and reflections related to several themes associated with challenges. The results reinforce the importance of PCAs but warn about the limitations of current conservation strategies to respond to social actors’ expectations, the needs of the vulnerable social groups, and evolving demands. The complexity of PCA systems is evident in view of the multiplicity of interests, potential contributions, and possibilities for participatory arrangements. There is a need to improve management and governance conceptions to promote the reconnection between society and nature. Therefore, the concept of collaborative conservation is proposed as an instrumental approach to advance towards inclusive and effective conservation strategies.


1. Introduction

As an introduction to their importance, context, and evolution, protected and conserved areas (PCAs) are considered essential tools for the biodiversity conservation agenda due to their high effectiveness with respect to nature conservation and the variety of other benefits they can provide [1,2,3,4,5,6,7,8]. Historically, several factors have influenced the shaping of spatial (or area-based) nature conservation tools, especially PCAs, as most important conservation strategies. Among those factors, conditioning the concepts and evolution of PCAs, are the history of ecosystem degradation and the evolving interests associated with the material and immaterial benefits of nature conservation (for example, those related to water supply, food security, wood exploitation, hunting, protection of scenic landscapes, recreation and tourism experiences, health promotion and psychological well-being, conditions for education and research, and mystic beliefs) [7,8,9]. More recently, in the context of the progressive loss of biodiversity, their importance and recognition have become even more evident, especially when considering their role in the new 2030 Kunming–Montreal Global Biodiversity Framework, which is an upgrade from the 2020 Aichi Targets [6,10,11]. Additionally, being among the nature-based solutions, PCAs tend to contribute to facing the consequences of climate change emergency and their mitigation [1,8,12]. And, they should similarly be considered important tools for social well-being, including for those commitments expressed in the 2030 Agenda and its 17 Sustainable Development Goals [13,14,15].
The definition of protected areas by the IUCN World Commission on Protected Areas is the most internationally accepted one, which is also aligned with the Convention on Biological Diversity (CBD). IUCN’s definition considers nature conservation as the main objective and includes references to the associated ecosystem services and cultural values. Brazil has a similar approach to defining PAs under national legislation (legally called unidades de conservação—UCs) (Law 9985/2000, Brazil; [16,17]).
However, PCAs are in a state of continuous transformation due to historical and social-economical-cultural contexts. Most technical and scientific documents refer to the origin of PCAs as the creation of the first national parks (NPs), considered emblematic of the modern protected area (PA) concept, while others recognize some previous efforts as part of the history of PCAs [9,18,19,20,21,22,23]. It is also important to consider, in recent decades, the change marks of ”New Paradigm” (of PAs), the Indigenous and community conserved areas (ICCAs), and the other area-based effective conservation mechanisms (OECMs), for example [6,8,22,23,24,25].
The 10th Conference of the Parties (CoP) of the CBD, in 2010, was essential in establishing global goals for PAs, as the Global Biodiversity Strategic Plan promoted the expansion of PCAs, particularly to the marine realm, although the expansion also continued in the continental areas as well [6,7,8,26,27]. Since 2010, the concept of OECMs (or conserved areas—CAs) has become more used, particularly with the definition in the CoP-14, in 2018, to recognize areas other than PAs that contribute to biodiversity conservation, and strengthened in the CBD Kunming–Montreal Target 3 [8,10,11,25].
Nevertheless, to introduce the problem considered in this article, conflicts have been a constant issue in the creation, declaration, and management of PCAs. Solutions may not have occurred quickly enough or not gone sufficiently far. At the same time that PCAs are demanded for new functions, their governance dynamics and management have not yet sufficiently responded to the expectations of the plurality of stakeholders around them (Decree 7747/2012, Brazil; [7,8,22,23,28,29,30]).
To better understand the related context and possibilities, a study group was established in Brazil to evaluate and learn from current research, experience, and dialogues. The main questions guiding that work were related to the diversity of realities of PCA management and governance (M&G) and their connections with the social diversity and its demands. To support the understanding of these demands, and beyond their importance for biodiversity and sociodiversity (or sociobiodiversity, as used in Brazil), the work here looks at the relationship with different social actors and how those relations can achieve improved effectiveness through better social support—therefore considering governance links to inclusiveness, equity, and effectiveness. The authors considered a general approach of the subject at the global level but had a main focus on the Brazilian context, searching for lessons learned with a broad interest that could open pathways for more inclusive, equitable, and effective PCAs. Furthermore, a key underlying problem of PCA governance is related to the challenges of obtaining further social support for PCAs to overcome the associated obstacles in order to achieve their management effectiveness ([10,11,22,23,28,30,31]; Decree 7747/2012, Brazil).
In this context, this article is based on the analysis and systematization of the literature and the accumulated experience of PCA management practitioners, researchers, and other social actors, such as members of Indigenous peoples and traditional and local communities, as a means of contributing to a sound definition and implementation of PCA-related strategies. In order to do that, it proposes and evaluates the contribution of the concept of collaborative collaboration across several topics related to PCAs.


Table 1. Workflow of the GECCAP (study group).
PhasesActivities
EstablishmentStudy group establishment (100 + active participants) (After inviting management practitioners, researchers, and community members—some 200–300).
Definition of subthemes and establishment of subgroups (from preliminary ideas of subthemes—more than 40).
Studies and workshopsStudies by subgroups: bibliographical studies; exchange of experiences; and dialogues with complementary social actors.
Monthly guided interactions in the larger study group.
Guided workshops (15), including: recommended bibliography offered; presentations; invited guests; and broader dialogues.
Workshops recorded and synthetic written reports available. Internal workshops evaluation.
ComplementsComplementary workshops and dialogues, as well as technical and academic collaborative reports and papers. Social media.
AnalysesBy the leaders of thematic subgroups and coordinators of the study group.

(...)
Figure 2. Social understandings and support to PCA systems.

5. Conclusions

This article’s analyses show the assumptions, foundations, and insights that must be considered to overcome the difficulties and challenges, in addition to bringing practical and innovative proposals, to move forward in order to achieve equitable, inclusive, and effective PCA systems. As the focus of the GECCAP was concentrated in Brazil, these analyses consider the international scene, and although the conclusions here presented are directly applied to Brazilian PCA M&G, the authors propose that the concept presented below and the following recommendations are considered as possibly valid in other regional, national, and local contexts.
The results presented throughout this article show that PCAs are part of complex systems and are very important, not only to ensure the maintenance of ecosystem services and biodiversity, but for the promotion of a good quality of social life as well as a multiplicity of society–nature connections for a broad array of social actors. The concepts and practice of PCA M&G are constantly evolving and should be considered as socio-cultural constructs, embedded in their historical and regional and socio-economic contexts. In recent decades, better approaches have been developed with respect to rights recognition, the inclusion of social actors, good governance, inclusiveness, and equity. PCAs and their systems have progressively been incorporating new functions, such as facing the consequences of climate change. Additionally, there is increasing recognition of other benefits, such as those related to the promotion of human health and well-being and the consideration of cultural values. But these are not enough to meet current and future needs (Figure 2).
Even when considering the NP paradigm as the beginning of the modern PA concept, it is imperative to pay more attention to what occurred before its inception, and what was occurring in parallel to or outside this model. With respect to broader spatial conservation strategies, there is currently a need for the best possible integrated approach, with a good understanding of the differences and the maximum consideration for their complementarities, taking particular note of the New Paradigm (of PAs), ICCAs, local PCAs, and now OECMs.
PCAs must receive further and better economic, political, and, above all, social support, taking into consideration the multiplicity of partnership models with diverse stakeholders in multiple arrangement models. For that, the greater recognition, understanding, and participation of IPTCs in activities related to nature conservation, especially with respect to their interaction with PCAs, can help researchers, as well as governmental and non-governmental agents, to apprehend and develop new, more collaborative solutions.
Also, the science related to PCAs must evolve in order to understand the new paradigms and the complexity of M&G of PCAs and their systems. In this sense, through scientific and technical analyses, reports, and guidelines, PCA systems should be considered as integrated functioning systems consisting of complex, integrated, and functioning structures and processes.
The strategies promoting the reconnection between nature and society (and opening possibilities for reconnection with other human beings and social groups) is key to increasing awareness about the importance of nature and could potentially trigger actions related to its conservation and the better use of natural resources. However, these aspects need to be considered in social networks in order to make real the necessary collective societal change. The sense of community needs to be built in connection with the PCAs and the benefits arising from conserved nature. Related processes should include dialogue among different types of knowledge. The decolonization of thought and speech, including taking a strong position against all discrimination, such as that related to gender, race, age, disability, and others, is a must.
Considering the results, the discussions, and the concluding remarks above, it is clear that the experiences, dialogues, studies, reflections, and insights compiled herein explored the contexts and evolution of different kinds, models, and possibilities of PCAs. And, additionally, these showed the importance of considering integrated PCA functioning systems. Also, the relationships between PCAs and a diversity of conditions and social groups’ interests were explored in some depth. The main rationale advocated in this approach has considered the real or practical effectiveness of nature conservation as being strongly dependent on social, economic, political, and cultural support. In this sense, good results can only be achieved through engagement with society in all its diversity. This is only possible when PCA systems respond to the diverse interests of social groups inclusively and equitably.
Based upon this, the concept of collaborative conservation, as instrumental for the promotion of more equitable, inclusive, and effective PCA systems, can be understood as being a combination of elements, including: (i) the recognition of the strong diversification of the interests of social actors in nature conservation (going beyond classical PCA management program approaches, such as those related to visitation, academic biodiversity research, enforcement, patrolling, administration, etc., including, for instance, cultural values, health benefits, and resilience facing the climate emergency); (ii) the comprehension that PCA management includes multiple de facto partnership arrangements (official or not) with different types of organizations and social actors (rather than monolithic management on the part of a single governmental institution or other, a similar governance type); and (iii) the need to update and renew M&G approaches on the basis of adequate concepts and priorities, better responding to the diverse interests of social groups, not only with the aim of achieving more democratic systems, but also in order to promote further social engagement with respect to their support by means of more inclusive and effective PCA systems. Those elements of collaborative conservation need to be combined with a renewed approach to PCA M&G concepts and practices and the understanding of the complexity of functional PCA systems, through the comprehension and perceptions by social groups through the potential benefits of PCAs and nature conserved.
Evidence concerning the contribution of the concept of collaborative conservation in making the M&G of individual and systems of PCAs M&G more equitable, inclusive, and effective was presented in this work. Nevertheless, this is the beginning of an improved understanding of the revised conceptualization of these systems. Therefore, further consideration, applications, reflections, and research about the concept of collaborative conservation should promote the needed renovation in the concepts related to PCAs and their systems.

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Futuro Parque Natural Municipal Cabeceiras do Aricanduva tem sua área de implantação sinalizada

Implantação do PNM Cabeceiras do Aricanduva está prevista no Programa de Metas 2021-24. Uma nova Unidade de Conservação Municipal relevante como corredor ecológico na zona leste da cidade de São Paulo.



Foi dado um passo precioso nesta segunda quinzena de agosto, rumo à implantação do Parque Natural Municipal (PNM) Cabeceiras do Aricanduva, na zona leste de São Paulo, através do Projeto Demarca. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), com o apoio da Guarda Civil Metropolitana, colocou as placas do futuro parque, sinalizando um importante patrimônio ambiental da cidade.

A implantação do PNM Cabeceiras do Aricanduva, está no Programa de Metas da Prefeitura (Meta 63), tem previsão de ser entregue à população dentro da gestão do prefeito Ricardo Nunes, será a 11ª Unidade de Conservação (UC) Municipal, o 7º Parque Natural Municipal e o segundo desta categoria na zona leste.



A área planejada para essa unidade de conservação tem mais de 250 hectares (duas vezes o Parque Ibirapuera), abrangendo territórios nas Subprefeituras de Cidade Tiradentes e de São Mateus. Foram sinalizados 100 mil m² na Cidade Tiradentes, área correspondente ao Núcleo Nascentes I, primeira etapa da implantação do parque natural e que em breve receberá as obras para instalar a unidade de conservação.

O local conta com importantes atributos naturais que serão protegidos e recuperados, especialmente sua rica vegetação remanescente da Mata Atlântica e sua biodiversidade, além das nascentes dos córregos que deságuam no Vale do Rio Aricanduva. O parque, ao proteger os sistemas naturais prestará um importante serviço ambiental para a cidade, tanto no controle das cheias do Rio Aricanduva quanto na preservação dos sistemas naturais de grande importância para o enfrentamento das mudanças climáticas.

É parte de um corredor ecológico de preservação do Bioma Mata Atlântica que permitirá a conexão e intensificará o fluxo gênico de espécies – ou seja, a propagação de vegetais e animais entre o PNM Cabeceiras do Aricanduva com o PNM Fazenda do Carmo, assim como entre os fragmentos existentes no extremo leste e nos municípios adjacentes.

Foram registradas nesse local, 319 espécies de plantas vasculares, sendo 295 angiospermas, 3 gimnospermas e 21 pteridófitas, sendo que 7 delas estão ameaçadas de extinção. Em relação aos animais, há registro de 44 espécies de aves e 1 mamífero (sagui). Destacam-se quatro aves endêmicas da Mata Atlântica, como o tucano-de-bico-verde, o periquito-rico, a choca-da-mata e o tiê-preto, registros estes dos levantamentos preliminares feitos pelas equipes do Herbário Municipal e da Divisão da Fauna Silvestre, ambos de SVMA.


Em 2022, serão iniciados os trabalhos para elaboração do Plano de Manejo, com o levantamento mais detalhado de informações dos meios biótico, físico e socioeconômico.



O Núcleo Nascentes I do PNM Cabeceiras do Aricanduva, em Cidade Tiradentes, contará com um edifício administrativo e de apoio, estacionamento, largo de entrada e espaço destinado à recuperação, preservação e conservação ambiental, além das áreas de recreação e de trilhas.

A comunidade local ganhará um espaço público para atividades de recreação e de contemplação da natureza e o PNM, ao atrair públicos da cidade como um todo, desenvolverá a economia local, com demanda de serviços voltados ao turismo de conservação ambiental.

Será importante a população local participar do Conselho Gestor do PNM, que já deverá ter início em 2022, apoiando o poder público na gestão desse importante espaço público, especialmente na interlocução com os diversos setores que ela melhor conhece, agregando diferentes interesses, muitas das vezes conflitantes com a preservação fazendo com que o PNM seja um indutor de melhoria da qualidade de vida para todos.

As pessoas já podem contribuir com o espaço, observando a demarcação realizada com a instalação das placas e ajudar a coibir ações danosas ao meio ambiente, como depósito de resíduos, caça e ocupação irregular. A GCM deve ser acionada para denúncias, na Inspetoria Aricanduva/Vila Formosa, pelos telefones 2296-8981, 2295-9953 e o plantão 2091-0677.



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Notícia originalmente publicada no site da Prefeitura de São Paulo, em 09/09/2021.


Importância das APAs para o fortalecimento socioambiental

O caso do município de São Paulo  


Apresentado no painel Equidade nos Sistemas de Áreas Protegidas e Conservadas Locais: Conceitos, Exemplos e Desafios, organizado pelo V Encontro Latino-americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social - ELAPIS, em novembro de 2021.


Encontra-se a partir do momento 01:06:00 no vídeo abaixo:



El tema de la equidad es fundamental en los días actuales, más que nunca en la conservación. Por un lado, tenemos la importancia de las áreas para conservación de la biodiversidad y manutención de los servicios de los ecosistemas. Por otro, tenemos que seguir avanzando en el respecto a los derechos, sociales – de las mujeres, de las poblaciones urbanas vulnerables, de los pueblos indígenas y comunidades tradicionales, de los portadores de necesidades especiales, entre otros. Es decir, para el buen vivir, necesitamos más y mejores áreas protegidas y conservadas, pero ellas no pueden ser instrumento de incremento de las diferencias sociales y económicas y de no respecto a la diversidad social.

Asimismo, para el buen vivir, considerando, por ejemplo, la promoción del bienestar y de la salud y la resiliencia a los cambios climáticos, el tema del acceso a los beneficios de la naturaleza por parte de los grupos sociales más vulnerables en las ciudades es cada vez más importante. El acceso a los beneficios de la naturaleza protegida y conservada también es uno de los derechos humanos fundamentales.

La gobernanza equitativa de los sistemas de áreas protegidas y conservadas (u otras medidas eficaces espaciales de conservación - omecs) es uno de los criterios (o condiciones) de la Meta Aichi 11, del Plan Estratégico Global de Biodiversidad 2011-2020. Sin embargo, probablemente el criterio sobre lo cual tenemos menos instrumentos de seguimiento y menos evaluaciones de los avances, sobre todo en términos de sistemas de áreas protegidas y conservadas, pese ser uno de los más importantes.

Es necesario que el nuevo acuerdo esperado para la Conferencia de las Naciones Unidas sobre la Diversidad Biológica (“CBD CoP-15”), reprogramada para octubre de este año, también tome en consideración la necesidad de considerar los principios de equidad en la gobernanza de las áreas protegidas y conservadas.

Hoy día, no es más aceptable que la creación, la planificación y la gestión de las áreas protegidas y sus conjuntos y sistemas no considere el respeto a derechos y no tenga la preocupación de reducción de las desigualdades sociales. Para eso, nuevos modelos (¿o paradigmas?) de conservación deben ser fomentados y es importante que las experiencias y las lecciones aprendidas puedan ser compartidas. Con ese evento, se busca darles visibilidad y reconocimiento a las buenas prácticas de gestión y gobernanza equitativa de sistemas locales de áreas protegidas y conservadas, de la región de Latinoamérica y el Caribe, además de reflexionar sobre avances, desafíos y potenciales caminos para su replicación cada vez más.

 


Povos e Comunidades Tradicionais: Cosmovisão, Territorialidade e Paisagem


Aula ministrada em 07 de junho de 2021, no curso on-line de extensão universitária Colaboração Colaborativa em Áreas Protegidas: um novo paradigma de gestão? Organizado por Cláudio Maretti, Sueli Angelo Furlan e Marta Irving, no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo.



Participação de Edel Moraes, extrativista do Arquipélago do Marajó, Pará; Luciano Cardoso e Maria Isabel Martins, do Instituto Mamirauá; e Carolina Moro, advogada e doutoranda no PROCAM-USP. Mediado e ministrado por Rodrigo Martins dos Santos

A aula inicia-se a partir do momento 14:16 do vídeo abaixo. Caso o vídeo não esteja a disposição, clique na frase "assistir no Youtube" que aparece no centro quadro negro, ou acesse aqui diretamente no canal do Depto. de Geografia da USP

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Esta aula constitui o módulo I do tema de Povos e Comunidades Tradicionais em Áreas Protegidas, subgrupo de pesquisa coordenado por Rodrigo Martins dos Santos no Depto. de Geografia da USP.

Proposta de criação e ampliação de áreas protegidas em São Paulo

Proposta de criação do Parque Natural Municipal Borda da Serra do Mar, Floresta Municipal do Gramado e ampliação de áreas protegidas na cidade de São Paulo

Rodrigo Martins dos Santos
Alejandra Maria Devecchi
Rosélia Mikie Ikeda


RESUMO

Apresenta estratégias para a proteção e conservação do patrimônio ambiental no Extremo Sul da Cidade de São Paulo através da criação e ampliação de unidades de conservação (UC) de domínio público, interligadas por corredores ecológicos (CE) e apoiadas pela gestão da Área de Proteção Ambiental (APA) já existente. As modalidades de UC sugeridas são: 1. Parque Natural na bacia do rio Capivari (PNM Borda da Serra do Mar); 2. Floresta Municipal na bacia do rio Embu-Guaçu (FLOMU Gramado); 3. Ampliação do Parque Natural Municipal (PNM) Cratera de Colônia; e 4. Ampliação do Núcleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar – PESM. Desta forma o Sistema de Áreas Verdes do Município de São Paulo se expandirá por meio da destinação de uso de terras devolutas e desapropriação de terras não exploradas, integrando-as ao patrimônio ambiental de domínio público da cidade.

Palavras-Chave: unidade de conservação - criação; São Paulo, mananciais, plano diretor


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Artigo originalmente publicado nos Anais do III Simpósio Nacional de Áreas Protegidas, organizado pela Universidade Federal de Viçosa, em 2014. 

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INTRODUÇÃO

            Este trabalho foi feito em consonância com o Plano Diretor Estratégico de São Paulo (PDE), Lei Municipal 13.430/02, que estabelece como diretivo da Política de Desenvolvimento Urbano Ambiental para a zona sul da cidade a “ampliação dos territórios protegidos, tais como, novas unidades de conservação” e também com o Plano Regional Estratégico de Parelheiros (PRE-PA), Lei Municipal 13.885/04, que possibilita “criar mecanismos para a proteção de corredores biológicos, por meio da criação de novas unidades de conservação e de estratégias para a preservação de terras particulares”. Este é, ainda, um trabalho representativo da Diretriz XIII da Lei Federal 9.985/00 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC), que é de

proteger grandes áreas por meio de um conjunto integrado de unidades de conservação de diferentes categorias, próximas ou contíguas, e suas respectivas zonas de amortecimento e corredores ecológicos, integrando as diferentes atividades de preservação da natureza, uso sustentável dos recursos naturais e restauração e recuperação dos ecossistemas.

            A criação/ampliação das UCs municipais previstas nesta proposta deverá contribuir para a conservação e recuperação de remanescentes de Mata Atlântica. Estas áreas atualmente fornecem serviços de ecossistema importantes ao município, como a proteção das áreas de mananciais e a conservação da biodiversidade, dentre outros. Esta proposta visa manter prioritariamente a conectividade biológica entre o Parque Estadual Serra do Mar (PESM) – fonte de sementes e semeadores nativos – e áreas já constadas como prioritárias para a restauração: a Cratera da Colônia e Áreas de Preservação Permanente (APP) relacionadas à produção de água e interesse científico.
            Há um amplo consenso social sobre a importância de proteger as áreas aqui tratadas, pois já estão protegidas por legislação local – Zoneamento Geo-Ambiental (ZGA) da APA Capivari-Monos (APA-CM), e zoneamentos do PDE e PRE-PA; estadual – Área de Proteção de Mananciais (APM) e Zona de Amortecimento (ZA) do PESM; federal – APP (Lei Federal 12.651/12), áreas preservadas pela Lei da Mata Atlântica (Lei Federal 11.428/06); e internacional – Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo das Nações Unidas. Esta gama de legislação, no entanto, não estabelece um sistema legal coerente, o que é exacerbado pela falta de fiscalização efetiva (FINNEY & SANTOS, 2014).
            Diversas pressões ambientais fortes estão presentes na região de estudo. A Subprefeitura de Parelheiros (SPPA), onde se localiza a área de interesse, tem sofrido um crescimento populacional muito rápido desde 1991, crescendo em torno de 9% ao ano, segundo dados do levantamento censitário do IBGE.
            Frente este consenso legal-social, baseado na importância ecológica e hidrográfica desta área, e com plena consciência das ameaças ambientais existentes nesta região, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo (SVMA) começou uma serie de estudos sobre a criação de UCs nesta área. Foram consideradas todas as classes constantes no SNUC. Considerando o valor natural e social desta área, junto com o quadro administrativo vigente, as classificações de PNM e FLOMU foram identificadas como sendo as mais adequadas para complementarem o papel das UCs já existentes: APA-CM e PESM (SVMA, 2009b).
            É importante ressaltar que a categoria de Parque Estadual e PNM correspondem ao Parque Nacional, uma área sob domínio público, cujo objetivo básico segundo o SNUC é:

a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

            Da mesma forma, a categoria FLOMU corresponde à Floresta Nacional, e também é uma área sob domínio público, configurando-se por ser, de acordo com o SNUC:

Área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas. (...) é de posse e domínio públicos (...) a pesquisa é permitida e incentivada.

            Nos dois tipos de UC é permitida também a visitação pública, condicionada às normas estabelecidas para o manejo da unidade.


JUSTIFICATIVA PARA CRIAÇÃO DAS UCs

O proposto PNM Borda da Serra do Mar deverá ser contíguo ao PESM, a maior área protegida de Mata Atlântica no Brasil. Estas áreas estão inseridas em zonas de Proteção de Vida Silvestre (ZVS) e de Uso Sustentável (ZUS) da APA-CM. Também se constituem Zonas Especiais de Proteção Ambiental (ZEPAM) pelo zoneamento do PRE-PA.
            O PNM Borda da Serra do Mar deverá ser implantado na região de Evangelista de Souza, área de potencial ecoturístico comprovadamente apresentada pelos estudos das câmaras técnicas de turismo sustentável da APA-CM e dos trabalhos técnicos produzidos pela Divisão de Unidades de Conservação do Departamento de Parques e Áreas Verdes da SVMA (DEPAVE-DUC), onde se destaca o projeto de implantação do “Polo Ecoturístico de Evangelista de Souza” e o “Inventário, Diagnóstico e Plano de Turismo das APAs Capivari-Monos e Bororé-Colônia.” (SVMA, 2005; 2009a; 2011). A vertente direita do rio Capivari, região preservada conhecida como Curucutu (ou Krukutu), onde se localiza o córrego do Getúlio, apresenta a maior biodiversidade ainda não protegida da cidade de São Paulo, pois segundo o inventário de Fauna da Cidade (SVMA, 2008) possui importante diversidade de fauna como a suçuarana ou onça parda (Puma concolor capricornensis), espécie em extinção e ainda encontrada no território municipal; e a Anta (Tapirus terrestris), maior mamífero terrestre das Américas. Em relação a flora, a região apresenta diversos exemplares endêmicos, como a Ocotea curucutuensis, uma espécie de canela encontrada próximo aos campos naturais desta região (GARCIA, 2003).
            Esta estratégia de um PNM em Evangelista de Souza poderá ser conciliada com a ampliação do Núcleo Curucutu do PESM, tendo em vista que será uma UC adjacente e grande parte do fundiário ainda não preservado por estatuto legal ser de propriedade do Estado, da extinta FEPASA (Ferrovias Paulistas S. A.).
            A Cratera da Colônia, por sua vez, localiza-se em área tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), como Zona Especial de Proteção e Recuperação do Patrimônio Ambiental, Paisagístico e Cultural (ZEPAC) da APA-CM.
            A estratégia de ampliação do PNM Cratera de Colônia, na bacia da represa Billings, vem no sentido de que a área existente não atinge os objetivos que a UC pretende, que é a de preservar o patrimônio científico e cultural do astroblema de Colônia.
A proposta de FLOMU no Gramado está localizada na porção oeste da APA-CM, é predominantemente ZUS, com pequena porção em Zona de Uso Agropecuário (ZUA) e ZVS. CEs poderão ser implantados em áreas que não ficarem protegidos nessas UC.
No extremo sul municipal, temos a região do Gramado, uma porção do território caracterizada pela grande presença de atividade agrícola, que se fortaleceu com a presença de colonização alemã do século XIX. Aproveitando esse potencial e implantando efetivamente uma das estratégias presentes no ZGA da APA, o poder público municipal deverá implantar uma FLOMU nesta região, tendo em vista a necessidade de pesquisas e área de experimentação do uso econômico da Mata Atlântica com técnicas sustentáveis, como os Sistemas Agroflorestais, dentre outros modelos que poderão ser disseminados junto aos diversos proprietários agrícolas da região dos mananciais, através de capacitações nesta UC.

Oportunidade e Conveniência

            Os dois parques, a floresta e o corredor ecológico encontram-se integralmente na Macrozona de Proteção Ambiental do município, onde “a instalação do uso residencial e o desenvolvimento de qualquer atividade urbana subordina-se à necessidade de preservar, conservar ou recuperar o ambiente natural”.
            Interligando estas UCs, deverá ser fomentado a criação de CEs (ou Biológicos) junto às propriedades privadas, através de pagamentos por serviços ambientais, fomento de RPPN, consolidação de APP e Reservas Legais, dentre outras estratégias, possibilitando a intercomunicação do material biogênico da Mata Atlântica entre as diversas categorias de Áreas Protegidas.
            Em termos de serviços de ecossistema, as áreas aqui tratadas fazem parte do sistema de mananciais que fornece 30% de água potável da cidade de São Paulo. Como uma área de transição entre o município e o PESM, esta área também serve como zona de amortecimento, reduzindo efeitos de borda e vetores de pressão sobre os ecossistemas nativos. Como uma área contígua com o PESM, faz parte do maior remanescente da Mata Atlântica existente, um ecossistema considerado como um dos cinco mais ameaçados do mundo. Como vetores de restauração, estas áreas também contribuem para a conectividade entre a Mata Atlântica nativa (uma fonte de sementes e semeadores) e áreas já definidas como prioritárias para a restauração, como a Cratera da Colônia e APP. Estas funções ecológicas por si só justificam a criação de UC na área de estudo.
            Além disso, a presente proposta visa contribuir com a política de planejamento urbano da cidade, em consonância com o PDE, que estabelece como um objeto da Política de Urbanização e Uso do Solo “estimular o crescimento da Cidade na área já urbanizada, dotada de serviços, infraestrutura e equipamentos, de forma a otimizar o aproveitamento da capacidade instalada e reduzir os seus custos”. Assim, esta proposta devera fortalecer o cinturão verde do município, limitando o crescimento populacional no extremo sul, também previsto no Anexo XX – Livro XX do PRE-PA:
Art. 1º - A política de desenvolvimento urbano-regional estabelecida por este Plano Regional Estratégico tem como princípios gerais: I. promover o desenvolvimento da região a partir de alternativas econômicas voltadas ao desenvolvimento rural, tais como turismo e agricultura sustentáveis, compatíveis com a proteção dos mananciais, com vistas à produção de água e à proteção dos ecossistemas; (...) IX. criar mecanismos para a proteção de corredores biológicos, por meio da criação de novas Unidades de Conservação e de estratégias para a preservação de terras particulares.

            No que concerne a Rede Hídrica Ambiental, também presente no PRE, são contemplados outros aspectos que conferem a viabilidade dos projetos:

Art. 15 – São diretrizes deste Plano Regional Estratégico o saneamento da: (...) III. bacia hidrográfica do Capivari-Monos, compreendendo as Cabeceiras do Ribeirão dos Monos e o Ribeirão Claro. Art. 16 – Deverão ser preservadas como áreas verdes, públicas e privadas, as áreas contidas: I. na faixa de 30 metros ao longo de cursos d’ água, independentemente de sua titularidade.

            Assim, com base nessas evidências legais, fisiográficas e socioambientais, vislumbra-se a oportunidade e conveniência de ser criar/ampliar as unidades de conservação e outras áreas protegias mencionadas. 

Fig. 1. Fluxograma de implantação de UC de domínio público. Org. Rodrigo Santos.


ETAPAS PARA IMPLANTAÇÃO DAS UCs

O modelo proposto na Fig. 1 foi elaborado tendo por base as etapas e fases que as primeiras UCs municipais de São Paulo perpassaram, principalmente as de domínio público como os parques naturais e os lineares. É uma sugestão de Plano de Trabalho para identificação, desapropriação, e criação das UCs citadas.
Assim foram identificadas três etapas de implantação de uma UC, cada qual com três fases onde são esperados um produto específico, conforme observa-se na figura. A seguir é descrito com mais detalhe cada uma dessas etapas, fases e produtos.

ETAPA “A” – ESTUDOS PARA DEFINIR AS UCs

            A etapa A, que são os estudos para definir uma unidade de conservação, é dividida em três fases, a saber: A.1. Estudos Preliminares; A.2. Levantamento Fundiário; A.3. Plano de Gestão. Para cada uma dessas fases são esperados os seguintes produtos: p.A1.  Prioridades preliminares; p.A.2. Mapa Fundiário; p.A.3. Definição das UCs e Pré-Zoneamento. A seguir será detalhado cada fase e produto desta etapa.

FASE A.1 – Estudos Preliminares

            Esta fase representa o resultado dos estudos preliminares, que visaram revisar a legislação e literatura existente com a proposta de estabelecer áreas preliminares para criação de UC no extremo sul de São Paulo. Tal revisão foi efetivada por técnicos da SVMA com ajuda de Christopher Finney, mestrando em Gestão Ambiental pela Yale University, entre maio e agosto de 2008 (SVMA, 2009b). As áreas preliminares são baseadas no Zoneamento Municipal, ZGA da APA-CM, PRE-PA, Plano de Gestão do PESM, usos do solo, rede viária, trabalhos acadêmicos publicados, e publicações do grupo de trabalho sobre áreas protegidas organizado pela Universidade de São Paulo, cujo resultado foi:
  • A área denominada como ZEPAM/09 pelo PRE-PA coincide com ZVS da APA-CM. Esta área é limítrofe com o PESM em quase toda a sua extensão dentro do município mais a Fazenda da SABESP, e é a área indicada aqui como proposta para receber o PNM Borda da Serra do Mar;
  • A área da Cratera da Colônia, denominada como ZEPAM/16 e ZEPAM/17 pelo PRE-PA, coincide com a ZEPAC da APA-CM. Nela já se encontra o PNM Cratera de Colônia onde no presente estudo apontamos sua ampliação;
  • A ZPDS/01 (Zona de Proteção e Desenvolvimento Sustentável) do PRE-PA coincide com a ZUS da APA-CM, totalmente apropriada para receber a FLOMU do Gramado aqui proposta;
  • Um CE de aproximadamente 1500 m de largura entre a ZEPAM/09 e a ZEPAM/17, mais APP dos Rios Vermelho e Embu-Guaçu, deverão ser preservados para garantir a conectividade das UCs. O corredor proposto localiza-se na APA-CM, em ZVS, ZUS, e ZUA (coincidente com ZEPAM e ZPDS municipal), onde o Conselho Gestor da APA poderá fomentar a criação de RPPN. Caso os proprietários não garantam seu uso ecológico, estas propriedades poderão fazer parte do Plano de Expansão das UCs que serão implantadas, convertendo-se em terras públicas.

             Assim, esta revisão na legislação possibilitou a indicação de algumas modalidades de áreas protegidas, que poderão ser observadas na Fig. 2 e no Produto p.A.1 (Fig. 3), e estão elencadas a seguir: 
  • PNM: porção preservada da bacia hidrográfica do rio Capivari (região de Evangelista de Souza-Marsilac-Ponte Seca) e Cratera de Colônia (expansão da UC existente);
  • FLOMU: Região do Gramado;
  • CEs interligando as UCs, com fomento de RPPN;
  • Expansão do PESM às terras do Estado confrontantes ao parque.

             A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) – órgão federal responsável pela criação de Terras Indígenas (TI) – possui um plano de expansão das TIs Guarani localizadas no extremo sul do município. Os limites das UCs propostas deverão sofrer alterações caso apresentem sobreposição com essa expansão de TI. Certamente estas alterações deverão ser em benefício às TI, tendo em vista diversos estudos, como os apresentados por Nepstad et. al. (2006), que compara dados sobre a eficiência na preservação, controle e uso sustentável da floresta em TIs e em diversas categorias de UC. Este mérito se dá, grande parte, pelo fato de os grupos indígenas serem tradicionalmente Povos da Floresta e, portanto, necessitam dela para sobreviver, promovendo a sua proteção e uso adequado, além de possuírem um conhecimento a respeito da mata que é passado por gerações através de sua cultura, desde o nascimento até a fase mais experiente, especialmente o grupo indígena Guarani (Ladeira, 1992).

Fig. 2. Sobreposição do Zoneamento Ambiental do território com as Áreas indicadas para implantação de UC. Não foi incluído o perímetro de expansão das Terras Indígena, que deve ser considerado como prioridade em relação às UCs. Org. Rodrigo Santos.

            Segundo Ladeira (op. cit.) a Mata Atlântica é o verdadeiro ambiente dos Guarani, ocupam-na há centenas de anos, e são afetados diretamente com as alterações na biota, em especial devido a aproximação da vida urbana, sendo então necessária a expansão de suas terras para garantir, além da proteção da floresta, o próprio modo-de-vida tradicional Guarani (Ladeira, 2000), uma das matrizes da formação da identidade brasileira.
            O produto esperado para esta fase A.1 é o Mapa de prioridades de conservação, apresentado na Figura 3.

Fig. 3. Produto p.A.1 – Mapa de prioridades preliminares de conservação para o extremo sul do Município. Áreas indicadas para implantação de UC de domínio público. Não foi incluído o perímetro de expansão das Terras Indígenas, cuja prioridade é maior em relação a criação de UC.

FASE A.2 – Levantamento fundiário

            Para maior definição de territórios prioritários quanto aos critérios administrativos estabelecidos, e para viabilizar a aquisição de terras, é preciso um levantamento fundiário de todas as áreas consideradas como prioridade preliminares. Aqui, vale destacar que existem glebas territoriais no extremo sul do município que são devolutas. O levantamento fundiário representa uma importante fase, pois existem áreas que já são públicas, mas não possuem nenhum instrumento de gestão, e outras que são particulares, mas os proprietários são desconhecidos.
            Por causa do caráter rural da área em questão, espera-se que este trabalho será facilitado pelo tamanho relativamente grande das glebas. O levantamento deverá ser efetivado segundo a metodologia descrita em IBAMA (2001), considerando os seguintes passos: 
  1. Levantamento dos limites das propriedades;
  2. Pesquisa cartorial;
  3. Elaboração do laudo de informação fundiária;
  4. Características dos ocupantes;
  5. Infraestrutura física existente;
  6. Avaliação.

             O produto esperado para esta fase A.2 é um Banco de Dados Fundiário, conforme apresentado na Fig. 4.

Fig. 4. Situação Fundiária (parcial) da APA-CM. Associado a este mapa elaborado pela Divisão de Patrimônio Ambiental da SVMA existe um banco de dados geo-referenciado que contém diversas informações fundiárias como: nome do proprietário, número da matrícula de registro do imóvel, dentre outras.

FASE A.3 – Plano de Gestão

            As UCs sugeridas para implantação poderão iniciar as atividades previstas em sua gestão assim que forem adquiridas as primeiras Terras (Etapa “B”), utilizando a Sede da APA-CM como apoio na execução desta tarefa, até que seja constituída estrutura administrativa compatível com a categoria e estrategicamente posicionada no interior de cada UC.
            O SNUC constata que “a criação de uma unidade de conservação deve ser precedida de estudos técnicos e de consulta pública que permitam identificar a localização, a dimensão e os limites mais adequados para a unidade, conforme se dispuser em regulamento”. Além disso, a Lei Municipal 13.136/01, que estabelece a APA-CM, na qual se localiza a presente proposta, especifica que “o gerenciamento da APA Capivari-Monos será feito de forma participativa e democrática, por um Conselho Gestor, composto por representantes do Poder Público e da sociedade civil”.
            Dado este quadro, deverão ser efetivados trabalhos participativos com a comunidade local, estabelecendo uma oportunidade de refinar e melhorar a definição de terras prioritárias para desapropriação, de categorias de UC a serem implantadas, e de planos de manejo. Este trabalho com a comunidade se dará por via da APA-CM, a fim de aproveitar a rede social existente, e por via de oficinas públicas, amplamente disseminadas, a fim de incluir o maior numero possível de stakeholders (participantes).
            O produto esperado para esta fase A.3, são os Planos de Gestão de cada uma das unidades propostas, a seguir são apresentadas algumas diretrizes que servirão de subsídio para a elaboração dos Planos de Gestão das Unidades propostas neste Estudo. O Plano de Gestão deverão definir a categoria das UCs e estabelecer um pré-zoneamento delas.
            Por abrigar diversos dos principais atrativos naturais da APA-CM (SVMA, 2009a) a área do PNM Borda da Serra do Mar apresenta grande potencial para o ecoturismo (vide fig. 5, 6 e 7), e, portanto estes focos de visitação deverão ser aproveitados e garantidos no seu Plano de Gestão de acordo com as estratégias de uma unidade de proteção integral desta categoria. O fato de servir como ZA ao PESM também deve ser considerado, protegendo parte da Mata Atlântica que ainda não possui uma gestão ambiental presente.

      Fig. 5 Praia natural no rio Capivari, após o encontro com o ribeirão dos Monos.


Fig. 6 Estação de Evangelista de Souza, possui plano para trem turístico.

            Já que o PESM mantém um centro de pesquisa e administração no extremo sudoeste do município, o centro administrativo do PNM deverá ser implantado na outra ponta, no extremo sudeste do município, ao sul da Zona de Interesse Turístico e Histórico (ZITHC) de Evangelista de Souza, próximo ao encontro dos Rios Capivari e Monos e da Estação de Evangelista de Souza, pois, além disto, a SVMA já possui um plano para implantação de um Polo Ecoturístico na região (SVMA, 2005).
            O Parque deverá prever, ainda, outros dois núcleos, um na Estrada de Capivari, próximo a Fazenda Capivari da SABESP, com um centro de visitantes com monitores, e outro próximo da Represa do Capivari. Consolidando assim, três núcleos de visitação, educação e pesquisa para o Parque:
  • Núcleo Evangelista de Souza;
  • Núcleo Capivari;
  • Núcleo Ponte Seca.

             Para dar maior controle de usos indesejáveis, e aumentar a acessibilidade para pesquisa, educação ambiental e turismo sustentável, deverá ser previsto guaritas nas três vias oficiais onde entram na área de Parque Natural proposto, vinculados aos centros de visitação, educação ambiental e pesquisa.
            O centro educacional e de visitação principal compreende o projeto já discutido pela Câmara Técnica de Turismo da APA-CM, chamado “Polo Ecoturístico de Evangelista de Souza” (ibid.).
Em relação a FLOMU no Gramado, seu Plano de Gestão deverá prever a implantação de uma sede administrativa na área próxima ao Jd. dos Eucaliptos, na área municipal localizada ao final da rua Ministro Marcos Freire, onde há uma considerável terra devoluta (Fig. 8), e é servida por linha oficial de ônibus que contribuirá aos acessos à esta UC, já que é uma categoria de Uso Sustentável, e portanto, seu uso e visitação será menos restrito que as demais.

Fig. 7Cachoeira do Capivari, localizada no interior do PESM

Fig. 8 Terra Devoluta na com represamento e exuberante Mata Atlântica, área proposta para tornar-se FLOMU

            Deverá prever a implantação de viveiros e áreas para a experimentação de manejo de espécies nativas para fins econômicos, que poderão ser implantados nas propriedades rurais localizadas no interior das APAs Capivari-Monos e Bororé-Colônia, e outras áreas da região dos mananciais.
            Nela deverão ocorrer oficinas e capacitações aos agricultores, difundindo práticas ecológicas de cultivo e manejo da terra, integrando às atividades da Casa de Agricultura Ecológica “José Humberto Siqueira”.

ETAPA “B” – AQUISIÇÃO E REGULAMENTAÇÃO DE UC

            A etapa B corresponde à aquisição e regulamentação das UCs, é dividida em três fases, a saber: A.1 Aquisição de terras devolutas ou não tituladas; A.2 – Aquisição de terras privadas; A.3. – Criação e início da gestão. Para cada uma dessas fases, são esperados os seguintes produtos: p.A1. – Liminares judiciais de posse; p.A.2 – Domínio público das UCs; p.A.3 – Decreto de criação e início da administração das UCs. A seguir será detalhado sobre cada fase e produto desta etapa.
            As fases desta etapa poderão caminhar paralelamente, pois de acordo com o SNUC “excluem-se das indenizações referentes à regularização fundiária das UC, derivadas ou não de desapropriação [...] as áreas que não tenham prova de domínio inequívoco e anterior à criação da unidade”. Tal regra representa uma grande oportunidade para o Município de São Paulo, já que – como apresentado na Fig. 4 – existem grandes porções de terras na área de interesse em estado devoluto e outras não tituladas, que caso não sejam destinadas a algum uso público, serão alvo fácil de grileiros e especuladores imobiliários.
            As terras devolutas deverão ser adquiridas pelo poder publico do Município de São Paulo, para fins de maior proteção ambiental, independentemente de quaisquer outros procedimentos aqui descritos. Dentro da ZEPAM/09 poderão continuar com a proteção legal vigente, sob posse do município, até serem estabelecidas as UC. Esta negociação deverá ser entre a SVMA, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a Secretaria de Negócios Jurídicos do Município (SNJ).
            O processo de aquisição de terras se resume no seguinte procedimento: 
  1. Levantamento da cadeia dominial do imóvel no cartório de registro de imóveis, verificando, através de analise de cadeias sucessórias, e consistência dos dados, ate a devolução do imóvel;
  2. Apuração das ocupações de boa-fé;
  3. Planta cadastral de situação de cada imóvel e memorial descritivo da área em questão;
  4. Apuração dos valores das benfeitorias, bem como de culturas, criações e florestas plantadas nela existentes;
  5. Consulta a SNJ e PGE, para apuração da situação legal do imóvel e valoração oficial;
  6. Desapropriação (no caso de imóvel privado) e posse legal do imóvel com vistas à efetivação da Unidade. 
            Uma vez estabelecida a condição de devolução de uma área, o custo adicional da aquisição devera ser mínima, já que será efetivada por processo judicial.
            Nos levantamentos fundiários executados pela SVMA, PGE e SNJ, foi constatado, além da existência de Terras Devolutas e Não Tituladas, também se constatou Terras pertencentes ao Estado, grande parte delas contíguas a área decretada PESM. Esses imóveis deverão ser anexados àquele parque, tendo em vista que é uma UC consolidada e os imóveis serem adjacentes.
            Terras que forem do Estado, e que não forem contíguas ao Parque Estadual, poderão ser transferidas a Municipalidade para incorporarem-se às UCs propostas.
            Como grande parte das terras localizadas no interior das UCs propostas são devolutas ou de dominialidade pública, não haverá necessidade de desapropriações para a criação inicial das unidades. No entanto, caso seja indicado as relevâncias de ampliação sobre terras privadas, o processo de desapropriação dessas áreas deverá ser iniciado.
O CE, por outro lado, deve permanecer sob posse privada, mas sujeito a fiscalização mais rígida e zoneamento ambiental mais forte que o atual (recomenda-se que o Corredor seja denominado como ZUS, com proibição de silvicultura de espécies exóticas).
            Os produtos esperados para estas fases são o “domínio municipal das terras devolutas” (p.B.1) e o “domínio municipal integral das UCs” (p.B.2). O primeiro produto dependerá da transferência da administração das terras devolutas do Estado para o Município gerir. Para isso a SVMA deverá solicitar a administração das áreas junto a Procuradoria de Patrimônio Imobiliário da PGE apresentando uma proposta inicial de gestão das áreas, que inclui os Produtos p.A.1 e p.A.2 apresentados no presente estudo. Após análise da PGE-PPI e os devidos trâmites internos nos órgãos estaduais, a SVMA será informada sobre a transferência de administração das terras devolutas do Estado para o Município, e o Departamento de Patrimônio da SNJ (DEPATR) então poderá aceitar o domínio da área como patrimônio municipal. Após isto, as terras já são municipais e SVMA poderá então iniciar a implantação da UC conforme seu Plano de Gestão definir.
            Para o produto p.B.2, a Divisão de Patrimônio Ambiental da SVMA (DEPLAN-DPAT) possui um banco de dados de grande parte dos proprietários ou matrículas imobiliárias das propriedades privadas constantes no interior dos perímetros propostos para as UCs. Assim, facilita-se a delimitação em planta georeferenciada contendo os confrontantes, limite da propriedade legal e levantamento planialtimétrico-cadastral de algumas propriedades, necessários para a valoração dos imóveis a serem desapropriados.
            Em SVMA, as compensações ambientais por corte de vegetação são destinadas a aquisição de áreas dentro do plano de expansão de áreas verdes, mediante aprovação no CONFEMA (Conselho do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável).

FASE B.3 – Criação e Administração

            Tendo em vista que o Corpo Administrativo das UC deverá ficar inicialmente localizado na sede da APA, após efetivarem a aquisição das primeiras terras que formarão o núcleo inicial de cada UC, a SVMA providenciará a publicação oficial do Decreto Municipal que cria a respectiva UC.
            A SVMA também deverá dotá-la, a partir desta criação, de um gestor (administrador) que deverá implantar inicialmente o previsto no Plano de Gestão e criar condições para o avanço das outras etapas que consolidarão a respectiva UC, como o Plano de Manejo e o Conselho Gestor.
            O produto esperado para esta fase é a publicação do “Decreto de criação de cada uma das UC” (Produto p.A.3). O texto poderá ser baseado no instrumento legal que criou os outros parques naturais no município.

ETAPA “C” – GESTÃO E MANEJO DAS UC

            Esta é a etapa final, consolida a criação da UC, e possui basicamente três fases: C.1. Obras de Infra-Estrutura; C.2. Planos de Manejo; C.3. Gestão Manejada. Os produtos esperados nas respectivas fases são: p.C.1. Benfeitorias para a gestão; p.C.2. Zoneamento e Plano de Manejo; p.C.3. Consolidação das UCs.
            Estas fases e produtos poderão ser conduzidos de acordo com a experiência adquirida na consolidação de outras UCs semelhantes, como os parques do rodoanel.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Antes de ser uma conclusão, pretende-se aqui apontar elementos que definam um caminho para a sistematização de um estruturado Sistema Municipal de Unidades de Conservação e de Áreas Verdes. Como uma oportunidade para repensar o paradigma de gestão do solo, produção hídrica e controle de enchentes, biodiversidade e banco genético, regulação do clima, dentre diversos outros elementos ambientais essenciais para uma política concreta de meio ambiente, tendo como palco incipiente o extremo sul do município.
            Assim, este documento pretende contribuir para um debate que consolide o surgimento de ambos os sistemas ambientais criados pelo Plano Diretor da Cidade de São Paulo e por outras legislações federais e estaduais, mas ainda não regulamentados nesta cidade, portanto um desafio a ser enfrentado e superado pelo poder executivo municipal, envolvendo técnicos, agentes públicos e governo, contando com as contribuições da sociedade civil.
            Definir conceitos e diretrizes claros sobre o papel, função, objetivo, caráter, perfil, ou seja, diversos aspectos das Unidades Ambientais – ou Áreas Protegidas – da Cidade de São Paulo deverá ser, agora, o grande desafio.
            Este trabalho tem o intuito de trazer subsídios para uma proposta de melhor aproveitamento, do ponto de vista ambiental, das terras públicas ou sem uma gestão ambiental constituída, colocando-se como mais uma – porém não a única – estratégia para a proteção e conservação do patrimônio ambiental da Cidade de São Paulo.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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