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Diáspora y migraciones de pueblos originários en Brasil Central


(de 1700 a 1900 AD)


Resúmen

Presenta los resultados finales de nuestra investigación de maestría, que ubicó pueblos indí­genas que habitaron la Meseta Central de Brazil (desde el año de 1700 AD), y por lo tanto una parte de la sabana, antes de la invasión luso-brasileña hasta el año de 1900 AD.

Panel premiado con el segundo lugar de mejor póster del evento por el Comité Académico y Comité Organizador del XVII EGAL 2019.
Para acceder al póster de alta resolución, bájelo aquí.

La metodologí­a se basa en la antropogeografí­a de Ratzel (1909), con el apoyo de la etnohistoria y asesoramiento de la cartografí­a. Fue utilizado como base el mapa etno-historico de Curt Nimuendaju que presenta un "vací­o" etnográfico en esta zona. Es aclarado un problema que es la insuficiencia de información cartográfica sobre quien eran y dónde estaban los pueblos indí­genas del Brasil Central, sobre todo en un polí­gono que abarca el noroeste y oeste del Estado de Minas Gerais, en todo el Estado de Goiás, extremo noreste de Mato Grosso y sudoeste de Pará, gran parte del Estado de Tocantins, la región sur de Maranhão y Piauí­, y Bahí­a occidental. Fue utilizado varios productos cartográficos como el mapa etnolingüí­stico del Čestmí­r Loukotka y mapas históricos disponibles en archivos públicos en Brasil y Portugal. También es realizado un mapeo inédito de la ubicación de los grupos étnicos enumerados en el histórico de la base de datos IBGE ciudades. Ademas, es recopilado desde esta fuente las fechas de colonización y fundación de pueblos y ciudades, para ilustrar el progreso Luso-Brasileño en el territorio indí­gena, así­ como el despliegue de los asentamientos por parte del Estado.

Las conclusiones son que hubó por lo menos 200 grupos étnicos en la meseta central del Brasil y las zonas adyacentes, añadindo 88 a los 112 que figuran en el mapa de Nimuendaju. Por medio de mapas es ilustrado la dinámica de ocupación indí­gena, con las migraciones, las diásporas y las desapariciones de decenas de estos grupos étnicos. La contribución de este trabajo consiste en fortalecer la territorialidad indí­gena en la historia del paí­s, especialmente en el centro de Brasil. Los resultados pueden ilustrar libros de texto y el contenido pedagógico de la historia y de la geografí­a, de acuerdo con la Ley 11.645/08 del paí­s. También pueden colaborar en los estudios sobre el origen étnica de las zonas rurales de Brasil. En general, hay al menos dos comunidades indí­genas emergentes, los Aricobé y los Xakriabá, es posible que tienga restos de otras comunidades, especialmente los Akroá, Cayapó y Guegue. La continuacion de esta investigación será presentada el la ponencia: "Reductos y refugios bioculturales en las fronteras de la globalización: sociobioterritorialidades en el este de Sudamerica durante y después de las invasiones europeas" en el EGAL 2019."

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Poster originalmente presentado en el XVII EGAL - Encuentro de Geografos de America Latina, organizado por la AGEc - Asociación Geográfica del Ecuadory que ocurrió en el campus de la Pontificia Universidad Catolica del Ecuador, en 2019.

Él póster foe premiado por la Comisión Científica del EGAL.

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Alimentação na oralidade Xakriabá

REFLEXOS DA COLONIZAÇÃO

Rodrigo Martins dos Santos
Esther Katz
Santo Caetano Barbosa, Cacique Xakriabá da aldeia Morro Vermelho (Catito)

RESUMO

Apresentamos elementos da alimentação da etnia Xakriabá a partir de relatos orais de seus anciões, de aldeias no município de São João das Missões, Minas Gerais. O problema baseia-se no seguinte questionamento: Quais eram os alimentos (ingredientes e pratos) que haviam no passado e que atualmente não se encontram mais junto ao povo Xakriabá? Que fatores contribuíram para essa transformação alimentar? Utilizamos a metodologia da história de vida por meio de registro de entrevistas com questões abertas. A conclusão é de que muitas espécies nativas utilizadas na alimentação dos antigos indígenas dessa etnia desapareceram das roças de seus descendentes, bem como grande parte dos pratos da gastronomia tradicional. Os motivos foram o abandono de áreas tradicionais devido a pressão do avanço da frente colonial-pecuarista dos luso-brasileiros e a chegada de alimentos industrializados

Palavras-chave: Território, Alimentação, Oralidade, Indígena, Xakriabá.


Alimentos tradicionais do povo Xakriabá, levantados durante as entrevistas. Org. Rodrigo Santos (2012)


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Projeto Tenonderã - Nosso Futuro Comum

Realização de encontro na APA Capivari-Monos (aldeia Tenondé Porã - Morro da Saudade) de jovens Guarani Mbya que vivem em aldeias nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e intercâmbio de jovens residentes na APA com aldeias nesses Estados. Ao final do projeto os jovens escreveram a Carta Tenonderã (Nosso Futuro Comum).


TENONDERÃ
Nosso Futuro Comum

Baixe aqui o "Projeto Tenonderã"





O TENONDERÃ

A Agenda 21 Global reconhece em seu capítulo 26 os povos indígenas como parceiros na defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Apesar deste reconhecimento ainda são figurantes na construção das políticas ambientais. Para alterar esse quadro é necessário que jovens e lideranças discutam sobre as atuais políticas ambientais para que possam ampliar e consolidar a participação neste cenário.

Os povos tupi-guarani, dos quais incluem o povo Guarani Mbya, são grandes conhecedores dos domínios da Floresta Atlântica da região sul do Brasil e responsáveis por grande parte da nominação da fauna, flora e toponímia, hoje reduzida em torno de 7%. Preocupados com a intensa devastação, que tem afetado o modo tradicional de vida, jovens Guarani Mbya da aldeia Tenondé Porã, com apoio do Instituto das Tradições Indígenas, elaboraram o projeto Tenonderã – Encontro de Jovens Guarani Mbya do Estado de São Paulo – para discutir essas questões. 

O Tenonderã aconteceu na aldeia Tenondé Porã, Parelheiros, São Paulo (SP), entre os dias 19 a 21 de maio de 2.009, reunindo cerca de 200 jovens de 14 aldeias para discutirem sobre meio ambiente, cultura, educação, esporte e território. Este evento contou com a participação de especialistas nos temas abordados e lideranças Guarani. 

Ao final da realização do evento, foram indicados pelos participantes a formação de um grupo de 05(cinco) guarani para a realização de intercâmbio em algumas aldeias que enviaram representantes ao encontro. A missão deste grupo era levar as propostas indicadas no Encontro Tenonderã para essas aldeias, com o intuito de recolher a posição dos guarani que não puderam estar presentes no evento, em especial os Xeramoĩ (aciões) e Ñãnderu-Ixá (Caciques) das diversas aldeias do Estado de São Paulo. 

Como fruto dessa discussão foi elaborado a “Carta Tenonderã”, além de um documentário de 20 minutos, a serem enviados às aldeias participantes do encontro, aos órgãos públicos e entidades privadas, das áreas de Meio Ambiente, Educação, Esporte e Saúde, Cultura e Território.


CARTA TENONDERÃ

O Guarani é um grande conhecedor da Ka’aguy ovy que o Juruá, o não-índio, chama de Mata Atlântica. A Ka’aguy ovy é um espaço sagrado, é a morada de Ñanderu, o criador da vida. A destruição da Ka’aguy ovy pelo Juruá vem sendo acompanhada por nós Guarani há muito tempo. O Yvy rupa, como chamamos o território tradicional Guarani, vem sendo loteado e desmatado, gerando o esgotamento dos recursos naturais da Ka’aguy ovy

Hoje, temos acompanhado o Juruá se mobilizando para resolver os problemas ambientais criados por seu modelo de desenvolvimento. Para o Guarani não é novidade o que vem acontecendo. Os Xeramoĩ, que são nossas autoridades espirituais, já nos alertavam há muito tempo, que um dia o Juruá iria perceber as conseqüências que suas atividades vêm trazendo ao meio ambiente. Por causa disso a natureza vem enviando sinais em forma de secas, enchentes, furacões e mudanças climáticas.

O mundo Juruá trata da natureza somente como um bem capital. Nossos antepassados nos ensinaram que os recursos da natureza devem ser usados com sabedoria. Os Juruás que poluem os rios e derrubam as matas não estão sendo sábios porque comprometem o equilíbrio da vida em prejuízo de todos, por isso, somos contrários a maneira como o Juruá vem tratando da natureza. 

Os Xeramoĩ nos dizem que os animais são seres sagrados porque possuem um ser divino dentro de si; que o Homem não pode ser dono da água porque a água pertence a todas as formas de vida; que o Guarani deve respeitar os animais e os rios, porque servem a Criação e fornecem o alimento de nossas famílias. Aprendemos que a chuva que cai na Terra, enviada por Ñanderu, vem para alimentar a vida e limpar as impurezas do mundo. A água é parte importante de nossas cerimônias religiosas como o Yy Ñemongarai, o batismo de nominação Guarani. 

O Guarani respeita a Criação, o Juruá ainda não aprendeu a respeitar, por isso, a natureza está dando sinais de alerta. O Guarani contempla as belezas da natureza, o Juruá não aprendeu a apreciar. Nossos Xeramoĩ sempre têm nos falado, que os problemas ambientais atuais não serão resolvidos pela ciência do Juruá e sim pela consciência da obra de Ñanderu. Para isso, nossos Xondaro, que são os guardiões da Opÿ, a casa de reza, com a sabedoria transmitida por nossos Xeramoĩ, saberão transmitir ao Juruá a forma Guarani de conviver em harmonia com a natureza, trabalhando juntos para a preservação da Ka’aguy ovy em benéfico da vida e de todos os povos.


PROPOSTAS DA "CARTA TENONDERÃ" 

I. Meio ambiente
  1. Participação nas políticas ambientais em nível municipal, estadual e federal, em consenso com o Capitulo 26 da Agenda 21 Global que trata do “Reconhecimento e Fortalecimento do Papel das Populações Indígenas e suas Comunidades”;
  2. Participação em projetos ambientais da Floresta Atlântica focados na geração de renda, de acordo com a Lei 11.428 de 22 de dezembro de 2.006 ou “Lei da Mata Atlântica”, que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa dos domínios da Mata Atlântica;
  3. Participação nos conselhos e discussões que tratam da Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605/98); do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei Federal 9985/00) e Código Florestal (Lei Federal 4.771/65);
  4. Criação do Conselho Nacional Guarani para o Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em consonância com o artigo 225 da Constituição Federal;
  5. Envio de materiais informativos (vídeo, revistas, livros) sobre meio ambiente e sustentabilidade para as organizações Guarani a fim de trazer informações sobre as atuais políticas ambientais em nível municipal, estadual e federal.


II. Educação
  1. Inserção de temas ambientais na escola Guarani, em consonância com a Lei Federal nº 9.795 de 27 de abril de 1.999, que trata da Política Nacional de Educação Ambiental;
  2. Apoio do Ministério da Educação, Secretaria Estadual de Educação e Secretaria Municipal de Educação para a valorização dos escritores Guarani com produção de material didático a serem usados nas escolas Guarani;
  3. Formação e contratação de professores Guarani para atuação nas comunidades junto à questão ambiental;
  4. Participação Guarani no desenvolvimento dos conteúdos da Lei Federal nº 11.645/08, que determina a obrigatoriedade do ensino da história indígena e afro-brasileira nas escolas do ensino público e privado;
  5. Valorização e incentivo a alimentação tradicional.


III. Esporte e saúde
  1. Promoção de jogos, danças e brincadeiras tradicionais com intercâmbio entre as comunidades, conforme estabelecido no inciso IV do artigo 217 da Constituição Federal, que determina ao Estado a “promoção e fomento do esporte de criação nacional e de identidade cultural” e artigo 84 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA);
  2. Cumprimento das diretrizes do tópico 3.3.3 da Agenda 21 Olímpica que trata do “Reconhecimento e a Promoção das Populações Indígenas”;
  3. Criação de agremiações esportivas locais com o propósito de desenvolver a prática do esporte nas comunidades Guarani;
  4. Inserção da educação física no currículo escolar Guarani, ministrada por professores Guarani com a tarefa de promover e registrar os jogos, danças e brincadeiras tradicionais;
  5. Parceria com universidades no desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa extensão universitária, conforme artigo 207 da Constituição Federal em atividades relacionadas à educação física e esporte.

IV. Cultura
  1. Fortalecimento da cultura Guarani com realização de 02 (dois) Tenonderã anuais (São Paulo e outro estado), sempre com a participação dos Xeramoĩ e Xejary e convidados de outros estados pra maior fortalecimento da cultura e troca de experiências (Nhanderekó);
  2. Promoção do evento “Cultura Guarani” nas escolas publicas e privadas, para difusão do conhecimento indígena e sua relação com o meio ambiente, com participação de professores Guarani 11645-08;
  3. Participação no calendário das atividades culturais dos municípios de São Paulo, difundindo a cultura Guarani e sua relação intrínseca com o meio ambiente. Assim como, divulgar a influência indígena na toponímia das cidades, realizando eventos nos lugares com nomes de origem tupi-guarani;
  4. Valorização do artesanato tradicional com plantio de matéria-prima;
  5. Fortalecimento de projetos de turismo sustentável com geração de renda para as comunidades.

V. Território
  1. Demarcação e reconhecimento de todos territórios tradicionais Guarani do Estado de São Paulo, ocupados tradicionalmente e ainda sem providências de definição como Terra Indígena oficial. Conforme exposto no artigo 231 da Constituição Federal que “reconhece aos povos indígenas a sua organização social, costumes, línguas, crenças, tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo a União demarcá-la, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”;
  2. Criação de um Parque Indígena Guarani, reunindo e interligando todas as aldeias da Serra do Mar. Este Parque pode ser a Zona de Amortecimento das seguintes áreas protegidas: PARNA Superaguí, PE Ilha do Cardoso, PE Jacupiranga, ESEC Juréia-Itatins, PE Serra do Mar e PARNA Bocaina. Garantido a proteção dos territórios de passagem dos guarani pela Mata Atlântica no estado de São Paulo, interligando o estado do Paraná com o estado do Rio de Janeiro. A criação do Parque Indígena Guarani é embasado no Art. 231 da Constituição Federal, na Lei Federal 6.001/73 (Estatuto do Índio) e Decreto Federal 1 .775/96.
  3. Participação nos conselhos de todas as áreas protegidas em que há presença de Guarani, como o Parque Nacional do Superaguí, Parque Estadual Ilha do Cardoso, Parque Estadual Jacupiranga, Estação Ecológica Juréia-Itatins, Parque Estadual da Serra do Mar e do Parque Nacional da Bocaina. Esta participação é garantida pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Lei Federal 9.985/00 e Decreto Federal 4.340/02.
  4. Participação Guarani em projetos de recuperação ambiental de áreas degradadas dos territórios tradicionais, de acordo com o Decreto Federal nº 1.141 de 05 de maio de 1.994, que trata das “Ações de Proteção Ambiental, Saúde e Apoio as Atividades Produtivas para as Comunidades Indígenas”;
  5. Compreender, respeitar e garantir aos índios sua permanência voluntária em seu habitat, proporcionando meios para o seu desenvolvimento e forma de subsistência, além de garantir-lhes condições ideais para manutenção de sua cultura, conforme disposto sobre o estatuto do índio na lei 6.001 de 19 de dezembro de 1973.

PROPOSTAS TRANSVERSAIS
  • Realização de oficinas com juruás (não indígenas) especialistas nas áreas de MEIO AMBIENTE, EDUCAÇÃO, ESPORTE E SAÚDE, CULTURA E TERRITÓRIO. 
  • Apoio dos órgãos públicos e entidades privadas para a realização de encontros semestrais entre os guarani, nos moldes do Encontro Tenonderã, para a discussão dos temas elencados nesta carta como relevantes.



Aldeias Guarani Mbyá que Assinam a Carta Tenonderã”

Terra Indígena
Aldeia
Município/UF
Bairro
Guarani da Barragem
Tenondé Porã
São Paulo/SP
Parelheiros
Jaraguá
Pyaú
Ytu
São Paulo/SP
Jaraguá
Krukutu
Krukutu
São Paulo/SP
Parelheiros
Boa Vista Sertão do Promirin
Jaejaa Porã
Ubatuba/SP
Pró-Mirin
Guarani Araponga
Araponga
Parati/RJ

Guarani do Aguapeú
Aguapeú
Mongaguá/SP

Guarani do Bracuí
Sapukai
Angra dos Reis/RJ
Bracuí
Itaóca
Itaóca
Mongaguá/SP

Parati-Mirin
Itatins
Parati/RJ
Parati-Mirin
Peguaoty
Peguao-Ty
Sete Barras/SP

Ribeirão Silveira
Boracéia
Bertioga/SP
São Sebastião/SP
Salesópolis/SP
Boracéia
Sem providências
Pacuri-Ty
Cananéia/SP
Ilha do Cardoso
Sem providências
Rio Branquinho
Cananéia/SP

Sem providências
Uruy-ty
Miracatu/SP

Sem providências
Pindó-ty
Pariquera-Açú/SP



Tenondé Porã, São Paulo dos Campos de Piratininga, 15 de novembro de 2009.
(Aniversário da Proclamação da República Federativa do Brasil)

Uma visão socioambiental sobre a fronteira no Cerrado


Resenha do livro:
Fronteira Cerrado: sociedade e natureza no Oeste do Brasil.
Goiânia: Editora da PUC Goiás; Gráfica e Editora América, 2013. 368p. ISBN 9788582640159

Organizado por:
Sandro Dutra e Silva
José Paulo Pietrafesa
José Luiz Andrade Franco
José Augusto Drummond
Giovana Galvão Tavares

Capa do livro Fronteira Cerrado: sociedade e natureza no Oeste do Brasil. Goiânia: Editora da PUC-Goiás; Gráfica e Editora América, 2013. (Org) Silva, S. D.; Pietrafesa, J. P.; Franco, J. L. A.; Drummond, J. A.; Tavares, G. G.
Capa do livro Fronteira Cerrado: sociedade e natureza no Oeste do Brasil.

O livro utiliza o conceito de “fronteira” para aglutinar artigos relacionados à sociedade e à natureza do Cerrado brasileiro. A publicação é uma continuação da parceria entre o Centro Universitário de Anápolis (Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente) e a Universidade de Brasília (Centro de Desenvolvimento Sustentável e Programa de Pós-Graduação em História), que deu origem, em 2012, ao livro História Ambiental: fronteiras, recursos naturais e conservação da natureza.

A obra é dividida em três partes: fronteiras do oeste; fronteira e natureza; e novas fronteiras. O grupo de autores que redigem os 20 textos da obra é formado em sua maioria por historiadores, mas também por cientistas sociais e biólogos, além de alguns geógrafos, administradores, contadores, engenheiros e matemáticos. A maior parte dos artigos têm como pano-de-fundo o espaço territórial do estado de Goiás. Entretanto, outros estados onde há presença do bioma Cerrado foram contemplados de alguma forma em alguns artigos. 


No conjunto, trata-se de uma coletânea bastante diversificada, em termos de abordagens, cujo eixo articulador refere-se às dinâmicas de ocupação, enfrentamentos e disputas em torno do Cerrado. O livro é recomendado a pesquisadores interessados sobre a história e o ambiente do bioma Cerrado, ou seja, a sua história ambiental.

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Leia na íntegra... 
Clique aqui para baixar a resenha completa a partir de nosso banco de dados. 

Clique aqui para acessar o original da resenha publicada na revista Sustentabilidade em Debate - ISSN: 2177-7675, ESSN: 2179-9067, v. 5, n. 3, p. 120-125, set/dez 2014, editada pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável, da Universidade de Brasília.
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SUMÁRIO
Prefácio
Lucia Lippi Oliveira

Apresentação
Os organizadores
Parte I
Fronteiras do Oeste

A certidão de nascimento de Goiás: uma cartografia histórica da Fronteira
Antônio Teixeira Neto

Coronéis e camponeses: a fronteira da fronteira e a tese da “ficção geográfica” em Goiás. 
Francisco Itami Campos 
Sandro Dutra e Silva

A Fronteira Ouro e outras fronteiras nas gerais do Oeste: história ambiental e mineração em Pilar Goiás nos séculos XVIII e XIX
Maria de Fátima, Sandro Dutra e Silva
Giovana Galvão Tavares

Fundação Brasil Central e as relações entre Estado e territórios no Brasil. 
João Marcelo Ehlert Maia

O medo dos colonizadores em relação ao indígena na expansão da fronteira colonizadora em Goiás nos séculos XVIII e XIX
Eliézer Cardoso de Oliveira

Uma cidade nos caminhos do “sertão” de Goiás
Gercinair Silverio Gandara

Sertão Cerrado
Euripedes Funes
Parte II
Fronteira e Natureza

As reservas particulares do Patrimônio Natural e a conservação da natureza na Chapada dos Veadeiros
Priscylla Cristina Alves de Lima
José Luiz de Andrade Franco

A expansão pioneira no Noroeste Paulista: os Albuns Illustrados como documentação para uma História Ambiental da fronteira (1900-1930)
Marcelo Lapuente Mahl

Fronteiras no Cerrado e terras quilombolas em Goiás: os Almeida de São Sebastião da Garganta
Julia Bueno de Morais Silva

Política de Unidades de Conservação do Estado de Goiás: avaliação da eficácia de gestão
Edna de Araújo Andrade
Genilda D’arc Bernardes

Flora do Cerrado: perspectivas para estudo de conservação biológica e bioprospecção
Mara Rúbia Magalhães
Josana de Castro Peixoto 
Mirley Luciene dos Santos

Mudanças climáticas globais e distribuição geográfica de espécies: modelo de nicho aplicado a uma espécie de cupim e de árvore do Cerrado
João Carlos Nabout
Pedro Paulino Borges
Karine Borges Machado
Érica Diniz Ferreira
Solange Xavier dos Santos
Hélida F. da Cunha
Parte III
Novas Fronteiras

Formação e expansão da fronteira agrícola em Goiás: a construção de indicadores de modernização
Fernando Pereira dos Santos
Fausto Miziara

Capital internacional e novas fronteiras na produção de bioenergias: estudo de caso de questões sócio ambientais
José Paulo Pietrafesa
Pedro Pietrafesa

Rede empresarial para expansão da soja transgênica no Cerrado goiano
Luís Cláudio Martins de Moura
Joel Orlando Beviláqua Marin

Clero católico, pequenos agricultores e grande capital no vale mato-grossense do rio Araguaia (1971-1972): a visão do Sistema Nacional de Segurança e Informações - SISNI
Dulce Portilho Maciel

Goiânia: um marco na transformação do sertão e apropriação das áreas de cerrado
Janes Socorro da Luz

Mudanças de uso do solo na Alta Bacia do Rio Araguaia e as relações com as políticas públicas de 1975 a 2010
Karla Maria Silva de Faria
Selma Simões de Castro

Conservação da biodiversidade no bioma Cerrado: ameaças e oportunidades
Roseli Senna Ganem
José Augusto Drummond
José Luiz de Andrade Franco

Sobre os Autores


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Povos do Planalto Central e adjacências nos séculos XVII, XVIII e XIX


Resumo
O artigo localiza povos indígenas que habitavam o Planalto Central e regiões adjacentes nos séculos  XVII, XVIII e XIX. São utilizados como fonte o mapa etnohistórico de Curt Nimuendaju e o etnolinguístico de Čestmír Loukotka. Também é realizado um mapeamento inédito da localização de etnias constantes nos históricos municipais do banco de dados IBGE cidades. São ilustradas, por meio de mapas temporais as sucessivas ocupações indígenas da região em intervalos de 50 em 50 anos, desde o ano de 1700 até o ano de 1900. As conclusões são de que houve, pelo menos, 200 etnias no Planalto Central e adjacências.

Palavras-Chave: Etnogeografia; Cartografia Indígena; Índios; Brasil Central.


Introdução

O primeiro estudo relevante preocupado em mapear a localização dos povos indígenas no Brasil é devido a Carl Martius (1867a). O referido autor agrupou todas as famílias linguísticas indígenas brasileiras que se tinha notícia. Foi a primeira vez que se usou o termo “Gê” para se denominar a família linguística atualmente chamada no Brasil de Jê, sua escolha baseou-se no fato de que grande parte dos povos falantes das línguas dessa família utilizam o termo Gê para se autodenominar, como Apinagez, Crangez (Senna, 1908:14), dentre outros como, Kempokatagê, Piocobjê, Kemkatejé, Kanakatejé, Krengez etc.

A família linguística Jê abrange a maioria dos povos que vivem (e viveram) nos cerrados goianos, mineiros, baianos, maranhenses e piauienses, chamados no presente artigo de Gerais do Planalto Central, na época das invasões luso-brasileiras. Além deles, alguns tupis, kariris, pimenteiras dentre outros, também estiveram presentes de alguma forma (Santos, 2013).


Mapa Etno-linguístico do Planalto Central e adjacências - por volta do ano de 1700 d.C.
Mapa Etno-linguístico do Planalto Central do Brasil e adjacências - por volta do ano de 1700 d.C.

Conclusão

O presente artigo procurou apresentar por meio de mapas e quadros a multietnicidade que existiu no Planalto Central e adjacências. Ao total foram identificados 200 povos na região, destes, 112 já constavam no mapa de Nimuendaju. Dos 88 adicionados, 61 foram identificados no mapa de Loukotka, 22 nos históricos municipais do IBGE, e 5 em ambas fontes. 

Ao total foram 509 locais onde situavam estas etnias, apresentados nos mapas finais, sendo que 208 já constavam no mapa de Nimuendaju. Os 301 novos locais foram extraídos da seguinte forma: 154 no de Loukotka, 139 nos históricos municipais e 8 em cartografia histórica.

Atualmente os poucos povos indígenas do Cerrado estão encurralados nos pequenos fragmentos do bioma que ainda restam. Com o avanço da monocultura sobre essas áreas, certamente eles desaparecerão, e com eles, um conhecimento que vêm de mais de 10.000 anos sobre essa porção do planeta Terra. Para evitar isso é necessário estratégias de resgate e valorização do patrimônio cultural e natural do Cerrado, criando áreas protegidas e fomentando projetos de valorização etno-ambiental, incluindo aí os povos indígenas como fontes de informação e como agentes nessa conservação.

A educação da nossa sociedade é fundamental para se reverter esse processo. É preciso que nossas crianças saibam do passado incidido sob o território de suas atuais moradas. Povos sofreram para que a nossa sociedade nacional pudessem ter e ser o que é hoje. É parte de nossa identidade esse nosso passado. Os erros foram nossos e, portanto, temos que corrigi-los.

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Artigo publicado nos anais do 2.º Simpósio Brasileiro de Cartografia Histórica, organizado pelo Centro de Referência em Cartografia Histórica da Universidade Federal de Minas Gerais; e que ocorreu na cidade de Tiradentes-MG, em 2014.

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