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Indígenas de Goiás na visão de Saint-Hilaire


No presente texto, busco analisar os registros do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire a respeito dos povos originários que viviam na então capitania de Goyaz no ano de 1819.

As bases epistemológicas do presente capítulo são inspiradas nas ideias das epistemologias do sul em Sousa Santos e Meneses (2010), que questionam a superioridade cultural do norte global e buscam dar visibilidade às culturas ausentes ou desdenhadas nas narrativas históricas estabelecidas por aqueles que invadiram territórios ou escravizaram povos para fi ns de se estabelecerem no topo do domínio econômico, social e cultural do mundo.

Assim, inicio o presente capítulo retratando o quadro dos povos indígenas visitados pelo referido explorador francês com uma análise sobre a resistência desses povos em relação aos invasores luso-brasileiros. Logo após, são retratados os aldeamentos (reduções ou presídios) indígenas visitados pelo viajante oitocentista, seguidos por análises sobre suas opiniões quanto ao regime sob o qual os nativos foram submetidos. Por fi m, as impressões de Saint-Hilaire em seus encontros com os povos originários em Goiás são analisadas.

O texto participa, portanto, da ideia de descolonização do pensamento latino-americano (Quijano, 2000), que busca dar visibilidade e voz, por meio de um viés decolonizante, às identidades latino-americanas marginalizadas pela cultura dominante, eurocentrista. Isso, sobretudo, em relação aos povos originários de Abya Yala, como é chamado o continente americano pelos povos nativos (Declaración de Kito, 2004).

(...)



Considerações Finais

Como vimos, a realidade dos povos originários em Goiás no momento da passagem do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire era dramática. Depois de 150 anos das primeiras invasões luso-brasileiras naqueles territórios no século XVII, suas condições de vida foram se deteriorando ano após ano, chegando ao ponto de o referido explorador prognosticar a eliminação total desses povos em pouco tempo.

Entrementes, o que vemos atualmente é um singelo fortalecimento da identidade e territorialidade indígena no país. Os poucos que sobreviveram ao genocídio e ao etnocídio, às duras custas, lutam pela garantia de sua sobrevivência enquanto povo etnicamente estabelecido, cujas raízes estão fincadasno solo de Abya Yala desde tempos pré-cabralinos.

A luta destes povos não acabou, e atualmente o avanço para o oeste da frente invasora retoma seu vigor mais forte do que nunca, na figura do mais cruel e arcaico agronegócio: desmatador, latifundiário, monoculturista e agrointoxicado. Entorpecidos por um suposto progresso que nunca vem, eles tentam a todo o custo esbulhar e desmatar os territórios indígenas, e transformar essas pessoas em mais lenha para sua fogueira, alimentada pela obsessiva privatização e destruição da natureza. Nada muito diferente dos tempos de Saint-Hilaire (1848, p. 293-294), que tomou partido em um dos lados da história:

Não nos devemos pois, admirar de que os portugueses (...) invejassem a terra dos índios; mas fi ca-se com o coração apertado quando se pensa em que não se quer deixar, sequer, algumas léguas, a esses que foram, ainda a tão pouco tempo, os senhores de toda a América.

Esse último excerto do naturalista que exponho aqui demonstra que esta luta não é só dos povos originários, mas de todos aqueles que prezam pela existência da maior riqueza que temos no planeta: a vida, diversa, bioculturalmente.



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(Disponível apenas na versão impressa)

Capítulo de Rodrigo Martins dos Santos publicado entre as páginas 247e 265 da obra BARBO, Lenora (org). Uma viagem pelo sertão: 200 anos de Saint-Hilaire em Goiás. Jundiái-SP: Paco, 2021.


Diversidade Humana no Cerrado


Consultoria para a exposição "Cerrado: Uma Janela para o Planeta", que ocorreu no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, de 05 de setembro a 19 de outubro de 2014.


Consultoria realizada sob financiamento do Deutsche Gesellchaft für Internationale Zusammenarbeit - GIZ, sob supervisão técnica de Monica Menkes, do Museu de Ciência e Técnologia do Distrito Federal, e Maria Júlia Chelini, do Museu de Geociências da Universidade de Brasília.

Temas inicialmente definidos para pesquisa sobre a diversidade humana no cerrado:
  • Os primeiros seres humanos que habitaram o Cerrado
  • Diversidade etno-linguística do Cerrado
  • Ocupação e conversão do Cerrado

Temas identificados pela supervisão técnica como relevantes para a exibição:
  • Geraizeiros, uma comunidade tradicional do Cerrado
  • Quadro-síntese da história da ocupação humana no Cerrado
  • Idiomas no Cerrado
  • Uso do fogo por povos indígenas e comunidades tradicionais do Cerrado

Produtos entregues pela consultoria realizada:



Uma visão socioambiental sobre a fronteira no Cerrado


Resenha do livro:
Fronteira Cerrado: sociedade e natureza no Oeste do Brasil.
Goiânia: Editora da PUC Goiás; Gráfica e Editora América, 2013. 368p. ISBN 9788582640159

Organizado por:
Sandro Dutra e Silva
José Paulo Pietrafesa
José Luiz Andrade Franco
José Augusto Drummond
Giovana Galvão Tavares

Capa do livro Fronteira Cerrado: sociedade e natureza no Oeste do Brasil. Goiânia: Editora da PUC-Goiás; Gráfica e Editora América, 2013. (Org) Silva, S. D.; Pietrafesa, J. P.; Franco, J. L. A.; Drummond, J. A.; Tavares, G. G.
Capa do livro Fronteira Cerrado: sociedade e natureza no Oeste do Brasil.

O livro utiliza o conceito de “fronteira” para aglutinar artigos relacionados à sociedade e à natureza do Cerrado brasileiro. A publicação é uma continuação da parceria entre o Centro Universitário de Anápolis (Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente) e a Universidade de Brasília (Centro de Desenvolvimento Sustentável e Programa de Pós-Graduação em História), que deu origem, em 2012, ao livro História Ambiental: fronteiras, recursos naturais e conservação da natureza.

A obra é dividida em três partes: fronteiras do oeste; fronteira e natureza; e novas fronteiras. O grupo de autores que redigem os 20 textos da obra é formado em sua maioria por historiadores, mas também por cientistas sociais e biólogos, além de alguns geógrafos, administradores, contadores, engenheiros e matemáticos. A maior parte dos artigos têm como pano-de-fundo o espaço territórial do estado de Goiás. Entretanto, outros estados onde há presença do bioma Cerrado foram contemplados de alguma forma em alguns artigos. 


No conjunto, trata-se de uma coletânea bastante diversificada, em termos de abordagens, cujo eixo articulador refere-se às dinâmicas de ocupação, enfrentamentos e disputas em torno do Cerrado. O livro é recomendado a pesquisadores interessados sobre a história e o ambiente do bioma Cerrado, ou seja, a sua história ambiental.

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Clique aqui para acessar o original da resenha publicada na revista Sustentabilidade em Debate - ISSN: 2177-7675, ESSN: 2179-9067, v. 5, n. 3, p. 120-125, set/dez 2014, editada pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável, da Universidade de Brasília.
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SUMÁRIO
Prefácio
Lucia Lippi Oliveira

Apresentação
Os organizadores
Parte I
Fronteiras do Oeste

A certidão de nascimento de Goiás: uma cartografia histórica da Fronteira
Antônio Teixeira Neto

Coronéis e camponeses: a fronteira da fronteira e a tese da “ficção geográfica” em Goiás. 
Francisco Itami Campos 
Sandro Dutra e Silva

A Fronteira Ouro e outras fronteiras nas gerais do Oeste: história ambiental e mineração em Pilar Goiás nos séculos XVIII e XIX
Maria de Fátima, Sandro Dutra e Silva
Giovana Galvão Tavares

Fundação Brasil Central e as relações entre Estado e territórios no Brasil. 
João Marcelo Ehlert Maia

O medo dos colonizadores em relação ao indígena na expansão da fronteira colonizadora em Goiás nos séculos XVIII e XIX
Eliézer Cardoso de Oliveira

Uma cidade nos caminhos do “sertão” de Goiás
Gercinair Silverio Gandara

Sertão Cerrado
Euripedes Funes
Parte II
Fronteira e Natureza

As reservas particulares do Patrimônio Natural e a conservação da natureza na Chapada dos Veadeiros
Priscylla Cristina Alves de Lima
José Luiz de Andrade Franco

A expansão pioneira no Noroeste Paulista: os Albuns Illustrados como documentação para uma História Ambiental da fronteira (1900-1930)
Marcelo Lapuente Mahl

Fronteiras no Cerrado e terras quilombolas em Goiás: os Almeida de São Sebastião da Garganta
Julia Bueno de Morais Silva

Política de Unidades de Conservação do Estado de Goiás: avaliação da eficácia de gestão
Edna de Araújo Andrade
Genilda D’arc Bernardes

Flora do Cerrado: perspectivas para estudo de conservação biológica e bioprospecção
Mara Rúbia Magalhães
Josana de Castro Peixoto 
Mirley Luciene dos Santos

Mudanças climáticas globais e distribuição geográfica de espécies: modelo de nicho aplicado a uma espécie de cupim e de árvore do Cerrado
João Carlos Nabout
Pedro Paulino Borges
Karine Borges Machado
Érica Diniz Ferreira
Solange Xavier dos Santos
Hélida F. da Cunha
Parte III
Novas Fronteiras

Formação e expansão da fronteira agrícola em Goiás: a construção de indicadores de modernização
Fernando Pereira dos Santos
Fausto Miziara

Capital internacional e novas fronteiras na produção de bioenergias: estudo de caso de questões sócio ambientais
José Paulo Pietrafesa
Pedro Pietrafesa

Rede empresarial para expansão da soja transgênica no Cerrado goiano
Luís Cláudio Martins de Moura
Joel Orlando Beviláqua Marin

Clero católico, pequenos agricultores e grande capital no vale mato-grossense do rio Araguaia (1971-1972): a visão do Sistema Nacional de Segurança e Informações - SISNI
Dulce Portilho Maciel

Goiânia: um marco na transformação do sertão e apropriação das áreas de cerrado
Janes Socorro da Luz

Mudanças de uso do solo na Alta Bacia do Rio Araguaia e as relações com as políticas públicas de 1975 a 2010
Karla Maria Silva de Faria
Selma Simões de Castro

Conservação da biodiversidade no bioma Cerrado: ameaças e oportunidades
Roseli Senna Ganem
José Augusto Drummond
José Luiz de Andrade Franco

Sobre os Autores


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Povos do Planalto Central e adjacências nos séculos XVII, XVIII e XIX


Resumo
O artigo localiza povos indígenas que habitavam o Planalto Central e regiões adjacentes nos séculos  XVII, XVIII e XIX. São utilizados como fonte o mapa etnohistórico de Curt Nimuendaju e o etnolinguístico de Čestmír Loukotka. Também é realizado um mapeamento inédito da localização de etnias constantes nos históricos municipais do banco de dados IBGE cidades. São ilustradas, por meio de mapas temporais as sucessivas ocupações indígenas da região em intervalos de 50 em 50 anos, desde o ano de 1700 até o ano de 1900. As conclusões são de que houve, pelo menos, 200 etnias no Planalto Central e adjacências.

Palavras-Chave: Etnogeografia; Cartografia Indígena; Índios; Brasil Central.


Introdução

O primeiro estudo relevante preocupado em mapear a localização dos povos indígenas no Brasil é devido a Carl Martius (1867a). O referido autor agrupou todas as famílias linguísticas indígenas brasileiras que se tinha notícia. Foi a primeira vez que se usou o termo “Gê” para se denominar a família linguística atualmente chamada no Brasil de Jê, sua escolha baseou-se no fato de que grande parte dos povos falantes das línguas dessa família utilizam o termo Gê para se autodenominar, como Apinagez, Crangez (Senna, 1908:14), dentre outros como, Kempokatagê, Piocobjê, Kemkatejé, Kanakatejé, Krengez etc.

A família linguística Jê abrange a maioria dos povos que vivem (e viveram) nos cerrados goianos, mineiros, baianos, maranhenses e piauienses, chamados no presente artigo de Gerais do Planalto Central, na época das invasões luso-brasileiras. Além deles, alguns tupis, kariris, pimenteiras dentre outros, também estiveram presentes de alguma forma (Santos, 2013).


Mapa Etno-linguístico do Planalto Central e adjacências - por volta do ano de 1700 d.C.
Mapa Etno-linguístico do Planalto Central do Brasil e adjacências - por volta do ano de 1700 d.C.

Conclusão

O presente artigo procurou apresentar por meio de mapas e quadros a multietnicidade que existiu no Planalto Central e adjacências. Ao total foram identificados 200 povos na região, destes, 112 já constavam no mapa de Nimuendaju. Dos 88 adicionados, 61 foram identificados no mapa de Loukotka, 22 nos históricos municipais do IBGE, e 5 em ambas fontes. 

Ao total foram 509 locais onde situavam estas etnias, apresentados nos mapas finais, sendo que 208 já constavam no mapa de Nimuendaju. Os 301 novos locais foram extraídos da seguinte forma: 154 no de Loukotka, 139 nos históricos municipais e 8 em cartografia histórica.

Atualmente os poucos povos indígenas do Cerrado estão encurralados nos pequenos fragmentos do bioma que ainda restam. Com o avanço da monocultura sobre essas áreas, certamente eles desaparecerão, e com eles, um conhecimento que vêm de mais de 10.000 anos sobre essa porção do planeta Terra. Para evitar isso é necessário estratégias de resgate e valorização do patrimônio cultural e natural do Cerrado, criando áreas protegidas e fomentando projetos de valorização etno-ambiental, incluindo aí os povos indígenas como fontes de informação e como agentes nessa conservação.

A educação da nossa sociedade é fundamental para se reverter esse processo. É preciso que nossas crianças saibam do passado incidido sob o território de suas atuais moradas. Povos sofreram para que a nossa sociedade nacional pudessem ter e ser o que é hoje. É parte de nossa identidade esse nosso passado. Os erros foram nossos e, portanto, temos que corrigi-los.

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Artigo publicado nos anais do 2.º Simpósio Brasileiro de Cartografia Histórica, organizado pelo Centro de Referência em Cartografia Histórica da Universidade Federal de Minas Gerais; e que ocorreu na cidade de Tiradentes-MG, em 2014.

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MEMÓRIA XAKRIABA: migrações e mudanças alimentares

Rodrigo Martins dos Santos
Santo Caetano Barbosa, Cacique Xakriabá da aldeia Morro Vermelho (Catito)


Resumo
Apresentamos elementos da alimentação da etnia Xakriabá a partir de relatos orais de seus anciões de aldeias, no município de São João das Missões, Minas Gerais. A pesquisa visou responder às seguintes questões: Quais eram os alimentos (ingredientes e pratos) que existiam no passado e que, atualmente, não fazem mais parte da alimentação do  povo Xakriabá? Quais fatores contribuíram para essa transformação alimentar? Utilizamos a  técnica  da história de vida, por meio de registro de entrevistas com questões abertas.  Ferramentas de representação geográfica foram utilizadas na  análise espaço-temporal, no entanto, grande parte dos dados registrados e apresentados são de caráter  etnográfico, demonstrando uma transdisciplinaridade presente no estudo. A conclusão é  de  que muitas espécies nativas, utilizadas na alimentação dos antigos indígenas dessa etnia, desapareceram das roças de seus descendentes, bem como, grande parte dos pratos da culinária tradicional. Os motivos foram: o abandono de áreas tradicionais, devido à pressão do avanço da frente colonial-pecuarista dos luso-brasileiros  sobre o território tradicional Xakriabá, e, mais recentemente, a chegada de alimentos industrializados. 

Palavras-Chave: Alimentação, Oralidade, Indígena, Xakriabá.




Em 2012.
Localização do território Xakriabá em 2012. Org. Rodrigo Santos. 


Abstract
We present elements of the diet of  the Xakriabá, an indigenous ethnic group, according to their elders' oral accounts, collected in villages of  the municipality of São João das Missões, State of Minas Gerais, Brazil. The aim of this research, based on semi-direct interviews and life histories, was to answer the following questions: What kind of food (and ingredients) that they had in the past are no longer part of their diet? Which factors have contributed to diet change?  Tools geographical representation were used to analyze space-time, however, much of the recorded and presented data are ethnography, demonstrating a transdisciplinarity in this study.  As a conclusion, many native food species are no longer cultivated, and most dishes of their traditional cuisine have disappeared. The main reasons for these changes are, first, the pressure caused by  the Luso-Brazilian colonizing front, and then, the arrival of industrialized food.

Keywords: Food, Oral History, Amerindians, Xakriabá.


Résumé
L’article présente l’alimentation des Indiens Xakriabá, à partir de témoignages oraux de membres âgés de cette ethnie  recueillis à São  João das Missões, dans  l’état de Minas Gerais, au Brésil. L’objectif de la recherche, menée à partir d’entretiens semi-directifs et de recueils d’histoires de vie, a été de répondre aux questions suivantes: Quels  aliments (ingrédients et plats) consommés dans le passé ne font plus partie de l’alimentation actuelle des Xakriabá? Quelles sont les causes de ces changements?  Outils de la représentation géographique ont été utilisés pour analyser l'espace-temps, cependant, la plupart des enregistrées et présentées données sont ethnographie, ce qui démontre une transdisciplinarité dans cette étude.  En conclusion, de nombreuses espèces végétales, utilisées dans l'alimentation traditionnelle de ce groupe amérindien, ne sont plus cultivées aujourd’hui, et de nombreux  plats qui leur étaient associés ne sont plus cuisinés. Les causes principales sont, d’une part, l’avancée du front de colonisation luso-brésilien qui, à partir du 17e  siècle, a progressivement repoussé les Indiens en marge des meilleures terres et, d’autre part, plus récemment,  l'arrivée des aliments industrialisés. 

Mots-Clés: Alimentation, Oralité, Amérindiens, Xakriabá.



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Clique aqui para acessar o artigo original, publicado na revista Ateliê Geográfico - ISSN: 1982-1956, v. 6, n.3 (Ed. Especial), out/2012, p. 72-94, editada pelo Instituto de Estudo Sócio-Ambientais, da Universidade Federal de Goiás.

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Etno-história na oralidade Xakriabá: retomando o Rio São Francisco em Minas Gerais, Brasil

Rodrigo Martins dos Santos
Ludivine Eloy


RESUMO

Apresenta elementos da história do povo Xakriabá a partir de relatos orais de moradores de aldeias do município de São João das Missões, Minas Gerais. As perguntas centrais desta pesquisa são: Como foi o contato do Xakriabá com o colonizador? Quais foram os fatos marcantes que estão na memória do povo? Quais foram as conquistas? Para esta investigação foi adotado o uso da história de vida como técnica de abordagem aos entrevistados, aplicada em novembro de 2011. Como material de apoio utilizou-se cartografia, documentos históricos, teses, dissertações e livros. O diferencial desta abordagem está nos produtos gerados: ilustrações na forma de mapas, transectos da paisagem (perfis de caminhamento) e cronologia dos fatos. Os relatos apresentam informações de que os Akwén-Xakriabá, também conhecidos como Caboclos do Senhor São João, viviam às margens do rio São Francisco, de onde foram expulsos primeiramente devido à guerras com os bandeirantes no final do século XVII. Em seguida, no século XVIII, após apoiarem os colonos na expulsão dos índios Cayapó, e os jesuítas implantarem uma missão em seu território, recebem terras na forma de “doação”. Nos anos que se sucederam foram miscigenando com negros e camponeses brancos, até que no final do século XIX são pressionados por pecuaristas, e passam a viver nas serras. Com a chegada dos projetos de “reforma agrária” do governo militar em meados da década de 1960, suas terras são alvo de esbulho pelo estado de Minas Gerais. A partir de então, os Xakriabá buscam apoio da FUNAI, que por sua vez inicia o processo de (re)conhecimento da indianidade dos Caboclos. Foi uma violenta trajetória até conseguirem a demarcação de parte de seu território como terra indígena, muitas lideranças foram ameaçadas por fazendeiros locais, culminando na chacina de um cacique e sua família, em 1987. Este trágico episódio mobilizou a mídia nacional e internacional, trazendo enfim a demarcação do primeiro trecho de suas terras. Em 2000 é demarcado o segundo trecho. Mas, continuam reivindicando o acesso ao Rio São Francisco, local de ligação ancestral de seu povo, onde muitos resistem. Após esta breve análise da história dos Xakriabá, poderíamos questionar: Será que muitos indígenas do sertão brasileiro passaram por situações semelhantes, especialmente os povos emergentes do Nordeste? Teriam estes também migrado de terrenos férteis para locais onde os recursos são menos favoráveis, sob pressão dos colonizadores? Questões para outras pesquisas.

Palavras - chave: Território; Xakriabá; Rio São Francisco.


Org. Rodrigo Martins dos Santos
Fluxos Migratórios Xakriabá. Org. Rodrigo M. Santos, 2012.


RESUMEN

Introduce elementos de la historia de los indios Xakriabá por medio de relatos orales de los pobladores en el municipio de São João das Missões, Minas Gerais. Las preguntas centrales de esta investigación son: ¿Cómo fue el contacto entre el Xakriabá y colonizador? ¿Cuáles fueron los hitos que están en la memoria de la gente? ¿Cuáles fueron los logros? Para esta investigación hemos adoptado el uso de la historia de la vida como un enfoque técnico a los encuestados, aplicado en noviembre de 2011. Como material de apoyo se utilizó mapas, documentos históricos, tesis, disertaciones y libros. La diferencia de este enfoque es en los productos generados: ilustraciones en forma de mapas, perfiles del paisaje transecto (perfiles) y la cronología de los acontecimientos. Los informes proporcionan información que Akwen-Xakriabá, también conocido como Caboclos do Senhor São João, vivían en cerca del río San Francisco, donde fueron expulsados ​​debido principalmente a las guerras con los pioneros de finales del siglo XVII. Luego, en el siglo XVIII, después que apoyaron los colonos en la expulsión de los indios Cayapó, y los jesuitas desplegar una misión en su territorio, recibirán la tierra en forma de "regalo". En los años que siguieron fueron miscigenando con agricultores blancos y negros. En finales del siglo XIX son presionados por los proprietários de fincas, y empezan a vivir en las montañas. Con la llegada de los proyectos de "reforma agrario" del gobierno militar de mediados de 1960, sus tierras están sujetas a expropiación por el estado de Minas Gerais. Desde entonces, el Xakriabá buscar el apoyo de la FUNAI, que a su vez inicia el proceso de (re) conocimiento de su indianidad. Fue un camino violento para lograr la demarcación de su territorio, muchos fueron amenazados por los agricultores locales, que culminó en la masacre de un jefe indigena y su familia en 1987. Este trágico episodio movilizó a los medios de comunicación nacionales e internacionales, finalmente, llevar a la demarcación de la primera etapa de sus tierras. En el año 2000 marcó la segunda etapa. Sin embargo, sigue reclamando el acceso al río, lugar ancestral de unión de su pueblo, donde muchos se resisten. Después de este breve análisis de la historia de los Xakriabá, podríamos preguntar: ¿Lo és que muchos indios de las tierras del interior de Brasil ha passado situaciones similares, especialmente las naciones emergentes del Noreste? ¿Ha tenido también emigracion de tierras fértiles para otras donde los recursos son menos favorables, bajo la presión de los colonos? Las preguntas para futuras investigaciones.

Palabras clave: Território; Xakriabá; Rio São Francisco.


ABSTRACT

Introduces elements of the history of the indians Xakriabá trought oral accounts from villagers in the municipality of São João das Missões, Texas. The central questions of this research are: How was the contact betwen Xakriabá and the settlers? What were the milestones that are in memory of the people? What were the achievements? For this investigation we adopted the use of life history as a technical approach to the respondents, applied in November 2011. As support material was used maps, historical documents, theses, dissertations and books. The difference of this approach is in the products generated: illustrations in the form of maps, landscape transect profiles (pathway) and chronology of events. The reports provide information that Akwen-Xakriabá, also known as Caboclos do Senhor São João, lived at the river San Francisco, where they were expelled primarily due to wars with the pioneers in the late seventeenth century. Then in the eighteenth century, after the settlers support the expulsion of indians Cayapó, and deploy a Jesuit mission in their territory receive land in the form of "gift". In the years that followed were amalgamating with black and white farmers until the late nineteenth century by farmers are pressed, and start living in the mountains. With the arrival of the projects of "agrarian reform" of the military government in the mid-1960s, their lands are subject to dispossession by the state of Minas Gerais. Since then, the Xakriabá seek support from FUNAI, which in turn starts the process of (re)cognition of the indianness of the Caboclos. It was a violent path to achieve the demarcation of their territory as indigenous, many leaders were threatened by local farmers, culminating in the massacre of a chief and his family in 1987. This tragic event mobilized national and international media, finally bringing the demarcation of the first leg of their lands. In 2000 it marked the second sentence. But, still claiming access to the River, ancestral binding site of his people, where many people resist. After this brief analysis of the history of Xakriabá, we might ask: Would many Indians of the Brazilian backlands through similar situations, especially the emerging nations of the Northeast? Did they also migrated to the fertile land where resources are less favorable, under pressure from settlers? Questions for further research.


Keywords: Territory, Xakriabá, São Francisco river


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Artigo originalmente apresentado no II CIAEE - Congresso Iberoamericano de Arqueologia, Etnologia e Etno-história, organizado pela UFGD, e que ocorreu no campus de Dourados, Faculdade de Ciências Humanas, em 2012.

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O GÊ DOS GERAIS

Elementos de cartografia para a etno-história do Planalto Central 
Contribuição à antropogeografia do Cerrado

Dissertação apresentada ao programa de pós-graduação em Desenvolvimento Sustentável do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Mestre Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais, modalidade Povos e Terras Indígenas.

Autor: Rodrigo Martins dos Santos (Geógrafo, especialista em geotecnologias).

Título: O GÊ DOS GERAIS – Elementos de cartografia para a etno-história e etnolinguística do Planalto Central: contribuição à antropogeografia do Cerrado.

Palavras-Chave: Antropogeografia; Etno-história; Cartografia Etnolinguística; Povos Indígenas; Cerrado; Planalto Central do Brasil.


Iconografia do século XVIII representando um Xavante e um Akroá em posição de combate. 
Fonte: Acervo da Biblioteca Pública de Évora, Portugal.


RESUMO EM PORTUGUÊS

Esta dissertação localiza diversos povos indígenas que habitavam o Planalto Central e, portanto, uma parte do Cerrado, antes das invasões Luso-Brasileiras. Será dado maior enfoque a uma porção desse espaço chamado regionalmente de Gerais. Tenho como base o mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju que apresenta lacunas na localização de etnias em algumas áreas do centro do país. Pretendo esclarecer um problema que é a insuficiente disposição de informações cartográficas a respeito de quais eram e onde estavam os povos indígenas do Brasil Central, em especial num polígono que abrange o Noroeste e Triângulo Mineiro, todo o Estado de Goiás, extremo nordeste do Mato Grosso e sudoeste do Pará, grande parte do Tocantins, região sul do Maranhão e do Piauí, e oeste da Bahia. A hipótese central é de que há mais informações sobre etnias nessa região do que as apresentadas por Nimuendaju. Para tentar confirmá-la, utilizo diversos produtos cartográficos como o mapa etnolinguístico de Čestmír Loukotka, e diversos mapas históricos disponíveis em arquivos públicos no Brasil e em Portugal. Também realizo um mapeamento inédito da localização de etnias constantes nos históricos municipais do banco de dados IBGE cidades. Dessa fonte compilo, ainda, as datas de colonização e fundação dos povoados e cidades, para ilustrar o avanço Luso-Brasileiro sobre o território indígena, bem como a implantação de aldeamentos pelo Estado e alguns quilombos pelos negros. A metodologia utilizada fundamenta-se na escola da antropogeografia de Ratzel, com apoio da etno-história e assessoria fundamental da cartografia. Após apresentar e localizar a área de estudo: os Gerais do Planalto Central e adjacências, teço uma breve descrição de seu meio físico, abordando os aspectos e origens do Cerrado, ambiente o qual conviveram e convivem os povos da região. Em seguida parto para aspectos etno-históricos, abordando desde a arqueologia à historiografia, no intuito inicial de ilustrar a chegada do ser humano à área e, em seguida, dos invasores Luso-Brasileiros. As análises finais são ricas em material cartográfico tanto históricos como produzidos para esta dissertação. Apresento dados que atestem quais eram os povos que habitavam esse espaço nos séculos XVII, XVIII e XIX, tendo em vista ser o momento de maior movimentação indígena provocada pela colonização na região. As conclusões são de que houve, pelo menos, 199 etnias no Planalto Central e adjacências, 87 além das 112 constantes no mapa de Nimuendaju. Com enfoque para os Gerais, onde aprofundo minhas análises, identifiquei 14 etnias a mais do que as 4 citadas por Nimuendaju, 18 ao total. Apresento algumas características etnográficas desses povos, agrupados por família lingüística, sobre suas origens e língua, com base em bibliografia, monografias, laudos, relatos de viajantes e história oral. Por fim, ilustro por meio de mapas a dinâmica da ocupação indígena, com migrações, diásporas e desaparecimentos de dezenas dessas etnias, tendo por base os fatores históricos e físicos já apresentados.  A contribuição dessa pesquisa está no fortalecimento da territorialidade indígena na história do país, em especial do Brasil Central. Os resultados poderão ilustrar livros didáticos e conteúdos escolares de história e geografia, conforme estabelece a Lei 11.645/08. Também poderá colaborar em estudos sobre a etnicidade de populações rurais brasileiras. Nos Gerais há pelos menos duas comunidades indígenas emergentes, os Xakriabá e os Aricobé, é possível que hajam ainda outras comunidades remanescentes de uma das 18 etnias Geraizeiras, em especial os Akroá, Guegué e Cayapó.


ARQUIVOS COM A DISSERTAÇÃO

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BANCA EXAMINADORA


Banca-examinadora da dissertação. Da esquerda para a direita: Henyo T. Barreto Filho; Francisca N. P. de Ângelo; Ludivine E. C. Pereira; Rodrigo M. dos Santos; Mônica C. R. Nogueira; e Rafael S. A. dos Anjos.


Data da Defesa Pública: 08 Fev. 2013


Orientadora (Presidente da banca-examinadora): Ludivine Eloy Costa Pereira (Agrônoma, mestre em geografia e desenvolvimento, doutora em estudos latinoamericanos e pós-doutora em geografia. Pesquisadora do centre national de la recherche scientifique). Professora-colaboradora do CDS-UnB.

Coorientadora: Mônica Celeida Rabelo Nogueira (Antropóloga, mestre em desenvolvimento sustentável, doutora em antropologia). Professora da FUP-UnB. Professora-colaboradora do CDS-UnB.

Examinador-interno: Henyo Trindade Barretto Filho (Cientista Social, mestre e doutor em antropologia. Diretor acadêmico do Instituto Internacional de Educação do Brasil - IEB). Professor-colaborador do CDS-UnB.

Examinador-externo: Rafael Sanzio Araújo dos Anjos (Geógrafo, especialista em Sensoriamento remoto, mestre em planejamento urbano, doutor em engenharia de transportes, pós-doutor em cartografia étnica). Professor do Departamento de Geografia (GEA) da UnB.

Examinadora-indígena: Francisca Navantino Pinto de Angelo - Chiquinha Paresí (Historiadora, mestre em educação). Indígena da etnia Paresí. Integrante da Comissão Nacional dos Povos Indígenas - CNPI - da FUNAI.

Examinadora-Suplente: Cristiane de Assis Portela (Historiadora, mestre e doutora em história. Coordenadora de pesquisa do Arquivo Público do Distrito Federal - ARPDF). Professora-colaboradora do CDS-UnB.


ÁUDIO-VISUAL DA DEFESA PÚBLICA

Defesa Pública da dissertação "O Gê dos Gerais" por Rodrigo M. dos Santos. Filmado por Joana Arari Bindi Botton.


Clique aqui para baixar o vídeo da defesa pública de Rodrigo Martins dos Santos (formato MP4).

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Clique aqui para ouvir a avaliação feita pelo professor Rafael Sanzio A. dos Anjos (formato MP3).

Clique aqui para ouvir a avaliação feita pelo professor Henyo Trindade Barretto Filho (MP3).

Clique aqui para ouvir a avaliação feita pela indígena paresí Francisca N. Pinto de Ângelo (MP3).

Clique aqui para ouvir a avaliação feita pela orientadora Ludivine Eloy Costa Pereira (MP3).

Clique aqui para ouvir a resposta de Rodrigo Santos sobre os questionamentos da banca (MP3).

Clique aqui para ouvir a menção proferida pela presidente da banca-examinadora (MP3).


ABSTRACT IN ENGLISH

Title: THE "GÊ" OF "GERAIS" - Elements of cartography for the ethnohistory and ethnolinguistic of the Brazilian Central Highlands:  Contribution to anthropogeography of the savanna.

Keywords: anthropogeography; ethnohistory; ethnolinguistic cartography; indigenous peoples; savanas, Central Plateau of Brazil.

Abstract: This dissertation finds many indigenous peoples who inhabited the Brazilian Central Plateau and therefore a part of the Cerrado, before the invasions Luso-Brazilian. More focus will be given to a portion of this space called regionally Gerais. I based Curt Nimuendaju's ethnohistorical map that has gaps in locating ethnicities in some areas of the center of the country. I want to clarify that a problem is the insufficient provision of cartographic information about what they were and where they were the indigenous peoples of Central Brazil, especially in a polygon that covers the Northwest and West of Minas Gerais State, throughout the State of Goiás, Mato Grosso extreme northeastern and southwest of Pará, much of the Tocantins State, south of Maranhao and Piaui, and western Bahia. The central hypothesis is that there is more information on ethnic groups in this region than those presented by Nimuendaju. To try to confirm it, I used several cartographic products as Čestmír Loukotka's etholinguistic map, and historical maps available in several public archives in Brazil and Portugal. Also realize unprecedented mapping of the location of ethnic groups listed in the historical city of the database IBGE cities. Compile this source also dates of colonization and founding of towns and cities, to illustrate the progress on the Luso-Brazilian indigenous territory, as well as the deployment of settlements by the state and some quilombos by blacks. The methodology is based on the anthropogeography, school of Ratzel, with support from ethnohistory and advisory fundamental cartography. After presenting and locate the study area: the Gerais of the Central Plateau and vicinity, weave a brief description of their physical, addressing aspects and origins of the Brazilian Savanna, environment which lived and living the native people of this region. Then present ethno-historical aspects, approaching from archeology to history, in order to illustrate the initial arrival of humans to the area and then the invaders Luso-Brazilian. The final analyzes are rich in both historical and cartographic material produced for this dissertation. Present data that demonstrates what were the people who inhabited this area in the seventeenth, eighteenth and nineteenth centuries, in order to be the moment of greatest indigenous movement caused by colonization in the region. The conclusions are that there were at least 199 ethnicities in the Central Plateau and adjacent areas, besides 87 of the 112 listed on the map of Nimuendaju. Focusing for Gerais, where deepen my analysis, I identified 14 ethnic groups more than the 4 mentioned by Nimuendaju, 18 to the total. Present some ethnographic characteristics of these peoples, grouped by language family, about their origins and language, based on literature, monographs, reports, travelers' accounts and oral history. Finally, by means of maps illustrate the dynamics of indigenous occupation, with migrations, diasporas and disappearances of dozens of these ethnic groups, based on the physical and historical factors already presented. The contribution of this research is to strengthen the indigenous territoriality in the history of the country, especially in Central Brazil. The results may illustrate textbooks and educational content of history and geography, according to Law 11.645/08. It can also collaborate on studies on the ethnicity of rural Brazil. In general there are at least two indigenous communities emerging, the Xakriabá and the Aricobé, it is possible that there are other communities remnants of one of the 18 ethnic groups Geraizeiros, especially Akroá, Guegue and Cayapó.


RESUMEN EN CASTELLANO (ESPAÑOL)

Título: EL "GÊ" DE "GERAIS" - Elementos de cartografía para la etnohistoria y la etnolingüística de la Meseta Central de Brazil: contribución a antropogeografía de la sabana.

Palabras-clave: antropogeografía; etno-historia; cartografia etnolingüística; pueblos indígenas; sabanas; Meseta Central de Brasil.

Resumen: Esta tesis ubica muchos pueblos indígenas que habitaron la Meseta Central de Brazil y por lo tanto una parte de la sabana, antes de la invasión luso-brasileña. Más atención se le dará a una parte de este espacio llamado a nível regional de Gerais. Yo utilizo como base el mapa etno-historico de Curt Nimuendaju que presenta un "vacío" etnográfico en esta zona del centro del país. Quiero aclarar que un problema es la insuficiencia de la información cartográfica sobre lo que eran y dónde estaban los pueblos indígenas del Brasil Central, sobre todo en un polígono que abarca el noroeste y oeste del Estado de Minas Gerais, en todo el Estado de Goiás, extremo noreste de Mato Grosso y sudoeste de Pará, gran parte del Estado de Tocantins, la región sur de Maranhão y Piauí, y Bahía occidental. La hipótesis central es que hay más información sobre los grupos étnicos de esta región que los presentados por Nimuendaju. Para tratar de confirmar, utilizo varios productos cartográficos como el mapa etnolingüístico del Čestmír Loukotka y mapas históricos disponibles en varios archivos públicos en Brasil y Portugal. También se dan cuenta de asignación sin precedentes de la localización de los grupos étnicos enumerados en el histórico de la base de datos de IBGE ciudades. También recopilo em esta fuente las datas de la colonización y fundación de pueblos y ciudades, para ilustrar el progreso Luso-Brasileño en el territorio indígena, así como el despliegue de los asentamientos por parte del Estado y algunos quilombos de los negros. La metodología se basa en antropogeografía de la escuela de Ratzel, con el apoyo fundamental de la etnohistoria y asesoramiento de la cartografía. Despoes de presentar y ubicar la zona de estudio: el “Gerais” de la Meseta Central y alrededores, tejo una breve descripción de sus aspectos físicos, abordando las orígenes del la Sabana em Sudamerica, medio ambiente donde vivió (y viven) las personas de essa región. A continuación, presenta aspectos etno-históricos, acercándose desde la arqueología a la historia, con el fin de ilustrar la primera llegada del hombre a la zona y luego los invasores luso-brasileños. La final las analizis son ricas en materia histórica y cartográfica producida para esta tesis. Los datos actuales demuestran quien eran las personas que habitaban esta zona en los siglos XVII, XVIII y XIX, con el fin de ser el momento de mayor movimiento indígena causada por la colonización de la región. Las conclusiones son que hubo por lo menos 199 grupos étnicos en la meseta central y las zonas adyacentes, además de 87 de los 112 que figuran en el mapa de Nimuendaju. Enfoque para los Gerais, donde profundizo mi análisis, identifiqué 14 grupos étnicos más que el 4 mencionado por Nimuendaju, 18 al total. Presento algunas características etnográficas de estos pueblos, agrupados por familias lingüísticas, sobre sus orígenes y su lenguaje, basado en la literatura, monografías, informes, relatos de viajeros y la historia oral. Por último, por medio de mapas ilustro la dinámica de ocupación indígena, con las migraciones, las diásporas y las desapariciones de decenas de estos grupos étnicos, basados en los factores físicos e históricos ya presentados. La contribución de este trabajo consiste en fortalecer la territorialidad indígena en la historia del país, especialmente en el centro de Brasil. Los resultados pueden ilustrar libros de texto y el contenido pedagógico de la historia y de la geografía, de acuerdo con la Ley 11.645/08. También pueden colaborar en los estudios sobre el origen étnico de las zonas rurales de Brasil. En general, hay al menos dos comunidades indígenas emergentes, los Aricobé y los Xakriabá, es posible que hay restos de otras comunidades de uno de los 18 grupos étnicos Geraizeiros, especialmente Akroá, Cayapó y Guegue.


RÉSUMÉ EN FRANÇAIS

Titre: LE "GÊ" DE "GERAIS" - Eléments de cartographie pour l'ethno-histoire et ethnolinguistique de le Plateau Central Brésilien: contribution à anthropogéographie la savane.

Mots-clés: anthropogéographie; ethno-histoire; cartographie ethnolinguistique; peuples amérindiens; savane; Plateau Central du Brésil.

RésuméCe mémoire propose de localiser les peuples autochtones qui ont habité le Plateau Central brésilien avant les invasions luso-brésiliennes. Je me suis focalisé sur une partie de cet espace appellé le "Gerais". J´ai utilisé comme la toile fond de la carte ethno-historique de Curt Nimuendaju, qui présente des lacunes concernant l´existence et la localisation des ethnies dans certaines régions du centre du pays. J´ai mis en évidence le problème du manque d'information cartographique au sujet des peuples amérindiens du Brésil central, en particulier dans un polygone qui couvre le Nord-Ouest et l´Ouest de l´état de Minas Gerais, l´ensemble de l´état de Goiás, l´extrême nord-est du Mato Grosso, le sud-ouest du Pará, une grande partie du Tocantins, le sud Maranhão et Piauí et le sud-ouest de Bahia. L'hypothèse centrale est qu'il existe plus d'informations sur les groupes ethniques de cette région que celle présentées par Nimuendaju. Pour tenter de la confirmer, j'ai utilisé plusieurs documents cartographique, comme la carte ethnolinguistique de Čestmír Loukotka, et diverses cartes historiques disponibles dans les archives publiques au Brésil et au Portugal. J´ai utilisé également l´historique des communes figurant dans la base de données de l´IBGE pour cartographier la localisationdes groupes ethniques dans la région d´étude. J´ai compilé ces données avec les dates de colonisation des lieux et de fondation des villes et villages, afin d'illustrer l´avancée des colons luso-brésiliens sur les territoires amérindiens, ainsi que le déploiement des quilombos (villages crées par les esclaves fugitifs). La méthodologie utilisée est basée sur l´anthropogéographie de l'école de Ratzel, avec l'appui de l´ethnohistoire et de la la cartographie. Après la présentation de la zone d'étude (le Gerais du Plateau Central et ses environs), je tisse une brève description de ses aspects physiques et des origines du Cerrado, de façon à décrire l'environnement dans lequel les groupes améridniens ont vécu et vivent encore aujourd´hui. Ensuite, j´aborde les aspects ethno-historiques, en décrivant l'arrivée des premiers êtres humains dans la région et des début de la colonisation, grâce aux travaux d´archéologie et d'histoire. Ensuite, grâce à de nombreuses cartes, je présente les données qui démontrent qui sont les groupes qui ont habité cette région au XVIIe, XVIIIe et XIXe siècles, c´est -à-dire l´époque à laquelle  la colonisation a causé le plus de déplacements dans la région. Les conclusions sont qu'il y avait au moins 199 ethnies dans le Plateau Central et ses zones adjacentes, c´est à dire 87 de plus que les 112 répertoriés sur la carte de Nimuendaju. Dans la région particulière du Gerais, où j´ai approfondi mes recherches, j'ai identifié 14 groupes ethniques de plus que les 4 mentionné par Nimuendaju, soit 18 au total. Je présente certaines caractéristiques ethnographiques de ces groupes, regroupés par famille de langues et par leurs origines, basée sur la littérature, monographies, rapports, récits de voyageurs et de l'histoire orale. Enfin, je présente des cartes qui illustrent la dynamique de l'occupation amérindienne, marquée par des  migrations, des diasporas et la disparitions de dizaines de groupes ethniques. Cette recherche contribue donc à affirmer l´importance des territorialités amériendiennes dansl'histoire du pays, en particulier du centre du Brésil. Les résultats pourront illustrer des manuels scolaires d'histoire et de la géographie, comme le préconise la loi 11.645/08. Ils pourront également collaborer aux études portant sur l'origine ethnique des populations rurales du Brésil. Le Gerais compte en effet deux communautés amérindennes émergentes, les Xakriabá et Aricobé, et il est possible qu'il existe d'autres communautés descendantes de l'un des 18 groupes ethniques identifiées, en particulier les Akroá, les Guegue et les Cayapó.