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Correndo Riscos


“No fundo, todos nós, seres, somos energia, temos a mesma origem e teremos o mesmo fim”
 

Até que ponto o ser humano pode controlar o destino das coisas e seres? O filme Correndo Riscos¹ apresenta como uma tentativa de ampliar o diálogo do conhecimento acadêmico com outros grupos sociais, principalmente leigos, que não se utilizam de artigos da comunidade científica. Para isso, utiliza cenas de famosos filmes de ficção científica que abordam a temática da manipulação genética, também há diversos depoimentos de acadêmicos e especialistas.

Biotecnologia é a manipulação genética de diferentes fontes, por exemplo:

•    Clonagem de animais;
•    Alimentos mais resistentes;
•    Manipulação de genes que podem causar determinada doença;
•    Manipulação de genes de certa habilidade.

O conhecimento de genes e sua manipulação produzem seres selecionados antropicamente. No entanto, as conseqüências, ou efeitos colaterais, não são conhecidos. O grande risco é a possibilidade de se construir monstros híbridos de homens e animais ou vegetais e animais, a partir de fontes de diferentes origens.

Aceitar a ciência é um ato de fé, pois assim como na religião tem suas premissas. Ela não pode ter explicação ou comprovação para tudo. A fama e o dinheiro move as pessoas numa ambição em construir super-seres ou buscar a cura para doenças, independente das conseqüências.

Não é o fato de ser utópica que uma idéia não poder ser defendida, por exemplo, a sociedade do amor, da cultura da paz, da sustentabilidade. Mesmo tendo convicção de que ela pode não ser alcançada, tê-la como objetivo leva a ações e pensamentos mais pacíficos, amorosos e ecológicos. Para isso, alguns paradigmas precisam ser rompidos, como viver bem com menos, convivendo com a diversidade e suas limitações.

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¹ CORRENDO RISCOS. Direção Elízio Costa. Brasília: UnB-CDS, 2009. DVD.

Tecnologia, Sociedade e Sustentabilidade


“não morremos, apenas eu e tu e a solidão morre”
 
Epitáfio de Vilém Flusser, Praga.

Bartholo Júnior¹ afirma que a escrita foi a grande descoberta para o desenvolvimento da comunicação, da interlocução, da transmissão do conhecimento e da informação, através do registro da idéia. Este registro da idéia evoluiu e atualmente possuem-se diversas ferramentas avançadas, como as ilustrações técnicas, apresentadas como outra possibilidade de encontros e moldações de Eus, transformando-os através da interação. O filósofo tcheco Vilém Flusser apresenta esta idéia antes mesmo da existência da rede internacional de computadores, diz que o Eu é um nó em uma rede, mas não é fixo, se desenha e se redesenha pela comunicação. Ele vivenciou as eras do rádio e da televisão, desenvolvendo o conceito de “discurso anfiteatral”, onde existem diversos pontos em contato com uma idéia, simultaneamente.

Aquele velho pensamento em linha, com textos produzidos, estão se re-moldando no aproveitamento da superfície com as imagens digitalizadas. No entanto, surge a tecno-imaginação, ou seja, a tutela da imaginação através de meios técnicos. Trazendo um novo desafio: a ruptura da tutela na capacidade de imaginar.

A crítica fluseriana da tecno-informação observa que surge então uma nova forma de relação de poder entre programadores e programados, tendo o meio dessa relação a programação. Mas interatividade não é o mesmo que dialogicidade, ou seja, não há mão-dupla nas comunicações, troca de idéias entre os interlocutores. Assim, até que ponto ter uma tecnologia (como o Ipod) importa para a relação de comunicação pretendida. Levando a seguinte reflexão:

•    O que temos para dizer?
•    É algo importante?
•    Como transmitir então?

Flusser percebeu que tudo pode ser transformado, sua vida é um exemplo disso. Nasceu e viveu em Praga, com segurança, no entanto, logo que os nazistas a ocuparam tornou-se impossível permanecer por lá, pois era judeu. Assim, foi desterrado, imigrando para o Brasil em 1940. Em 1972 exila-se na Europa, devido ao regime autoritário brasileiro. Falece em 1991 – em acidente de trânsito – curiosamente ao visitar sua cidade natal para conferenciar. Ele Pensava em novas possibilidades para o modo de dizer, que vão além da gramática, mas envolvem a tecnologia. Algo que foi necessário para sua interação com pessoas de outros idiomas.

A partir da filosofia do estadunidense Richard Rorty, que analisa as verdades e inverdades dentro dos discursos, é possível observar que a permanência em discursos pré-existentes, a ausência de crítica ou de dialogicidade, impede o surgimento de novas formas de se pensar e agir. Novos discursos e liberdade de pensamento surgem quando há novas formas de expressão. Por isso a necessidade da poesia, não apenas a prosa, para dar a possibilidade do uso da imaginação quando se exprime idéias que tenham co-relação em outras pessoas.

Relações novas e possíveis com o mundo surgem da invenção de modos de poder compartilhas idéias, e as tecnologias são algumas das ferramentas para isso, não o fim. O lugar da vida é nas relações.

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¹ BARTHOLO JÚNIOR, Roberto dos Santos. [palestra] 14 jul 2010, Brasília (Seminários Interdisciplinares, Programa de Pós-Graduação do Centro de Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília).TECNOLOGIA, SOCIEDADE E SUSTENTABILIDADE.

NANOTECNOLOGIA

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) são ferramentas habilitadoras, ou seja, possibilitam a abertura para o desenvolvimento de outras ciências. Quer dizer, sem o instrumental das TICs não seria possível obter diversos avanços em alguns ramos científicos, especialmente os ligados à tecnologia, que se apóiam no uso de modelagens, algoritmos, automação, etc. Saenz & Paula¹ apresentam elementos de um novo ramo científico que vêm se desenvolvendo: é a nanociência.

Um nanômetro (nm) é uma unidade de medida correspondente a 1×10^-9 metros, ou seja, um milionésimo de milímetro. Na Nanociência, algumas propriedades clássicas da física e da química são modificadas, como:

•    O magnetismo do ferro se perde;
•    O ouro torna-se incapaz de liquefazer-se;
•    A dureza do carbono altera-se; dentre outras.

As principais aplicações da nanociência, através da nanotecnologia, se dão nas áreas da medicina, engenharia, química, biologia, física e informática. Exemplos de aplicação da Nanotecnologia:

•    Materiais biodegradáveis como o gel orgânico;
•    Músculos artificiais com nanotubos, para pessoas com habilidades especiais;
•    Nanocola industrial;
•    Nanotubo condutor para componentes eletrônicos;
•    Absorvente de luz para produção de energia limpa;
•    Baterias de nanocélulas;
•    Tecidos que absorvem/geram energia através de nanofibras;
•    Nanopartículas bactericidas.
•    Plásticos comestíveis para proteção de alimentos;
•    Substâncias substituidoras do mercúrio nos garimpos.

Quanto aos riscos e perigos encontrados na aplicação da nanotecnologia, os principais são:
•    Conhecimento incipiente em virtude da falta de domínio da ciência por ser muito recente e complexa e, portanto, insuficiente sobre os impactos à saúde humana e ao meio ambiente;
•    Pesquisa concentrada em poucos grupos científicos, tecnológicos e militares, muitos deles em sigilo;
•    Patenteamento garante a exclusividade de uso e aplicação, impedindo que outros grupos utilizem os poucos avanços já encontrados;
•    Marco regulatório restrito.

Nanotecnologia é uma realidade do século XXI, e cada vez mais as sociedades vão se utilizar desse avanço científico na vida prática. No entanto, existe a necessidade de um maior desenvolvimento das pesquisas em especial no tocante aos riscos humanos e ambientais. Também é necessária a capacitação de professores do ensino básico para que possam preparar essa nova sociedade à realidade porvir.

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¹SAENZ, Tirso & PAULA, Maria Carlota de Souza. [palestra] 12 maio 2010, Brasília (Seminários Interdisciplinares, Programa de Pós-Graduação do Centro de Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília). Convergência científica e tecnológica: Oportunidades e desafios para a sustentabilidade.