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Arriety - one of The Borrowers


Have you ever imagined teeny-weeny people living in the small underfloor gaps and hollow walls of your house? So, astonishing as it might be, you could neither  see them nor feel their presence. As a living, these tiny beings "borrow" stuff from your house, as they would allege, although you would not be able to miss it either. This is the plot of "Arriety" a Japanese anime version of the English book "The Borrowers". Directed by Hayao Miyazaki from Studio Ghibli, both considered legends of the animation world.

Arriety (left) and Sho (right) having a meaningful talk about diversity and life

The story is set against a backdrop of a comfy gardened country house on the outskirts of a city. Sho is a weak but docile kid who suffers from a heart problem and is led by his aunt to stay a while in the house to rest before having surgery. As soon as he gets the house comes across the tiny Arriety, a prime example of Ghibli's heroine, whose personality is a mix of bravery, audacity and daring, tempered by a pinch of gorgeousness, mercy and high-mindedness.

The plot interweaves themes of freedom, empathy for the weakling, sympathy for all being and the environment, and the meaning of life. These topics reach a peak in a warm but sincere dialogue between the two protagonists, as an aftermath of the boy's recklessness which unfold a poignant displacement for the minuscule family. Sho turns to Arriety saying that "is is a pitiful fate as the environment changes and beautiful species are doomed to disappear". The heroine, notwithstanding, states that "regretfully the ones who fight against the changes and protect the environment are those condemned to be wiped out".


These quotes are metaphorical parallels with real life, and would help the youth to concern about its choices and stances in light of the issues raised by the film. An endless and timeless dispute between "controlled progress" and the so-called "chaotic self-evolution of the wilderness".


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Review written for the Cambridge Proficiency English course, The English Academy, Dublin, 2016.

Linguagem audiovisual¹ com Takumã Kuikuro²


Quando um Kuikuro era filmado, tinha medo de não morrer mais e ficar pra sempre na Terra. Mas logo depois que viram o primeiro filme pronto, sempre pedem para serem filmados: querem se ver no telão. Querem viver para sempre!

Com estas palavras o jovem cineasta Takumã abre sua prática oficina de áudio-visual. Ele nasceu no Parque Indígena do Xingu e é aluno da Escola de Cinema Darcy Ribeiro no Rio de Janeiro. Já dirigiu alguns filmes, dentre eles o “Hiper Mulheres” vencedor de três Kikitos no Festival de Gramado, e outros não menos interessantes como “O dia em que a lua menstruou” e “Cheiro de pequi”. Os três filmes foram projetados durante a oficina.
Ele diz que o vídeo é um importante instrumento que pode ser usado como denúncia e documento. Registrando histórias, mitos, rituais, contos, rezas, canções... Sua oficina foi dividida da seguinte forma:

  1. Manuseio da câmera:
    1. apresentou técnicas de uso e manipulação do equipamento;
    2. Também apresentou algumas especificações básicas de equipamentos que podem ser usados para um bom resultado final.
  2. Projeção de Material:
    1. apresentou três filmes:
      1. As hiper mulheres;
      2. O dia em que a lua menstruou;
      3. Cheiro de pequi.
  3. Função e importância:
    1. Dissertou sobre a importância do vídeo-documento:
      1. salvaguarda da cultura e língua;
      2. Intercâmbio entre povos;
      3. Divulgação cultural;
      4. Documento.
  4. Treinamento e documentadores:
    1. necessidade de se capacitar o pessoal envolvido.
  5. Como usar os equipamentos:
    1. cuidados (zelo);
    2. proteção contra intempéries (sol, chuva, umidade, poeira);
    3. cuidados com a lente (não tocar, nunca!).
  6. Câmera nas mãos:
    1. iniciar gravação entre 10 e 15 segundos antes do fato de interesse;
    2. Escolha da mídia;
    3. Programa de edição, finalização;
    4. Qualidade da gravação:
      1. SP (maior definição de imagem, melhor qualidade de som, usa mais espaço na mídia);
      2. LP (qualidade reduzida, usa menos espaço na mídia).
  7. Explorando a câmera:
    1. Bater branco:
      1. Sair do modo automático;
      2. Necessário para manter a cor das cores reais;
      3. Exposição à luz: diafragma e íris.
  8. Preparando a gravação:
    1. Posicionamento da câmera;
    2. Uso de tripé;
    3. Divisão em cenas: imaginar o produto terminado.
  9. Gravando:
    1. Quando o alvo está em movimento (pessoas caminhando) a câmera pode caminhar também;
    2. Quando alvo está parado, a câmera deve ficar parada;
    3. Nem sempre uma estória começa no início dela:
      1. A estória pode começar no meio ou no fim, ou com alguém contando;
      2. A edição pode inverter a posição das cenas.

Confesso que muitas surpresas tive com a presença desse jovem Kuikuro, a facilidade com que ele lida com a tecnologia, sua percepção da sétima arte (o cinema), a sensibilidade, tudo isso me impressionou.

Takumã representa o quanto os indígenas são capazes como qualquer outra pessoa, basta ter oportunidade, incentivo, sem preconceitos.

Eu sou um amante do cinema e do áudio-visual, fiz alguns cursos de fotografia e participei de exposições. Tenho muito apreço às pessoas que sabem distinguir a singeleza que é a luz, sua capacidade de construir imagens por meio de equipamentos técnicos produzidos pelo homem.

O cinema é a arte de maior tecnologia, envolve fotografia, som, imagem, movimento, cores, paisagens, e diversos outros elementos técnicos, artísticos ou da natureza.

Aprendi bastante com o pouco tempo que tive com esse jovem xinguano, também pude relembrar alguns conceitos que já não usava a algum tempo, devido ao fato de ter deixado a fotografia para seguir a carreira ambiental com intervenção social.

Esta oficina fez reacender uma chama que havia dentro de mim, a de praticar a fotografia. Após ela eu tomei a decisão de comprar uma câmera novamente, e voltar a fazer meus ensaios fotográficos, e porque não, cinematográficos.

No futuro pretendo fazer um curta-metragem, para testar algumas técnicas que aprendi com Takumã e outros professores da sétima arte.


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¹ Tema de aula na disciplina "Questões Indigenistas na Contemporaneidade", 1º semestre de 2012. Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a povos e terras indígenas, Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS)Universidade de Brasília (UnB).
² Takumã Kuikuro, cineasta, é indígena xinguano da etnia Kuikuro.